113 – A Vingança de Frankenstein (1958)

revenge_of_frankenstein_poster_01


The Revenge of Frankenstein


1958 / Reino Unido / 89 min / Direção: Terence Fisher / Roteiro: Jimmy Sangster / Produção: Anthony Hinds; Anthony Nelson-Keyes (Produtor Associado); Michael Carreras (Produtor Executivo) / Elenco: Peter Cushing, Francis Matthews, Eunice Gayson, Michael Gwyn, John Welsh


 

Após os sucessos de A Maldição de Frankesntein e O Vampiro de Noite, o estúdio britânico Hammer escreveu seu nome para sempre seu lugar na história do horror, transportando para o cinema colorido os monstros clássicos que outrora pertenceram à Universal, elevando claramente o nível das produções e imprimindo características únicas e peculiares que seriam marcas registradas do estúdio.

A Vingança de Frankenstein vem para consolidar a franquia da Hammer, trazendo de volta o galante Peter Cushing no papel principal, e idealizado pelo mesmo time dos outros dois êxitos do estúdio: O hábil Terence Fisher na direção e Jimmy Sangster como roteirista, além do produtor Anthony Hinds e produção executiva de Michael Carreras. A continuação foi lançada um ano depois de A Maldição de Frankenstein, que ainda trazia Christopher Lee como o monstro (ele não volta nessa sequência). Uma das grandes curiosidades da Hammer é que as suas sequências nem sempre traziam coerência com os filmes anteriores, privilegiando muito mais a liberdade em seus roteiros.

Por isso, fatos ocorridos no filme anterior não encontra continuidade ou respaldo em A Vingança de Frankenstein. O que vemos aqui é uma história completamente original, apenas baseada pelo personagem Victor Frankenstein, criado pela escritora Mary Shelley e reprisado por Cushing, que será o fio condutor de todas as continuações da franquia. Frankenstein escapa da guilhotina, o qual havia sido condenado pela prática ilegal de medicina, roubo e mutilação de cadáver e assassinato, graças a sua fracassada experiência anterior.

Ele volta a praticar medicina na cidade de Carlsbrug, adotando o criativo nome de Dr. Victor Stein (sério?), levantando suspeitas da aristocrata e enciumada comunidade médica local por não se juntar a eles e por atender no hospital público todos os pobres e necessitados. Mas claro que não é uma altitude altruísta e benevolente do Dr. Frankenstein. Na verdade o hospital público com todos seus indigentes é o local perfeito para ele dar continuidade em suas experiências bizarras em brincar com o corpo humano como se fosse partes de Lego e dar vida a uma criatura através da ciência.

Até que esse monstro não está tão ruim assim, vai?

Até que esse monstro não está tão ruim assim, vai?

O Dr. Hans Kleve acaba descobrindo a verdadeira identidade do Dr. Stein, e torna-se então seu ajudante, trocando o vasto conhecimento do cientista pelo seu silêncio, além de auxiliá-lo nos seus experimentos. Experimento este que irá acontecer com o pobre Karl Immelmann, que sofre de paralisia cerebral do lado direito do corpo, e voluntaria-se para ser objeto de teste e ter seu cérebro transplantado para um corpo saudável construído por Frankenstein.

A experiência relativamente dá certo, até Karl conseguir escapar e começar a enlouquecer, cometendo terríveis atos violentos e assassinato, principalmente quando sua doença começa a atacá-lo novamente, até cair morto, não antes de revelar ao mundo a verdadeira identidade do Barão Frankenstein. Ele e Kleve ainda tentam, sem sucesso, ludibriar a comissão médica, mas Frankenstein é linchado por todos seus pacientes do hospital público, até ficar entre a vida e a morte, salvo por Kleve que realiza uma arriscada operação transplantando o cérebro do cientista para outro corpo.

Mais uma vez a atuação de Cushing é irretocável. Por isso ele é um dos melhores e mais queridos astros do cinema de terror. Michael Gwynn, que vive Karl Immelman também tem uma interpretação ótima como o monstro da vez, em todas as suas facetas, desde a dor do pós operatório, a felicidade em ter um corpo novo funcional, até sua degeneração física, mais um excelente trabalho de maquiagem de Phillip Leakey (também responsáveis por outros clássicos da Hammer), e surgimentos dos instintos assassinos e até canibais (como a cena em que ele saliva ao ver o corpo de sua primeira vítima no chão) que começam a tomar conta de seu ser.

O final de A Vingança de Frankenstein é incrível, sendo um dos primeiros finais realmente abertos de uma franquia de terror até então, mostrando Frankenstein, ou melhor, agora Dr. Frank (sério, ele deveria começar a ser mais criativo com seus nomes falsos) e Kleve, no epílogo, em Londres, prontos para continuar suas pavorosas experiências, com uma deixa escancarada para uma nova continuação.

O abominável Dr. Frankenstein

O abominável Dr. Frankenstein



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] praticamente nenhuma cronologia com relação aos seus antecessores. Se nos lembrarmos bem, A Vingança de Frankenstein, de 1959, termina com o Dr. Frankenstein fazendo uma cirurgia plástica para conseguir fugir e […]

  2. […] Terence Fisher à série (responsável pelos dois primeiros filmes, A Maldição de Frankenstein e A Vingança de Frankenstein), Peter Cushing mais uma vez vive o papel do Barão Frankenstein, dessa vez com suas malucas […]

  3. […] de Frankenstein, fez operações de cirurgia plástica e transplantes de cérebro mal sucedidos em A Vingança de Frankenstein e Frankenstein tem que ser Destruído e até já realizou uma operação de “troca de sexo” por […]

  4. […] meados de 58 nos cinemas yankees, chegou a ser exibido em double features com outro filme inglês, A Vingança de Frankenstein, do famoso estúdio Hammer, com Peter Cushing no […]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *