101 – A Maldição de Frankenstein (1957)


The Curse of Frankenstein


1957 / Reino Unido / 82 min / Direção: Terence Fisher / Roteiro: Jimmy Sangster (baseado na obra de Mary Shelley) / Produção: Anthony Hinds, Max Rosenberg; Michael Carreras (Produtor Executivo); Anthony Nelson Keys (Produtor Associado) Elenco: Peter Cushing, Cristopher Lee, Robert Urguhart, Hazel Court


 

É preciso afirmar que A Maldição de Frankenstein iniciou uma nova era no cinema de terror. Primeiro, por ser a primeira produção do lendário estúdio inglês Hammer Films atualizando os clássicos de monstro da Universal. Segundo, por ser a primeira aparição da dupla Peter Cushing e Cristopher Lee em cena. Terceiro, por trazer cores vivas ao universo do horror. E quarto, e não menos importante, por finalmente mostrar aquilo que todo fã que se preze mais gosta de ver no gênero: sangue!

É bom se atentar ao momento histórico do lançamento de A Maldição de Frankenstein. Após os filmes de monstro da Universal terem tomado de assalto os cinemas no início da década de 30 e suas infindáveis continuações, seguidos pelos filmes da RKO Radio Pictures e do Poverty Row na década de 40, após a Segunda Guerra Mundial sabemos que o terror mesmo, aquele de verdade, praticamente minguou a partir de 1947. Os olhos do cinema fantástico estavam voltados ao sci-fi com seus monstros espaciais, invasões alienígenas e alegorias para o medo nuclear e o comunismo.

Foi nesse contexto que a Hammer, que já havia tido sua incursão na ficção científica com Terror que Mata e X, O Monstro Radioativo, e em seu filme próprio de monstro, O Abominável Homem das Neves, resolveu refilmar os clássicos de monstro da Universal em cores, trazendo para o espectador um novo aspecto de horror mais gráfico e abusando, na medida do possível, do vermelho vivo do sangue para chocar a plateia.

Tanto que se você acompanhar a evolução do cinema de horror (até mesmo assistindo na ordem cronológica cada fita que postei até então), verá que esse é o primeiro longa que além de mostrar sangue de verdade (quer dizer, de mentira né…) em vermelho vivo, traz partes de corpos decepados como mãos, olhos e cérebros. E ah, como a gente adora ver isso depois de uma batelada de filmes em preto e branco cercados de uma certa aura de inocência, digamos assim.

It’s alive, dessa vez em cores!!!!

Ou seja, A Maldição de Frankenstein é muito mais violento que todos os seus predecessores. E mais que isso, cria uma certa marca registrada com seus filmes com aquele ar cafona vitoriano de castelos e carruagens, dá uma luz ao termo Grand Guignol, que seria o pai do cinema gore, eleva a violência gráfica a um novo patamar e claro, traz aos efeitos de maquiagem em látex para a era do techniclor.

A história é a mesma que conhecemos, só que mais visceral. Peter Cushing interpreta o bitolado Barão Victor Von Frankenstein em sua busca insana por construir uma criatura a partir de partes de mortos e trazê-la a vida. E a criatura é o debute de Cristopher Lee nas telas, que um ano mais tarde, se consagraria no papel como o conde Drácula definitivo, e hoje está no Guinness como o ator que mais atuou em filmes durante toda a história da sétima arte (e contando, afinal acabou de estrelar O Hobbit lançado no final do ano passado nos cinemas).

A criatura pode não ter o mesmo charme de Boris Karloff e a maquiagem eternizada por Jack Pierce em Frankenstein da Universal, mas a Hammer preferiu dar um aspecto mais cadavérico ao monstro, deixando-o com um horrível corpo putrefato, retalhado e com escaras.

Claro que para a época o longa recebeu uma enxurrada críticas negativas, sendo considerado pela implacável censura britânica uma “afronta ao bom gosto”. Mas como o que é do homem o bicho não come, A Maldição de Frankenstein foi um sucesso de bilheteria e a pedra angular para o estúdio que nos próximos 20 anos se dedicaria ao cinema de horror, fazendo incontáveis clássicos e eternizando os gentlemans Cushing e Lee, que para mim, são os dois maiores astros dos filmes de terror de todos os tempos.

Cristopher Lee só o bagaço



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] ano depois do sucesso de A Maldição de Frankestein, a Hammer nos presenteia com sua versão de Drácula de Bram Stoker, em cores, com o filme O […]

  2. […] uma cabana, ou depois uma cabeça dentro de uma mochila de alpinismo. Porque até então, tirando A Maldição de Frankenstein e O Vampiro da Noite, também da Hammer, estamos nada acostumados a ver esse tipo de material […]

  3. […] ano depois do sucesso de A Maldição de Frankestein, a Hammer nos presenteia com sua versão de Drácula de Bram Stoker, em cores, com o filme O […]

  4. […] os sucessos de A Maldição de Frankesntein e O Vampiro de Noite, o estúdio britânico Hammer escreveu seu nome para sempre seu lugar na […]

  5. […] e Sangster foram a dupla responsável por A Maldição de Frankenstein e O Vampiro da Noite, as duas fitas seminais da Hammer que definiriam toda a estética não só do […]

  6. […] de partida. Só da Hammer, entra nessa lista britânica: Terror que Mata; X, O Monstro Radioativo; A Maldição de Frankenstein e O Vampiro da Noite, isso sem esquecer do obscuro The Trollenberg Terror e do ótimo e gosmento O […]

  7. […] impacto visual marcante. A maquiagem a cargo de Roy Ashton, que já havia mostrado ao que veio em A Maldição de Frankenstein e O Vampiro da Noite, faz mais uma vez um excelente trabalho com o […]

  8. […] filha de Gault, que é interpretada pela bela Hazel Court, famosa pelos filmes da Hammer como A Maldição de Frankenstein e O Homem que Enganou a Morte. Mas a moçoila não se dá por vencida e resolve insistir em […]

  9. […] Barão Frankenstein. Na verdade, é quase como se fosse uma continuação direta do primeiro filme, A Maldição de Frankenstein, produzido em […]

  10. […] no gênero, famosíssimo diretor da Hammer, que tem em seu currículo nada mais, nada menos, que A Maldição de Frankenstein, O Vampiro da Noite e A Múmia, todos com a dupla Cushing e Christopher Lee, para o estúdio […]

  11. Daniel Limas disse:

    chorando aqui pq a legenda tá terrivelmente dessincronizada; tu corrige o começo, fode o final, e vice versa. mas agradeço imensamente pelo teu site – tô encantado. nóis!

    • Puts, que bad, Daniel.

      Será que não rola uma outra legenda na net compatível com esse release?

      Imagine, eu que agradeço pelo elogio e por acompanhar o blog.

      Grande abraço.

      Marcos

  12. […] a volta do diretor Terence Fisher à série (responsável pelos dois primeiros filmes, A Maldição de Frankenstein e A Vingança de Frankenstein), Peter Cushing mais uma vez vive o papel do Barão Frankenstein, […]

  13. […] de colocar o foco em suas criações bizarras. Apenas no original lançado há mais de dez anos, A Maldição de Frankenstein e em O Monstro de Frankenstein, espécie de continuação direta, a criatura (vivida por […]

  14. […] Sangster, responsável pelo roteiro dos mais importantes filmes do estúdio, desde os primeiros A Maldição de Frankenstein e O Vampiro da Noite, vários filmes destas duas franquias e outros clássicos como O Homem que […]

  15. […] saga que começara em 1957 com o lançamento de A Maldição de Frankenstein e daria o pontapé inicial para tornar o estúdio inglês na Casa do Horror, lar da revitalização […]

  16. […] filha de Gault, que é interpretada pela bela Hazel Court, famosa pelos filmes da Hammer como A Maldição de Frankenstein e O Homem que Enganou a Morte. Mas a moçoila não se dá por vencida e resolve insistir em […]

  17. Acho que foi daí que Cushing e Lee se tornaram grande amigos….

  18. Sofia Torres disse:

    O romance é uma grande adição Dr. Frankenstein é um clássico, muito ruim que eles fazem adaptações da história é uma merda. Ao ler este post me lembrou a nova série PennyDreadful cujo tema aborda a origem de alguns clássicos da literatura, como mencionado aqui, Dorian Gray e Drácula.

  19. […] como em Frankenstein da Universal. E nem a versão mais deformada que Christopher Lee viveu em A Maldição de Frankenstein da Hammer no final dos anos 50. A transposição do texto para as telas é crível, é real, De […]

  20. Nicolas Silva disse:

    Poxa mano cadê o link de download?

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