100 – I Was a Teenage Werewolf (1957)

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I Was a Teenage Werewolf 


1957 / EUA / P&B / 76 min / Direção: Gene Fowler Jr. / Roteiro: Herman Cohen, Aben Kandel (com o pseudônimo de Ralph Thornton) / Produção: Herman Cohen / Elenco: Michael Landon, Yvonne Lime, Whit Bissell, Tony Marshall, Dawn Richard, Barney Phillips


 

Prensado entre a infinidade de ficção científica da década, está I Was a Teenage Werewolf, um filme cult de lobisomem, de uma época passada em que lobisomem não era só coadjuvante de vampiro em filme de açãozinha barata ou romance adolescente estúpido.

Lançado pela magnânima American International Pictores de Samuel Z. Arkoff e James H. Nicholson, e produzido por Herman Cohen, aqui mais uma vez, como em O Lobisomem de Fred. F. Sears, lançado um ano antes, a licantropia no personagem principal é culpa de um cientista louco, ao invés de uma maldição ou explicação sobrenatural. Reflexo dos tempos modernos, sabe? O determinado cientista quer desenvolver uma vacina capaz de regredir o ser humano ao seu estado primitivo, animalesco, que acaba resultando na transformação de um adolescente problemático em um lobisomem que anda por aí com a jaqueta do colégio.

No caso, o tal adolescente “juventude transviada” é Tony Rivers, interpretado por Michael Landon, que tinha na época 21 anos e fingia estar no high school, famoso mais tarde por protagonizar as séries Bonanza e Os Pioneiros, que passam aqui no Brasil no TCM, e foi até indicado a um Globo de Ouro de melhor ator de série de TV, categoria Drama, vejam só. Quase um selvagem da motocicleta lupino, Tony só se mete em confusão e é todo esquentadinho, brigando com todo mundo por qualquer motivo idiota. A revolta do rapaz explode quando em uma festa de Halloween, outro jovem tenta pregar uma peça tocando uma corneta em seu ouvido, e ele espanca o pobre diabo e dá um chega para lá na sua namorada, Arlene.

Tony resolve procurar ajuda médica, com o Dr. Alfred Brandon, renomado psiquiatra / cientista, após ouvir inúmeros conselhos de que deveria se tratar, inclusive do Detetive Donovan, que sempre passou um pano para o moleque. O Dr. Brandon só quer uma cobaia para seus testes de involução humana, e o rapaz vem no momento certo, sendo o alvo perfeito devido ao seu histórico de enfezado. Administrando injeções em Tony, junto com sessões de hipnoterapia, o jovem acaba se transformando em lobisomem, sem precisar de lua cheia nem nada. A primeira vítima é um dos seus amigos do colégio que inocentemente voltava para casa pela floresta tarde da noite.

Ai meu Deus... Virei um lobo!

Ai meu Deus… Virei um lobo!

A segunda vítima é uma atleta de ginástica olímpica de seu colégio. Tony a vê treinando e mais uma vez o instinto animal de lobo macho alfa vem à tona, fazendo com que ele ataque e mate a garota (que já era uma coelhinha da Playboy com seus 22 anos de idade na época do lançamento do filme). Mas dessa vez ele é pego no flagra, e reconhecido por sua jaqueta e calças, que milagrosamente nunca se rasgam ou se danificam na transformação. Acuado, Tony se esconde na floresta, trava uma terrível batalha com um cachorro e precisa se esgueirar entre os arbustos, a fim de evitar que uma turma de policiais (com tochas na mão, como todo bom filme de lobisomem que se preze) o encontre.

Desesperado, Tony corre para pedir socorro ao Dr. Brandon, que seda o rapaz e quer documentar sua transformação final, gravando-a e assim, ser laureado no mundo científico. Mas o incontrolável adolescente lobisomem mais uma vez é tomada por um acesso de fúria e as coisas não vão acabar muito bem para o cientista e seu assistente, até que a polícia o encontre e seja obrigada a agir rápido para terminar com as matanças de uma vez por todas.

Com orçamento baixíssimo (custou 82 mil dólares e faturou 2 milhões nos cinemas) e filmado em apenas sete dias, I Was a Teenage Werewolf acabou tornando-se cultuado e uma grande referência da cultura pop, inspirando uma enxurrada de filmes, a maioria paródias, como I Was a Teenager Zombie, I Was a Teenage Mummy, e por aí vai, virando título da música da banda punk The Cramps, e aparecendo ou sendo citado em vários outros filmes, seriados de TV e desenhos (até em Bob Esponja!!!). E para sacar como a estética desta produção B influenciou culturalmente, é só lembrar de O Garoto do Futuro com Michael J. Fox, que também era um teenage werewolf. Ou então do jovem Michael Jackson transformado em lobisomem com sua jaqueta colegial no clipe de Thriller.

E olha, até que a maquiagem do lobisomem é bastante decente, tendo em vista as limitações técnicas e de efeitos visuais (apesar de a transformação, filmada com trucagem de imagens, ser uma das piores do gênero). E para completar I Was a Teenage Werewolf foi um verdadeiro choque para as plateias na época, pois até então, nenhum outro personagem adolescente tinha virado um monstro nos cinemas. Ao bem da verdade, foi um golpe de mestre da AIP, sabendo que os adolescentes sempre representaram a maior fatia do público frequentador das salas de cinema, isso até hoje, só ver o tanto de filmes slasher que explodiram nos anos 80, falando especificamente de terror, e tantas outras porcarias genéricas que são lançadas atualmente voltadas exatamente para essa fatídica faixa etária.

Chupa Michael!!! (J. Fox e Jackson)

Tipo Michael!!! (J. Fox e Jackson)



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Lucas disse:

    Sem Falar que esse filme aparece em um clássico do terror… It – Uma Obra Prima do Medo

  2. […] em monstro quase sempre teve uma explicação sobrenatural (exceto em O Lobisomem de 1956 e I Was a Teenage Werewolf, vítimas de experiências com radiação – lógico, ambos lançados nos anos 50) […]

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