154 – O Terrível Dr. Orloff (1962)

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Gritos en la noche / The Awfull Dr. Orloff


1962 / Espanha, França / P&B / 90 min / Direção: Jesús Franco / Roteiro: Jesús Franco / Produção: Leo Lax, Marius Lesoeur, Serge Newman / Elenco: Conrado San Martin, Diana Lorys, Howard Vernon, Perla Cristal, Ricardo Valle


Jesús Franco, pai do Euro Trash, morto recentemente aos 82 anos, reconhecido por inúmeras bagaceiras na sua extensa carreira como cineasta (muitas delas assinadas com pseudônimo, como esta aqui que é creditado como Jess Franck) tem em O Terrível Dr. Orloff seu primeiro grande clássico.

E o mais importante é que essa produção entra para a história com uma contribuição importantíssima para o gênero: um dos primeiros filmes de terror a mostrar mulheres com os seios de fora!!!! E me desculpe a mulherada e os puritanos: esse é um dos principais fatores que faz nós, homens, assistir aos filmes de terror. Começa quando você é moleque assistindo filmes slasher e vendo aquele monte de peitinhos nus das campistas, e acaba tornando-se parte do seu imaginário pessoal, sempre assistindo filmes de terror esperando por eles saltarem de algum sutiã.

Enfim, devaneios sobre as mamas femininas à parte, O Terrível Dr. Orloff nem parece muito um filme de Jess Franco, se comparado com as outras inúmeras bombas trash que ele já dirigiu e as putarias. É um filme bem redondo, bem dirigido com uma boa fotografia em preto e branco. Está certo que é cópia de Os Olhos Sem Rosto de Georges Franju, com um médico louco na trama obcecado em salvar o rosto desfigurado da filha.

Claro, é um filme B maiúsculo, com dinheiro de pinga de orçamento, maquiagem meia boca e atuações sofríveis, tirando o ator suíço Howard Vernon, que também faria outros filmes juntos de Franco, até mesmo retornando no papel do Dr. Orloff futuramente. Mas é gritantemente Grand Guignol e acerta na violência, sadismo, tortura, gore (tudo na medida do possível) e claro, tem as duas cenas memoráveis (e ao bem dizer, completamente desnecessárias) de topless.

Medicina terrível

Médico e monstro

A trama, como disse lá em cima, um belo de um plágio de Os Olhos Sem Rosto, traz o Dr. Orloff, médico aposentado de uma prisão, cuja filha sofre um terrível acidente em um incêndio em seu laboratório, que resulta em queimaduras na sua face, deformando-a. Com a filha entre a vida e a morte, a solução de Orloff é sequestrar mulheres de vida fácil da Paris do começo do século passado, para retirar suas peles e tentar fazer enxertos na tentativa de recuperar a beleza da garota.

O sumiço das prostitutas começa a levantar a suspeita da polícia local, e cabe ao inspetor Tanner (Conrado San Martin), auxiliada por sua espevitada noiva, a bailarina Wanda Bronsky (interpretada por Diana Lorys, que também faz o papel de Melissa, filha moribunda de Orloff), investigar o crime. Enquanto isso, Orloff vai à todas as casas de burlesco da cidade e nas vielas escuras, com sua capa e cartola, ao melhor estilo Jack, o Estripador, raptando as garotas com o auxílio de seu bizarro comparsa, Morpho, um troglodita ex-presidiário, com o rosto desfigurado e olhos esbugalhados, que tem como fetiche morder as garotas. Orloff constrói seu covil em um castelo isolado às margens do rio e lá leva as pobres vítimas para seu laboratório, colocando seu bisturi para funcionar.

Mesmo com seu final óbvio e acelerado, O Terrível Dr. Orloff fez bastante sucesso, pelo conjunto todo da obra, e gerou mais três continuações, todas com muita nudez e gore, e incluindo aí Dr. Orloff’s Invisible Monster ou Le Notti Erotiche Dell’Uomo Invisibile de 1971, que tem a surreal cena de uma garota sendo estuprada por um homem invisível (!!!!!). Em 1987, Franco e Vernon se reúnem novamente no filme Sem Face, que é uma espécie de adição à mitologia do Dr. Orloff, com maior orçamento e recursos técnicos da época.

O Terrível Dr. Orloff é um filme bem legal de assistir. Pérola do gênero cientista louco, que começou a pavimentar o nome de Jess Franco com um dos mais importantes diretores no mundo do universo fantástico e seus filmes cheios de sangue, trashera, nudez explícita e sexo gratuitos, aqui, bem mais comedido em seu debute.

Morpho, o capanga tarado!

Morpho, o capanga tarado!


 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] subgêneros, como os vampiros (Vampiros Lesbos e Conde Drácula, por exemplo), cientistas loucos (O Terrível Dr. Orloff), mulheres na prisão (99 Mulheres) e até o famigerado personagem Fu Manchu (O Castelo de Fu […]

  2. […] pelos notáveis Dr. Franklin Houston (Paul Muller), Prof. Jonathan Walker (Horward Vernon, de O Terrível Dr. Orloff também de Franco), Dra. Crawford (Ewa Stroemberg) e o Dr. Donen (vivido pelo próprio Franco) […]

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