791 – Um Lobisomem na Amazônia (2005)

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2005 / Brasil / 76 min / Direção: Ivan Cardodo / Roteiro: Rubens Francisco Luchetti (baseado no livro de Gastão Cruls) / Produção: Diler Trindade; Daniel Lion, Clara Machado, Madge Miranda (Assistentes de Produção); Wilson Borges (Produtor Associado); Telmo Maia (Produtor Executivo) / Elenco: Daniele Winitts, Karina Bacchi, Tania Boscoli, Bruno de Lucca, Orlando Drumond, Sidney Magal, Nuno Leal Maia, Evandro Mesquita, Paul Nascy


Depois de Londres e Paris, foi a vez de nossa Floresta Amazônica, pulmão do mundo, patrimônio tupiniquim, ser visitado por um licantropo no cinema, só que não um americano, e sim, um espanhol, e talvez o mais célebre lobisomem do cinema trasheira. E ah, tudo isso em uma produção de Ivan Cardoso, o mestre e pai do terrrir.

Concluindo sua trilogia dos monstros clássicos, depois de O Segredo da Múmia e As Sete Vampiras (esse último lançado em 1986), Cardoso resolve usar todo seu dom para a bagaceira nacional sem vergonha em Um Lobisomem na Amazônia, um filme que não se leva a princípio desde o início, e por incrível que pareça, é uma deliciosa paródia e homenagem ao cinema de terror, com uma cacetada de referência para os fãs do gênero (volto a isso no decorrer do texto).

Um Lobisomem na Amazônia é uma salada de frutas de clichês e absurdos, que envolve um cientista louco, um grupo de jovens em perigo perdidos na mata, que só querem saber de transar e tomar o Santo Daime, lobisomem, amazonas, e ainda por cima tem Nuno Leal Maia, Tony Tornado, Sindey Magal e o Seu Peru no elenco. Claro, além da lenda, Paul Naschy, codinome de Jacinto Molina Álvares, o famoso Waldermar Daninsky, o lobisomem espanhol!

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É pra ungir de pé!

Gravado no Rio de Janeiro, emulando safadamente a Floresta Amazônica (como se Cardoso fosse se importar com isso), com roteiro de outra legenda do cinema de terror nacional, Rubens Francisco Luchetti, com colaboração de Flávio de Souza e de Evandro “Você não soube me amar” Mesquita, baseado no livro de Gastão Cruls chamado “Amazônia Misteriosa” (inspirado em “A Ilha do Dr. Moreau”, de H.G. Wells), lançado em 1925, a fita é uma tranqueira daquelas que só o nosso varonil cinema nacional poderia produzir.

Em uma época que o gênero no país estava largado às traças, antes da “retomada” orquestrada pelos novos cineastas como Rodrigo Aragão, Joel Caetano, Petter Baiestorf, Tiago Belotti e cia limitada, todos filhos de Mojica, e porque não, de Cardoso, o longa pega as mesmas características narrativas das produções baixo nível anteriores do diretor, claro, atualizando para o novo século, mas com a mesma cara de pau, insinuações sexuais, breguices e piadas de gosto duvidoso.

A trama sem pé nem cabeça traz um grupo de jovens, no qual estão inclusos Danielle Winits (que tem uma cena de nudez no chuveiro que homenageia Psicose, mas muuuuuito melhor, se você me entende – desculpe aí Janet Leigh e Hitchcock), Karina Bacchi pré piercing genital na capa da Playboy e Bruno de Lucca, que quer ir para o meio da Amazônia chapar de ayahuasca, e são conduzidos pelo guia de turismo, Jean Pierre, ou somente JP, vivido por Mesquita.

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Êta que beleza esse cinema nacional!

Só que o local é palco de uma série de mortes estranhas, onde corpos aparecem dilacerados por algum grande animal, o que faz com que o Secretário de Segurança Pública, vivido por Orlando Drummond, o Seu Peru da Escolinha do Professor Raimundo e eterna voz do Scooby-Doo, chame a ajuda de um especialista, o zoólogo Prof. Scott Corman (Nuno Leal Maia) – sobrenome devidamente batizado por conta do Rei dos Filmes B, Roger Corman – que também parte para o meio do mato junto do Delegado Barreto, ninguém menos que Tony Tornado.

Na real, o que está rolando por aquelas bandas é que o famigerado Dr. Moreau, aquele mesmo da literatura de Wells, mas que não é nem o Marlon Brandon, nem o Charles Laughton e nem o Burt Lancaster, mas sim Naschy (que também é um lobisomem, só para constar), fugiu para o meio da Floresta Tropical, levando o livros dos experimentos de Joseph Menguele que ele encontrou por aí, para continuar suas experiências genéticas de humanos com animais, e criar um exército de amazonas superpoderosas (???!!!!). Só que a personagem de Winits é uma descendente da rainha amazona, e descobre isso quando na sua viagem psicotrópica ela se depara com um Sacerdote Inca, que é interpretado por Sideny Magal. Tá bom para você?

O espírito é entrar na galhofa que é Um Lobisomem na Amazônia, mas que nas entrelinhas traz essa cacetada de referência ao cinema de terror (tem outra sensacional onde a floresta é chamada de “Inferno Verde”, clara homenagem a Ruggero Deodato) e o visual do lobisomem, além de lembrar as bagaceiras em que Naschy interpreta Waldermar Daninski, também remete a clássica maquiagem de Jack Pierce para Lon Chaney Jr no monstro clássico da Universal. O filme é uma bagaceira, mas dá para se divertir se você entrar no clima “besteirol nacional”.

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Lobisómi


 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. O bom é Evandro Mesquita fazendo o papel de um guia turístico da Amazônia com um sotaque carioca pra lá de carregado.

  2. Matheus L. CARVALHO disse:

    Parece legal.

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