140 – O Vapor Humano (1960)

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Gasu ningen dai ichigo / The Human Vapor


1960 / Japão / 92 min / Direção: Ishirô Honda / Roteiro: Takeshi Kimura / Produção: Tomoyuki Tanaka, Edward L. Alperson (Produtores Executivos) / Elenco: Tatsuya Mihashi, Karou Yachigusa, Yoshio Tsuchiya, Keiko Sata, Yoshifumi Tajima


Ishirô Honda e Eiji Tsubaraya atacam novamente, em mais uma produção sci-fi nipônica para a Toho Studios, a “casa dos monstros” do Japão. Dessa vez, a ameaça de olhos puxados é o terrível Homem de Gás, no clássico, O Vapor Humano, nome que ganhou quando foi exibido na televisão por aqui nos anos 70.

Assim como O Monstro da Bomba H, O Vapor Humano faz parte da legendária trilogia mutante do estúdio, que culminaria em O Ataque dos Homens-Cogumelos de 1963. Honda dirigiria as três películas, assim como o gênio Tsubaraya, que também foi responsável pela criação da família Ultra, cuidaria dos incríveis efeitos especiais. Detalhe que esses dois são “só” os responsáveis por Godzilla (o original), tá?

O tal vapor humano, ou Homem de Gás, como é conhecido no filme é na verdade o bibliotecário Mizuno, que ao se tornar cobaia de testes feitos por um cientista louco, adquire a poderosa habilidade e se tornar etéreo, virando uma nuvem de vapor, gás, ou o que você preferir, e por consequência, virtualmente indestrutível. Como ele não era neto do tio Ben e não conhecia o conceito de que grandes poderes trazem grandes responsabilidades, o Homem de Gás vai partir para o mundo do crime.

Mizuno começa a assaltar bancos e ferir pessoas, apenas para conseguir uma bolada em dinheiro para ajudar sua namoradinha, a dançarina, outrora famosa e agora falida e reclusa, Fujichiyo Kasuga, que é mestre na dança japonesa Nichibu, a voltar aos palcos para um recital que vinha ensaiando há tempos. Alugar um teatro para isso é extremamente caro, e então, Mizuno vai usar esse dinheiro para ver o sonho da moçoila realizado. Claro que ia dar muito na cara gastar toda essa grana para alugar o espaço, e a polícia acaba colocando Kasuga como principal suspeita, ou pelo menos cúmplice, dos assaltos.

Experiência do japonês doido

Experiência do japonês doido

Isso porque o inspetor Kenji Okamoto e sua espevitada namorada, a jornalista Kyoko Kouono, estão investigando, um para a polícia e outra para o jornal onde trabalha, a série de roubos à banco. Rastreada pelas notas usadas para alugar o teatro, a dançarina é presa e é quando, para salvar seu amor do xilindró, Mizuno dá as caras, primeiro convocando a imprensa para assumir a culpa e demonstrar seu incrível poder, depois para a polícia, que sempre tenta capturá-lo, mas em vão, pois ele dá um jeitinho de virar fumaça e sair voando por aí. E todo esse revertério, ele faz por amor, olhe que bonito!!! (a tagline do pôster americano é “It Loves Like a Man“)

É quando sem ter a menor ideia de como parar o Homem de Gás, a polícia recorre ao Dr. Tamiya, que acredita que uma explosão de gás U.M. poderia destruir Mizuno. Não sei o porquê deles não esperam o rapaz ficar na forma gasosa e não apontam um aspirador para ele e sugam-no. Mas deixa para lá. Então uma armadilha é preparada para o recital, já que tanto Mizuno quanto Kasuga decidiram realizar até o final, de qualquer jeito. O mais cômico da apresentação é que toda a plateia, tirando Mizuno, é claro, está lá por conta da aparição do Homem de Gás, e não dando a mínima para as coreografias da dançarina no palco. O público começa até, de forma desrespeitosa, desprestigiar o espetáculo e aporrinhar o Homem de Gás, que está sentado na primeira fila, para que ele dê as caras. Vão se arrepender amargamente depois.

O mais incrível mesmo são os efeitos especiais, vanguardistas ao extremo, desenvolvidos pelo genial Tsubaraya. O desbunde começa com Mizuno ficando com o rosto azul transparente, enquanto um efeito sonoro característico acompanha a mudança da densidade molecular de seu corpo. Em seguida, ele começa a esfumaçar, da cabeça aos pés, e a roupa do seu corpo vai caindo lentamente no chão, com o gás se dissipando, enquanto faz troça com os policiais inúteis que nunca conseguirão capturá-lo.

O Vapor Humano ainda reserva um final pessimista, ao melhor estilo trágico oriental, repleto de sacrifícios e de perda. É mais uma gema do cinema japonês de terror/ sci-fi, e sabemos que os japas muito dificilmente decepcionam. Ainda mais quando a fita faz parte dos clássicos da Toho Estúdios, com dedo de Honda na direção e Tsubaraya nos efeitos.

Blue Men Group?

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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  1. […] ambiente dos monstros gigantes, sendo precedido pelos igualmente cultuados O Monstro da Bomba H e O Vapor Humano, ambos já devidamente resenhados aqui no blog. E é o maior desafio técnico do mestre dos efeitos […]

  2. […] monstros gigantes japoneses, os Kaiju, que o consagraram, fórmula que também seria repetida em O Vapor Humano e O Ataque dos Homens Cogumelo posteriormente. Isso sem contar a direção de Honda, que já havia […]

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