105 – A Bolha (1958)

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The Blob


1958 / EUA / 86 min / Direção: Irwin S. Yeaworth / Roteiro: Theodore Simonson, Kate Phillips, Irvine H. Millgate (ideia original) / Produção: Jack H. Harris; Russel Doughten (Produtor Associado) / Elenco: Steve McQueen, Aneta Corseaut, Earl Rowe, Olin Howland, Steven Chase, John Benson


 

Um verdadeiro clássico e um dos mais famosos e adorados filmes do terror / sci-fi dos anos 50. OK, A Bolha talvez só seja tão famoso para minha geração por conta do seu excelente remake dos anos 80, A Bolha Assassina. Mas a importância desse filme para o gênero é inquestionável.

Primeiro pela perplexidade que causou no público na época, ao ver aquela gelatina de morango espacial vinda de um meteorito que caiu em Phoenixville, Pensilvania, promover um rastro de morte e destruição, sendo praticamente indestrutível e crescendo conforme vai devorando os seres humanos, e tudo isso em cores! Segundo pela já nítida evolução dos efeitos especiais se comparadas a outras produções do gênero. Terceiro por dar a primeira oportunidade cinematográfica ao jovem ator Steve McQueen, futuro astro de Hollywood e indicado ao Oscar®.

O diretor Irwin S. Yeaworth confessamente inspirou sua geleca em um obscuro sci-fi do estúdio inglês Hammer (sim, aquele mesmo dos filmes de Drácula e Frankenstein com Peter Cushing e Cristopher Lee), X, O Monstro Radioativo. Feito com parcos 240 mil dólares, e exibido em double features com Casei-me Com um Monstro, A Bolha é mais um exemplo de um filme barato, porém criativo, que deu super certo e tornou-se um sucesso instantâneo para a Paramout, que até então não tinha quase nenhuma tradição no gênero.

Geleca

Geleca

A abertura de A Bolha não tem absolutamente nada a ver com um filme de terror e até acaba se transformando em um anticlímax, trazendo como música tema uma espécie de surf music bem anos 50. Mas o pior é que ela é bem divertida. Olha só que legalzinha a letra de Beware of the Blob de Burt Bacharach:

Beware of the Blob, it creeps

And leaps and glides and slides

Across the floor

Right trough the door

And all around the wall

A splotch, a blotch

Be careful of the Blob

Dá para ver a abertura completa, com seu visual hipnótico e a canção tema Beware of the Blob bem aqui. E essa letra da música resume muito bem o que se esperar da criatura alienígena pegajosa e rastejante do filme e todas as peripécias que essa massa disforme é capaz de fazer. E se você já assistiu ao remake oitentista, a origem é a mesma. A geleia vem dentro de um meteorito que cai em uma fazenda no interior dos EUA, e é encontrada por um velho e seu cachorro. Cutucando a forma translúcida com uma vareta, ela gruda na mão do senhor e começa a consumir o braço do pobre coitado.

Até ele ser resgatado por Steve Andrews, papel de McQueen e sua namoradinha virginal Jane Martin (Aneta Corsaut), que estavam dando uns amassos castos no carro e veem uma estrela cadente, que na verdade é o tal meteorito, e resolvem tentar descobrir onde ela caiu. Steve leva o velho até o Dr. T. Hallen, que desconhece o que pode ser aquilo. A bolha faz então sua segunda vítima e vai aumentando de tamanho, fugindo para a cidade para espalhar o terror gelatinoso.

Juventude transviada

Juventude transviada

A polícia local não acredita na história contada por Steve e Jane, que procuram os demais “adolescentes” rebeldes da cidade para investigarem o paradeiro da bolha, até que eles a encontram na loja de conveniência do pai de Steve, e só conseguem se salvar por se esconderem no frigorífico, e descobrirem que o alienígena gosmento não tolera o frio extremo. Em sua escalada de morte, a Bolha ainda ataca um cinema, o Colonial Theater, em que está sendo exibido Daughter of Horror, filme de 1953 dirigido por John Parker, (que está sendo projetado quando Steve adentra o cinema para pedir ajuda aos amigos) e My Son, the Vampire, este estrelado por Bela Lugosi. Sem precedentes a cena em que a bolha se esgueira pelo duto de ar para devorar o projetor e depois cai pelas janelas da sala de exibição, provocando uma fuga histérica em massa do local.

Por fim, Steve, Jane e seu irmãozinho pentelho que foi atrás dela, que você até torce que morra secretado pela gosma alienígena, estão encurralados em uma lanchonete que a bolha, agora com proporções gigantescas, está assimilando, quando através do uso do CO2 provenientes de extintores, toda a população congela a criatura, à espera de que o exército americano leve-a para o ártico, onde ficará para sempre confinada no frio, ou até que o degelo e o aquecimento global a tire de lá, já que no final do filme, após o fatídico letreiro de FIM, aparece um sinistro ponto de interrogação.

O grande inimigo de A Bolha no entanto é a passagem dos anos. Aposto R$ 10 que você, assim como eu, assistiu primeiro A Bolha Assassina de 1988, então assistir a versão feita trinta anos depois, com toda aquela inocência, climão e principalmente ritmo característicos da década de 50, deixa muito a desejar. Não é nenhum demérito, mas acontece que o que ocorre com A Bolha foi exatamente a mesma coisa de outros sci-fi dos anos 50 que ganharam suas refilmagens três décadas depois, como, por exemplo, A Mosca, remake de A Mosca da Cabeça Branca e O Enigma de Outro Mundo, remake de O Monstro do Ártico. Todos eles são viscerais, violentos e com doses cavalares de sangue e nojeira, algo que seus originais definitivamente não tinham.

Mas isso não tira o fato de que A Bolha é um cult definitivo e muito menos a sua importância para o gênero, tornando-o obrigatório para os fãs. E para finalizar, por sorte, também fomos agraciados com a desistência do roqueiro metido a diretor Rob Zombie em fazer um re-remake do filme. Pegando Halloween – O Início como base, já dava para imaginar que mais um clássico seria assassinado por Zombie.

Bolhas também vão ao cinema!

Bolhas também vão ao cinema!



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] de Outro Mundo (O Monstro do Ártico), A Mosca (A Mosca da Cabeça Branca) e A Bolha Assassina (A Bolha). Viagem Maldita é mais um que entra nessa seleta lista, remake do clássico de Wes Craven, […]

  2. […] 1958, Irwin S. Yeaworth dirigia um clássico da ficção científica, A Bolha, com Steve McQueen no papel principal. Trinta anos depois, o diretor Chuck Russell, que estreara na […]

  3. Paulo Gueiral disse:

    Steve era um adolescente c 28 anos hehehehehehe

  4. […] para dois dos principais filmes de sci-fi do período: O Monstro da Bomba H, de Ishirô Honda e A Bolha, de Irvin S. Yeaworth, com Steve McQueen no elenco, ambos lançados no ano de […]

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