145 – A Máscara do Horror (1961)

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Mr. Sardonicus


 1961 / EUA / P&B / 89 min / Direção: William Castle / Roteiro: Ray Russell (baseado em sua obra) / Produção: William Castle, Dona Holloway (Produtor Associado) / Elenco: Ronald Lewis, Audrey Dalton, Guy Rolfe, Oskar Homolka


A Máscara do Horror é considerado pelo seu diretor e produtor, o lendário William Castle, como seu filme favorito. E também o mesmo é feito pela crítica e pelo público. Confesso que o meu preferido é Força Diabólica. Mas isso não tira os méritos de A Máscara do Horror, e o transforma em um filme muito bem executado, quase remetendo-o aos filmes da década de 30 e 40, durante a Era de Ouro do cinema de horror.

Isso porque A Máscara do Horror possui todos aqueles elementos típicos das histórias de terror da época, com uma trama gótica dotada até de um certo charme inocente e explicações simplistas que já não eram mais engolidas tão facilmente na década de 60, além de fotografia preta e branca e reconstrução de época, passando-se tanto na Londres de 1880, quanto um país obscuro e supersticioso do leste europeu. E entre estes elementos típicos que eu citei, encontramos cemitérios, neblina, castelos, câmaras de torturas, exumação de cadáveres e por aí vai.

Isso porque o horror do filme está encarnado na figura do Barão Sardonicus (Guy Rolfe), o tal Mr. Sardonicus do título original. Um homem terrivelmente desfigurado que imprime medo no vilarejo onde mora, na remota Gorslava, sequestrando jovens para torturá-las em seus terríveis experimentos, em busca de uma cura para a maldição que lhe aflige. Cura esta que pode estar mais próxima de ser descoberta, quando a baronesa Maude (Audrey Dalton), sua esposa, envia uma carta urgente ao seu ex-namorado, o brilhante médico Sir Robert Cargrave (Ronald Lewis, de Um Grito de Pavor), condecorado com o título de cavaleiro por sua pesquisa para a cura da paralisia.

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Michael Myers?

Na carta, Maude dizia para que ele imediatamente fosse até os aposentos de Sardonicus, coisa que o faz, por ainda nutrir sentimentos por ela e desconfiar do teor urgente da carta. Lá então ele é recepcionado pelo esquisito mordomo/ capanga caolha de Sardonicus, Krull (não o Conquistador), que teve um de seus olhos arrancados ao desobedecer o vil mestre. Já no interior do castelo de Sardonicus, Sir Cargrave descobre sobre a assustadora deformidade facial de Sardonicus, que é obrigado a usar uma máscara sem expressão constantemente e mandou cobrir ou retirar todos os espelhos da casa.

O barão outrora foi o humilde camponês Marek Toleslawski, casado com a gananciosa Elenka. Certo dia, após a morte da mãe, o pai de Marek, Henryk lhe compra um bilhete de loteria. Na mesma noite o velho morre, e Marek o enterra com o bilhete em seu paletó, para descobrir no dia seguinte que o bilhete havia sido premiado. Pressionado por Elenka que colocou seu casamento à prova, Marek exuma o corpo do pai do cemitério para ficar com o dinheiro, agindo como um verdadeiro ghoul, ou carniçal em português claro, criatura folclórica morta-viva que rouba cadáveres e se alimenta de carne humana. Mas ao desenterrar o velho e ver a expressão cadavérica sorrindo em seu rosto, Marek é amaldiçoado a viver para sempre com a mesma face morta do pai, com um sorriso maldito de escárnio.

E dá-lhe um excelente trabalho de maquiagem para representar Sardonicus, ex-Marek sem a máscara, sob supervisão de maquiagem de Ben Lane, que já havia trabalhado com Castle anteriormente em 13 Fantasmas, e mais tarde em séries de TVs famosas como Denis, o Pimentinha, Jeannie é um Gênio e A Feiticeira. Voltando a trama, com a bolada da loteria, Sardonicus comprou seu título, e amargurado, começou a estudar medicina para tentar encontrar uma cura para seu mal, usando as pobres e indefesas camponesas de Gorslava como cobaias, além de tratar mal a pobre esposa, vítima de um casamento arranjado entre Sardonicus e seu pai, que devia uma fortuna em jogos. Cabe ao médico e mocinho, tentar salvar Sardonicus (com uma cura por autossugestão especialmente imbecil, que até dá uma broxada no final do filme) e impedir que um mal maior recaia sobre seu grande amor.

Doação de sangue

Doação de sangue

Mas como estamos falando de um filme de William Castle, é óbvio que haveria um de seus famosíssimos gimmicks em A Máscara do Horror. Depois de esqueletos voando pela cinema em A Casa dos Maus Espíritos, cadeiras que vibravam em Força Diabólica e um óculos capaz de ver fantasmas em 13 Fantasmas, aqui Castle dá ao espectador o direito de escolher o final, ao melhor estilo Você Decide, programa interativo da Rede Globo na década de 90 (para que é muito novo e não faz ideia do que eu estou falando).

Ao entrar na sessão, a plateia recebia dois cartão, um com um polegar para cima indicando misericórdia, e outro com o polegar para baixo indicando não misericórdia, assim como nas lutas dos gladiadores romanos. Ao terminar o filme, Castle aparece em cena, com toda sua simpatia e humor negro indefectíveis (já havia aparecido anteriormente no prólogo do filme) e pede para o público levantar a placa escolhida para o final do Barão Sardonicus. Claro que o final será sem misericórdia, mas é engraçado que em todas as sessões em que esse aparato foi utilizado, o público nunca escolheu o final misericordioso para o vilão. Castle jura de pé junto que foi rodado dois finais. A atriz Audrey Dalton, que vive Maude, já por sua vez diz que apenas o final maligno foi gravado.

A Máscara do Horror pode ter um final decepcionante, que poderia ser bem menos misericordioso já que houve todo esse alarde de escolher as placas, mas vale muito a pena assisti-lo, principalmente por historicamente estar situado em uma época que os filmes de terror começariam a ganhar outra conotação, deixando cada vez mais de lado estes enredos fantásticos. E claro, vale mais uma vez para ver o tamanho da criatividade de William Castle em brincar com a audiência e abusar do marketing, hoje algo imprescindível para a indústria do cinema funcionar.

Why so serious?

Why so serious?



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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