142 – Os Inocentes (1961)


The Innocents


1961 / EUA, Reino Unido / P&B / 100 min / Direção: Jack Clayton / Roteiro: William Archibald, Truman Capote (baseado na obra de Henry James) / Elenco: Deborah Kerr, Martin Stephens, Pamela Franklin, Megs Jenkins


Inglaterra do Século XIX. Um casarão mal-assombrado no interior. Uma jovem governanta. Crianças. É essa fórmula clássica do terror que Os Inocentes nos traz.

Dirigido magistralmente por Jack Clayton e com roteiro de William Archibald e Truman Capote, baseado na clássica novela de horror de Henry James, A Volta do Parafuso, o longa é a típica história de fantasmas que deixa margens para interpretação: realmente há alguma presença na casa ou é tudo fruto da imaginação da personagem principal?

Na trama, a Srta. Giddens, interpretação fora de série de Deborah Kerr, é contratada por um rico empresário de Londres como governanta de uma imensa mansão no interior do Inglaterra, e um de seus afazeres é cuidar de seus dois sobrinhos, Flora e Miles. Não demora para ela perceber que há algo errado com as crianças, que agem de forma estranha e que principalmente, há algo errado na casa, leia-se a presença de espíritos, nesse caso do ex-senhorio e da antiga governanta, amantes, que morreram recentemente e tinham uma estreita ligação com as crianças.

É você Satanás?

A direção de Clayton é precisa, segura, criando uma atmosfera aterrorizante filmado em cinemascope preto e branco, com uma fotografia impecável e efeitos sonoros apavorantes. Uma cena específica é de arrepiar, quando ela está nos corredores da casa apenas com um castiçal na mão, e gritos, sussurros e risadas de criança tomam conta do ambiente. É notável também a degradação psicológica da personagem principal, que passa de altiva e alegre no começo da projeção, para uma mulher atormentada e apavorada.

O sequência final em que Kerr contracena com Stephens (interpretado por Martin Stephens, ótimo, que já havia feito um papel de criança sinistra em A Aldeia dos Amaldiçoados) é primorosa, com diálogos muito bem construídos e ao terminar o filme, Clayton deixa tudo muito amarrado para que o espectador fique com a pulga atrás da orelha, sem dar nenhuma explicação óbvia e brincando entre o sobrenatural e a insanidade. O filme concorreu a dois BAFTAs, o Oscar britânico e também à Palma de Ouro em Cannes em 1962.

Filmes com espíritos, almas penadas, casas mal assombradas e afins sempre foram meus preferidos dentro do gênero. Os Inocentes é um dos melhores exemplares e percursor de muitos outros, servindo claramente de inspiração para produções vindouras como Os Outros e O Orfanato.

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Ai que medo!


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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] é um exercício sublime do terror psicológico e do gênero casa mal-assombrada. Junto com Os Inocentes, é uma obra definitiva que moldou a estética dos filmes de fantasma e de velhos casarões com […]

  2. […] da obviadede do gênero casa mal-assombrada, bebendo na fonte de outras obras imortais como Os Inocentes e Desafio do Além, mas adquirindo o seu próprio toque pessoal. A direção soberba de Amenábar, […]

  3. rocky disse:

    Os inocentes, notável filme, com a magnífica interpretação de Deborah Kerr. Um terror limpo, que cria mais tensão do que todos os zumbis modernos. No teatro, Miss Giddens era a grande Dulcina. Ambas, perfeitas.

  4. Alana De Carvalho disse:

    Uma coisa que marcou demais o filme foi o início: o primeiro minuto é de tirar de o fôlego! A canção sombria, “O Willow Waly”, interpretada pela voz da própria atriz ao imitar uma criança (a jovem Flora), letra mais do que nítida na tela escura… Enfim, simplesmente magnífico!

  5. […] que seriam copiados e aproveitados futuramente em outras célebres produções do gênero, como Os Inocentes, Desafio do Além e exemplos recentes, como Os […]

  6. […] é um exercício sublime do terror psicológico e do gênero casa mal-assombrada. Junto com Os Inocentes, é uma obra definitiva que moldou a estética dos filmes de fantasma e de velhos casarões com […]

  7. Allan disse:

    Olá, é possível atualizar o link?
    Obrigado!

  8. […] mix de tudo que funciona no subgênero. E mais é ver influências rasgadas de clássicos como Os Inocentes, Desafio do Além e A Casa da Noite Eterna, e antecipando tendências vistas em grandes clássicos […]

  9. Que filme sensacional, obrigada por disponibiliza-lo! Abraços!

  10. […] que seriam copiados e aproveitados futuramente em outras célebres produções do gênero, como Os Inocentes, Desafio do Além e exemplos recentes, como Os […]

  11. […] da obviadede do gênero casa mal-assombrada, bebendo na fonte de outras obras imortais como Os Inocentes e Desafio do Além, mas adquirindo o seu próprio toque pessoal. A direção soberba de Amenábar, […]

  12. Eduardo Farias disse:

    Excelente resenha pra este clássico! Sou fã de filmes de horror, sobretudo do gênero sobrenatural. Acho este filme um dos melhores representantes do gênero. A cena da mulher de preto no lago é de arrepiar qualquer mortal. A cena do fantasma sorrindo na janela, então… nem se fala. Parabéns pela excelente resenha! Por acaso já vistes o filme “The Changeling” de Peter Medak, de 1980? Aqui no Brasil se chama “A Troca”. Cara, para mim ele é um dos melhores exemplares deste filão “casa mal assombrada”, se não o melhor. Assisti-lo sozinho no escuro é uma experiencia e tanto… Merece uma resenha. Abraço!

  13. […] Mortais, e ainda mistura aquele clima de casarão gótico vitoriano e uma babá, ao melhor estilo Os Inocentes e uma série de regras que devem ser obedecidas a qualquer custo, tipo Gremlins. Creepy as […]

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