132 – A Loja dos Horrores (1960)

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The Little Shop of Horrors


1960 / EUA / P&B / 72 min / Direção: Roger Corman / Roteiro: Charles B. Griffith / Produção: Roger Corman / Elenco: Jonathan Haze, Jackie Joseph, Mel Welles, Dick Miller, Myrtle Vail


 A Loja dos Horrores é um clássico do humor negro, mórbido, escrachado, trash até dizer chega, mas brilhantemente dirigido por Roger Corman, que apesar da pecha de Rei dos Filmes B, tem uma direção digníssima, que em certos momentos me lembrou até o expressionismo alemão, por conta da bela fotografia preta e branca e certas composições de cena.

A fita foi feita em tempo recorde, filmada em apenas DOIS dias (!!!??), por Corman para a American International Pictures. Apesar da precariedade dos efeitos especiais, principalmente da planta carnívora, a economia em cenários, as situações inverossímeis e as atuações propositadamente exageradas, o roteiro escrito pelo comparsa de Corman em diversas produções, Charles B. Griffith, é afiado, repleto de sacadas inteligentes e humor mordaz, além da direção de atores feita pelo carismático diretor estar no ponto certo.

Tirando o trio principal, o loser floricultor aspirante a botânico com uma mãe alcoólatra, Seymour Krelboin (Jonathan Haze), o dono da floricultura, Gravis Mushnik (Mel Welles) e sua jovem filha e paixonite de Seymour, Audrey Fulquard (Jackie Joseph), há participações especiais realmente impagáveis em A Loja dos Horrores. Entre elas Dick Miller, que fez vários filmes de Corman e do seu discípulo, Joe Dante, entre eles Gremlins e Piranha, que vive Burson Funch, um comedor compulsivo de flores e Jack Nicholson, em um dos seus primeiros papeis da carreira, como um masoquista paciente de um dentista sádico, que acaba sendo “tratado” por Seymour e tem quase todos seus dentes arrancados. Hilário.

Eu vejo flores em você

Eu vejo flores em você

Bom, a floricultura Mushnik fica no bairro pobre de Skid Row, e sempre há uma clientela maluca frequentando o local, como uma velha viciada em funerais, cujos parentes morrem todos os dias praticamente e duas garotas adolescentes com vozes irritantes que sempre querem flores para os eventos escolares. A loja não faz lá muito sucesso e dinheiro, muito por conta das trapalhadas de Seymour, que preste a perder o emprego, cria uma planta esquisitíssima, através do cruzamento de outras duas, batizada de Audrey Junior, em homenagem à filha do dono da floricultura pelo qual é apaixonado, que é uma espécie de planta carnívora mutante.

Todas as tentativas de manter a plantinha saudável são mal sucedidas, quando acidentalmente Seymour descobre que a planta se alimenta de sangue, e só assim ela consegue se desenvolver, crescer e ficar saudável. Além disso, pasmem, a planta fala!!! Todo momento ela fica pedindo mais comida (Feed me!!! Feed me!!! – impagável) e quando Seymour perde muito sangue e não consegue mais alimentar o vegetal carnívoro, ele involuntariamente provoca a morte de um bêbado e dá de comer para a planta, que vai cada vez ficando maior, e com o seu apetite insaciável proporcional ao seu tamanho.

Enquanto isso a planta se tornou o maior sucesso da floricultura, atraindo diversos clientes por sua aparência exótica e os negócios começam a ir muito bem para Mushnik, aumentando a autoconfiança de Seymour e fazendo surgir o fogo da paixão (bonito isso, não é?) entre ele e Audrey, além de outras periguetes de época começarem a dar em cima do desajeitado. Audrey Junior chega até a chamar a atenção da Sociedade dos Observadores Silenciosos de Flores, que envia uma representante da Califórnia com o intuito de premiar o criador da planta com um troféu.

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Chame o jardineiro!

Só que obviamente as coisas vão sair do controle, e mais gente vai morrendo no decorrer da história, entre eles uma bela prostituta e o tal dentista sádico, somente para o desafortunado Seymour alimentar sua planta, entrando cada vez mais num beco sem saída e virando um escravo de Audrey Junior, que implora cada vez mais por comida. Estes misteriosos desaparecimentos passam a chamar a atenção de dois detetives da polícia, o Sargento Joe Fink (também narrador do filme) e o detetive Frank Stoolie, que começam a investigar as mortes.

Até que em seu clímax, Seymour esperando colher os louros da vitória no dia da premiação, é descoberto exatamente quando a planta desabrocha várias flores, e nelas ridiculamente estão os rostos de todos os desparecidos até então que serviram de adubo pra Audrey Junior. Depois de uma patética perseguição policial, ao melhor estilo Os Trapalhões, o derradeiro desfecho. ALERTA DE SPOILER: Seymour, cansado de fugir e do controle da planta, tenta destruí-la, mas em vão, pois ele acaba se tornando sua nova vítima, devorado e transformado também em uma flor como os outros.

Eu conheci primeiramente o malfadado remake de 1986, A Pequena Loja dos Horrores, ao assistir quando criança em VHS. Musical (que achei chatíssimo na época e nunca o revi até hoje), dirigido por Frank Oz e com Rick Moranis no papel principal. E é engraçado atestar a estranha qualidade de um filme que não foi feito para ter qualidade nenhuma, assim como a maioria das produções de Corman. E A Loja dos Horrores é um grande exemplo que o diretor não se resume a um descobridor de talentos e fazedor de filmes com dinheiro de pinga e tempo recorde. É um verdadeiro (e injustiçado) gênio da sétima arte.

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Feed me!!!



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] próprio Roger Corman já nos brindou com algumas deliciosas comédias de humor negro, como o cult A Loja dos Horrores. Mas aqui, perto do requinte das outras produções anteriores (e futuras) o caminho do escracho em […]

  2. […] pontiagudos, que parecem uma mistura de um pepino do mar com planta carnívora (ao melhor estilo A Loja dos Horrores), criado por John Dodds, e suas larvinhas que parecem girinos anabolizados são extremamente […]

  3. […] com O Iluminado. Continuando a tonelada de referências, a planta carnívora ao melhor estilo A Loja dos Horrores de Roger Corman acaba atacando o botânico, em uma cena antológica da podreira trash brasileira, […]

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