111 – The Trollenberg Terror (1958)

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The Trollenberg Terror / The Crawling Eye


1958 / Reino Unido / P&B / 82 min / Direção: Quentin Lawrence / Roteiro: Jimmy Sangster, Peter Jey (história) / Produção: Robert S. Baker, Monty Berman / Elenco: Forrest Tucker, Laurence Payne, Jennifer Jayne, Janet Munro, Warren Mitchell


 

“No one has lived to tell. Who’s seen the crawling eye?” Já ouviu a música dos Misfits? Pois bem, ela é inspirada no título americano desse obscuro e excelente terror sci-fi inglês: The Trollenberg Terror, ou The Crawling Eye, nome que ganhou nos Estados Unidos, se você preferir.

The Trollenberg Terror, que não ganhou título em português, é um daqueles filmes que lembram O Cérebro do Planeta Arous, por exemplo: Vilões espaciais completamente toscos, mas que não deixam de ser adoráveis para os fãs do gênero. Mas a diferença nesta produção é que apesar do visual bisonho da criatura, o roteiro é bastante macabro, criando um clímax deveras assustador envolvendo alpinistas decapitados, cientistas, possessões e uma garota telepata.

Ao bem da verdade, as produções inglesas da época de longe conseguiam superar o que vinha sendo feito pelos seus colonos americanos. Enquanto nos EUA a tecla da guerra fria, medo nuclear, insetos gigantes, metáforas da invasão comunista alardeada pelo Macarthismo imperavam, aqui em The Trollenberg Terror, assim como as produções de ficção da Hammer como Terror que Mata e X, O Monstro Desconhecido, ou mesmo O Horror Vem do Espaço, também traziam o tema invasão alienígena e radioatividade, porém de uma forma mais sinistra e com conteúdo de muito mais suspense e violência gráfica, mesmo que comedida.

Aqui em The Trollenberg Terror, até ficamos chocados ao ver um corpo decapitado encontrado no chão de uma cabana, ou depois uma cabeça dentro de uma mochila de alpinismo. Porque até então, tirando A Maldição de Frankenstein e O Vampiro da Noite, também da Hammer, estamos nada acostumados a ver esse tipo de material explícito nos filmes de terror da década de 50.

O olho que tudo vê!

O olho que tudo vê!

Na trama, duas irmãs, Sarah e Anne Pilgrim (sem nenhum parentesco com o Scott, RÁ!) estão viajando de trem pela Suíça, na mesma cabine que Alan Brooks, quando misteriosamente Anne, que na verdade possui poderes cognitivos, é compelida a desembarcar na cidade turística de Trollenberg no sopé da montanha de mesmo nome, amplamente procurada por alpinistas. Montanha essa que havia causado a recente morte de um alpinista que foi encontrado sem a cabeça, logo na cena de abertura do longa. Todos se hospedam no principal hotel da cidade, assim como Phillip Truscott, personagem que mais tarde se revela um jornalista.

Brooks estava à caminho da cidade para se encontrar com o Prof. Crevett, cientista que estuda um estranho fenômeno na montanha desde um observatório que só pode ser acessado por teleférico. O estranho fenômeno é a presença de uma nuvem radioativa misteriosa que fica estática no cume de Trollenberg, exatamente da mesma forma que uma outra nuvem havia sido estudada pelos dois nos Andes, há algum tempo.

Dois alpinistas experientes, Brett e Dewhurst resolvem escalar a montanha. Devido ao mau tempo, decidem por esperar em uma cabana para continuar sua escalada no dia seguinte. Enquanto isso, Anne dá um demonstração do seu dom telepático para alguns poucos convidados no saguão do hotel, quando ela começa a testemunhar um acontecimento dentro da cabana. Brett resolve sair e desaparece, deixando a todos preocupados, inclusive Brooks e Crevett que confirmaram a visão de Anne, ao telefonar para Dewhurst, que afirma que Brett saiu pela montanha sozinho em plena noite.

Pois bem, Dewhurts é atacado pela misteriosa nuvem e também perde a cabeça, encontrado por uma equipe de resgate liderado por Brooks no dia seguinte. Com Brett ainda desaparecido, outros dois alpinistas vão à sua procura e encontram o rapaz possuído por alguma maligna entidade que vive dentro da nuvem, matando os dois homens com sua picareta. Brett desce de volta ao hotel, completamente transtornado e sem o controle das suas capacidades motoras, e ao ver Anne, que percebe que há algo errado com ele, tenta matá-la, atacando-a com uma faca. Brooks e Crevett então associam o caso com outro idêntico que aconteceu nos Andes, quando um morador do vilarejo voltou das montanhas com os mesmos sintomas e tentou matar uma mulher com os mesmos poderes mentais que Anne.

Imagine com terçol?

Imagine um destes com terçol?

Quando a nuvem começa a descer para o hotel, Brooks comanda uma retirada de todos os moradores de Trollenberg em direção ao observatório. Só que uma garotinha pentelha perde a bola e não sobe junto com os outros, e fica à mercê do absurdo vilão do filme. Aqui, depois de uma hora de projeção que vimos pela primeira vez o tal crawling eye, criatura alienígena que parece um polvo, com enormes tentáculos e um único olho gigante no centro de uma formação esponjosa e translúcida. Você não vai estar preparado para ver o olho. Todo o clima de suspense e terror meticulosamente bem trabalhado até então aqui vai por água a baixo quando a criatura ridícula dá as caras.

A estranha forma alienígena que se camufla nas nuvens divide-se então em outras cinco, que passam a atacar o complexo do observatório. Como eles sempre viveram em temperaturas baixíssimas e no interior da nuvem beira ao congelamento, o grupo de cientistas, junto com Phillip e as irmãs Pilgrim, com Anne ainda sobre forte influência da sugestão mental da criatura, precisa resistir à investida dos monstros, apelando para coquetéis molotov e esperando que a aeronáutica apareça para explodir bombas incendiárias que darão cabo dos alienígenas, que são vulneráveis ao fogo e altas temperaturas.

É impossível não se apaixonar por The Trollenberg Terror, ainda mais se você é fã da mistura de terror com sci-fi e adora ver essas criaturas patéticas e toscas na telona. Os efeitos especiais criados por Les Bowie (também sem nenhum parentesco com David) podem até ter impressionado na época, mas como a grande maioria dos filmes da década, sofreu demais com a passagem do tempo. Mas isso não impediu a elevação desse filme ao status de cult. Muito pelo contrário. É exatamente o visual dos olhos alienígenas esponjosos com tentáculos que fizeram The Trollenberg Terror se tornar o que é e adorado por nós, aficionados por bagaceiras.

Olhar julgador

Olhar 43


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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] Monstro Radioativo; A Maldição de Frankenstein e O Vampiro da Noite, isso sem esquecer do obscuro The Trollenberg Terror e do ótimo e gosmento O Horror Vem do Espaço, do diretor Arthur […]

  2. Joelmo disse:

    Está sem o link.

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