134 – As Noivas de Drácula (1960)

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The Brides of Dracula


1960 / Reino Unido / 85 min / Direção: Terence Fisher / Roteiro: Peter Bryan, Edward Percy, Jimmy Sangster, Anthony Hinds (não creditado) / Produção: Anthony Hinds, Anthony Nelson-Keyes (Produtor Associado), Michael Carreras (Produtor Executivo) / Elenco: Peter Cushing, Martita Hunt, Yvonne Monlaur, Freda Jackson, David Peel, Miles Malleson


As Noivas de Drácula (também lançado no Brasil em DVD como As Noivas do Vampiro) é a continuação da Hammer para seu sucesso de 1958, O Vampiro da Noite, primeira empreitada do estúdio britânico no universo de Drácula, inspirado no livro de Bram Stoker, trazendo Christopher Lee no papel do Conde e Peter Cushing como o intrépido caçador de vampiros, Van Helsing. E a grandessíssima falha deste filme aqui é exatamente o fato de Lee não voltar a vestir a capa e presas.

Há duas histórias sobre a não participação de Lee no elenco do filme. Uma diz que ele recusou o papel para não ficar estigmatizado como Drácula futuramente. Bom, isso podemos dizer que não serviu de muita coisa. A outra é que na verdade o cachê dele era muito alto para a produção e o estúdio acabou vetando-o. E mesmo com todo o carisma de Cushing, o filme acaba não se sustentando, e o Barão Meinster, o vampiro loiro almofadinha interpretado por David Peel por aqui, não convence ninguém.

Mas uma coisa interessante é notarmos alguma evolução já nesta sequência com relação ao seu antecessor, principalmente tratando-se dos efeitos especiais, a maquiagem dos vampiros, com seus longos caninos afiados e peles esbranquiçadas, o sangue sempre vermelho vivo e abundante (na medida do possível e claro) e no clássico morcego de borracha voando de um lado para o outro, manipulado por fios. Mas o roteiro escrito à oito mãos, por Jimmy Sangster (roteirista do original), Peter Bryan e Edward Percy e Anthony Hinds é bem fraquinho, uma confusão dos diabos e com mais furos que um queijo suíço.

Legal mesmo é ver todo aquele padrão Hammer de costume, com o uso de carruagem, excelente figurino de época, mulheres lindas e lascivas, penumbra, cemitérios esfumaçados, um vilarejo aterrorizado e moradores incautos e supersticiosos. E também mais uma vez Terence Fisher faz um excelente trabalho na direção, com algumas sequências muito bem executadas, como a ressureição das tais noivas vampirescas, saindo de suas tumbas, ou a luta final entre bem e mal em um moinho de vento, inclusive a forma como se procede a derrota do vampiro.

Vá de retro!!!

Vá de retro!!!

Na trama, a professora de francês e bons costumes Marianne Danielle (Yvonne Monlaur) viaja pela Transilvânia até a escola onde irá lecionar e é largada em uma estalagem pelo cocheiro, pois estava anoitecendo e sabe como é… Ela é acolhida pela solícita Baronesa Meinster (Martita Hunt) e levada para o seu suntuoso castelo para passar a noite como convidada, onde mantém seu filho em cárcere privado, alegando que ele sofre de uma terrível doença mental. Balela. Ele é um vampiro sanguinário e sua mãe o deixa trancafiado para proteger o mundo de sua maldade. Mas a tonta da Marianne é ludibriada pelo charme do morto-vivo e o liberta da prisão. O vampirão primeiro vai transformar sua velha mãe por simples vingança, e depois sai por aí chupando o sangue e mordiscando o pescoço das virginais garotas da cidadela, que voltam à vida como concubinas das trevas.

Cabe então ao destemido Van Helsing caçar essas criaturas amaldiçoadas e utilizar todas as técnicas que aprendeu durante suas andanças pela Europa, e impedir que a pobre Marianne case com o barão vampiro e sucumba como sua próxima vítima. É bem verdade que Van Helsing dá um monte de cabaçada para destruir esses vampiros, não segue nem seus próprios conselhos e por pouco não vira um deles, quando o Barão Meinster o ataca e suga seu sangue. Mas aí os roteiristas inventam uma esdrúxula cura, onde ele cauteriza o furo no pescoço com brasa quente e fica tudo numa boa. Outra cena dantesca é quando eles estão de guarda próximo de um dos caixões da vítima, e do nada, um pesado cadeado que mantinha a morta em seu devido lugar, cai do caixão sem nem ao menos se abrir.

E cadê o Drácula? Isso que você me pergunta. Não sei. Ele é apenas citado de relance nesta história para fazer um paralelo com O Vampiro da Noite. Juro que não entendo o título do filme. Mas ótimo, porque Drácula da Hammer mesmo, só Christopher Lee, e o tal David Peel nunca chegaria aos pés do mestre. Mas diferente das pífias sequências de Drácula da Universal, onde nenhuma prestou, aqui a coisa muda de figura com as próximas seis sequências, tendo algumas bastante interessantes, incluindo o Drácula – O Príncipe das Trevas (o melhor da franquia) e o sanguinário O Conde Drácula de 1970. Nota do blogueiro: E nunca podemos esquecer do fantástico título que Dracula AD ganhou no Brasil: Drácula no Mundo da Minissaia.

Resumo da ópera: As Noivas de Drácula é um filme para fã e claro que como sendo uma sequência oficial da Hammer, estaria definitivamente nesta lista. Mas chega até a ser dispensável, na verdade. Se não tivesse Peter Cushing pelo menos, que salva a pátria, seria perda de tempo assistir.

Rameiras do inferno!

Rameiras do inferno!


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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] terceiro filma da franquia,  mas outra vez o resultado fico aquém do esperado, como aconteceu com As Noivas de Drácula, que pelo menos, ainda se prestava a ter Peter Cushing no elenco, refazendo o papel do Prof. Van […]

  2. […] reunida, depois de duas cabeçadas da própria Hammer na mitologia vampiresca, com os fraquinhos As Noivas de Drácula e O Beijo do Vampiro, sem Christopher Lee no elenco. Terence Fisher volta à direção, Jimmy […]

  3. […] já estava entrando em franca decadência. Até então, é o filme mais fraco da série (sem contar As Noivas de Drácula, onde Lee sequer dá as […]

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