115 – O Ataque dos Roedores (1959)

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The Killer Shrews 


1959 / EUA / P&B / 69 min / Direção: Ray Kellogg / Roteiro: Jay Simms / Produção: Ken Curtis, Gordon McLendon (Produtor Executivo – não creditado) / Elenco: James Best, Ingrid Goude, Ken Curtis, Gordon McLendon, Baruch Lumet


 

O título original de O Ataque dos Roedores é The Killer Shrews. A tradução literal seria Os Musaranhos Assassinos. Você sabe o que é um musaranho? Esse bichinho aqui é o musaranho, o menor mamífero do mundo. Só que o pequeno roedor é extremamente voraz, come mais que um elefante, seu metabolismo é tão rápido quanto o de um beija-flor, e ainda tem veneno em suas presas.

Agora imagine um filme onde na trama, musaranhos gigantes, geneticamente alterados, são assassinos e encurralam um grupo de pessoas em uma cabana, em uma ilha deserta. Agora como se não bastasse a criatividade ímpar, imagine que esses musaranhos são interpretados por cachorros! Isso mesmo, cachorros fantasiados de roedores com pelos, máscara e rabo de rato!!! Acho que é o cúmulo que o cinema bagaceira conseguiu chegar.

Assim, seus olhos não estão preparados para ver essa preciosidade. Normal vermos cães atuarem no cinema. Olhem só o grande ator que é Rin-Tin-Tin, mas cães fantasiados de ratos gigantes que ficam escavando a terra, roendo as paredes da cabana e atacando seres humanos? Porra, não poderia fazer um filme sobre cães assassinos, então? Sério, é até chocante essa podreira. E como surgiram essas terríveis criaturas mutantes?

Bom, o capitão Thorne Sherman chega até uma ilha inóspita para trazer mantimentos para o seleto grupo de moradores do local, um bando de cientistas que está desenvolvendo um projeto secreto. Esse projeto, chefiado pelo Dr. Marlowe Craigis em conjunto com o Dr. Radford Baines (interpretado pelo produtor executivo do filme – não creditado – Gordon McLendon) visa acabar com a fome do mundo, temendo a iminente superpopulação do planeta (mais ou menos como o enredo de Tarântula, sabe?). Só que a ideia genial, excepcional, merecedora de um prêmio Nobel, é reduzir as pessoas de tamanho, pois assim, a humanidade comeria menos. Como ninguém pensou nisso antes ou ainda não colocou essa ideia em prática?

Os melhores amigos do homem

Os melhores amigos do homem

Enfim, para estudar uma forma de diminuir os seres humanos sem afetar nosso metabolismo, o animal escolhido foi justamente o musaranho. Só que a experiência dá miseravelmente errado e os musaranhos então cresceram demasiadamente e estão rondando a casa, procurando saciar sua incontrolável fome. Fora que eles têm a mordida venenosa também, não podemos nos esquecer. Segue-se então uma luta do pequeno grupo, incluindo aí a filha do Dr. Craigis, Ann e o salafrário Jerry Farrel, o “vilão” humano do filme (interpretado pelo produtor Ken Curtis – PS: um filme que tem o orçamento tão baixo onde os dois produtores fazem papeis chave no filme é porque a coisa é BEM feia), pelas suas vidas, enquanto os demais vão sendo mortos, aumentando a contagem de corpos.

A solução final para eles fugirem em segurança pela ilha e chegar até o navio atracado de Thorne também é emblemática. Eles criam armaduras improvisadas com grandes barris de óleo, onde entram por debaixo deles e vão caminhando até a praia.  Tony Stark morreria de inveja! Mas nenhuma tosqueira do filme vai superar os cães-musaranhos ladrando (sim, é tão podre que eles ladram mesmo como cães) para suas futuras presas.

Mas sabe o que é realmente o pior de tudo? Que a droga do filme é bem conduzido até sua metade. É até vergonhoso admitir, mas o diretor Ray Kellog consegue criar um bom clima de suspense, primeiramente com a desconfiança de Thorne de que alguma coisa muito errada está acontecendo, até por conta do pavor da mocinha e urgência em ir embora. Além da ideia dos personagens estarem isolados naquela cabana, sem nenhuma comunicação com o mundo, cercado por criaturas assassinas mutantes, e tentar resistir para que eles não entrem e acabem com a raça de todo mundo lá dentro, fora os conflitos de interesse e nervos exaltados que o cárcere forçado faz surgir. É tipo uma versão roedora de A Noite dos Mortos-Vivos, feita quase 10 anos antes. Mas aí depois os cachorros fantasiados aparecem e tudo é posto a perder!

Assista O Ataque dos Roedores. Não há como descrever a experiência, sério. É só isso que tenho a dizer. E por incrível que pareça esse filme foi lançado no Brasil pela Flashstar, e ainda em versão colorizada.

Isso é um musaranho? Ah, tá bom...

Isso é um musaranho? Ah, tá bom…

Assista ao episódio do videocast do 101 Horror Movies comentando O Ataque dos Roedores:


O filme é de domínio público. Dá para fazer o download aqui


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] começo de conversa, os realizadores dessa façanha cinematográfica são os mesmo de O Ataque dos Roedores. O diretor Ray Kellog, o roteirista Jay Simms, os produtores Ken Curtis e Gordon McLendon. Então […]

  2. […] mas até aí usar um cachorro para simular um lobo, é ruim de doer. Na hora me lembrou do infame O Ataque dos Roedores, onde cães foram usados para atuarem como musaranhos […]

  3. […] Leia a minha resenha sobre O Ataque dos Roedores aqui. […]

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