141 – Um Grito de Pavor (1961)

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Taste of Fear / Scream of Fear


1960 / Reino Unido/ P&B / 81 min / Direção: Seth Holt / Roteiro: Jimmy Sangster / Produção: Jimmy Sangster, Michael Carreras (Produtor Executivo) / Elenco: Susan Strasberg, Ronald Lewis, Ann Todd, Cristopher Lee, John Serret, Leonard Sachs


Para conseguir fazer uma análise crítica de Um Grito de Pavor, tive que fazer um exercício psicológico de volta ao tempo, para uma época em que meus pais não tinham a mais vaga ideia que eu iria nascer e me livrar de alguns vícios, imaginando que ainda não tivesse assistido a uma batelada de filmes de suspense que já vi até hoje nestes meus 31 anos de vida.

Desta forma Um Grito de Pavor, produção menos conhecida e preto e branca da Hammer, torna-se um filme interessante e um honesto exercício de suspense. Por que eu tive que explicar tudo isso? Porque senão ele seria apenas mais um filme manjadíssimo, clichê, com aquelas reviravoltas no final as quais já estamos acostumados por vermos às pencas nos dias de hoje.

Dirigido por Seth Holt e com roteiro e produção do Jimmy Sangster, já famoso por escrever praticamente todos os filmes importantes do lendário estúdio britânico, Um Grito de Pavor tem uma elegante fotografia P&B de Douglas Slocombe e uma pegada meio filme noir, com elementos de suspense sobrenatural, o que faz dele um falso filme de fantasmas, até sua bombástica revelação no terceiro ato.

Susan Strasberg vive Penny Appleby, uma garota rica que sofre um acidente de equitação  e fica confinada à uma cadeira de rodas. Infeliz e deprimida, ela vive com uma amiga no interior, que se suicida afogada em um lago, e decide retornar a casa do pai, o qual não vê há muitos anos, para viver com sua madrasta, Jane (Ann Todd), na Riviera Francesa. Só que ao chegar lá, ela descobre que o pai não se encontra no local, estando em uma misteriosa viagem de trabalho.

Christopher "classudo" Lee

Christopher “classudo” Lee

Durante uma noite, Penny ouve estranhos barulhos e na escuridão, em uma confusão de imagens, jura de pé junto ter visto o pai dentro da casa, morto, sentado em uma poltrona, como uma presença espectral. Claro que nem Jane, nem o fiel motorista da família, Robert (Ronald Lewis), irão acreditar nela, dizendo que não passava de sua imaginação. Só que as “aparições” do pai e outros sinistros acontecimentos tornarão a se repetir, como, por exemplo, o tocar do piano tarde da noite, sendo que só o pai tinha a chave do instrumento musical e o deixava trancado.

Surge então na trama o médico de confiança dos Appleby, o Dr. Pierre Gerrard, uma ponta de luxo de Christopher Lee, que tem poucas falas no filme todo, que tenta medicá-la e convencer de que é apenas a imaginação da atormentada garota, que começa a ficar com pecha de louca e duvidar da sua própria sanidade. Um detalhe curioso: no filme O Homem que Enganou a Morte, Lee também interpreta um médico que se chama Pierre Gerrard. Ou era um nome muito comum para médicos na época, ou foi uma baita falta de criatividade/ comida de bola da Hammer.

É então que desconfiando de que a madrasta tenha matado seu pai para ficar com a herança (novidade…), e que ela está mancomunada com o Dr. Gerrard, que vive jantando todas as noites na mansão com Jane, Penny e Robert tentam desvendar o terrível mistério que ronda o local, acreditando que o espírito de seu pai aparece para ela para enviar algum tipo de mensagem do além túmulo.  ALERTA DE SPOILER: Pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco. Tudo parece se resolver quando Robert encontra o velho moribundo afogado na piscina, e os dois decidem levar o corpo para a polícia e incriminar Jane. Mas mal sabe Penny que tanto a madrasta quanto o motorista, o verdadeiro amante de Jane, estão mancomunados e resolvem matar a garota, atirando-a com carro e tudo do penhasco. Essa é a reviravolta número um. Quando você pensa que os vilões irão se dar bem, vem a reviravolta número dois, que na verdade, Penny não é Penny, é a melhor amiga com a qual vivia, e a verdadeira Penny que havia se afogado no lago. Trocando cartas com o Dr. Gerrard, ela assume a identidade da enteada só para desmascarar a madrasta e o amante.

Um Grito de Pavor funciona bem. O roteiro, com seus twists no final é bem construído. O problema como eu disse, é que se você analisar todas as pistas e mensagens que são jogadas durante o decorrer de todo o longa, vamos ver que esse expediente já foi usado no cinema de suspense inúmeras vezes. Por isso, para poder aproveitar os 81 minutos de duração e não achar o seu final entediante, você deve fazer esse mesmo exercício que eu: esquecer tudo que já viu até então, colocando sua mente de volta em 1961 e pensando que nunca assistiu nada do tipo. Daí o filme chega até a ser chocante.

O Grito!

O Grito!


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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] uma carta urgente ao seu ex-namorado, o brilhante médico Sir Robert Cargrave (Ronald Lewis, de Um Grito de Pavor), condecorado com o título de cavaleiro por sua pesquisa para a cura da […]

  2. Cristiano disse:

    Verei e com certeza comentarei! Marcos, procurei dois filmes e não achei: Rasputin 1966, e Ritos satânicos de Drácula 1973, você ainda os colocará?? Abraços

    • Oi Cristiano.

      Ritos Satânicos de Drácula sim, que ainda não cheguei nele… Já Rasputin ficou de fora da lista, mas programado para entrar futuramente, na Fase 3 do blog…heheheheh.

      Abs

      Marcos

  3. Cristiano disse:

    Legal Marcos!! Abraços e parabéns novamente pelo trabalho!!

  4. Tem toda razão Marcos, se você se colocar no lugar do espectador da época, chega na mesma conclusão, o que não impede de ser um bom filme.
    Obrigada mais uma vez.

  5. […] uma carta urgente ao seu ex-namorado, o brilhante médico Sir Robert Cargrave (Ronald Lewis, de Um Grito de Pavor), condecorado com o título de cavaleiro por sua pesquisa para a cura da […]

  6. Olá Marcos,amo esse site.Parabéns!!!!Gostaria de ver aqui publicado dois filmes,que não encontrei:Adaga de Gelo com a belíssima Carol Baker e Herdeiros do Medo.Obrigada,espero muito encontrar esses filmes por aqui.Um abraço.

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