155 – O Terror Veio do Espaço (1962)

day_of_triffids_poster_01


The Day of the Triffids


 1962 / Reino Unido / 93 min / Direção: Steve Sekely, Freddie Francis (não creditado) / Roteiro: Bernard Gordon, Phillip Yordan (baseado na obra de John Wyndham) / Produção: George Pitcher, Phillip Yordan (Produtor Executivo) / Elenco: Howard Keel, Nicole Maurey, Janette Scott, Kieron Moore, Mervyn Johns


O Terror Veio do Espaço é a primeira adaptação do famoso e importantíssimo best seller de ficção científica O Dia das Trífides, escrito por John Wyndham, publicado em 1951. Wyndham também é o autor de Midwich Cuckoos, outro clássico da ficção científica adaptado para as telas em A Aldeia dos Amaldiçoados.

Dirigido por Steve Sekely e Freddie Francis (diretor de alguns filmes da Hammer e da Amicus, mas de forma não creditada), com roteiro de Bernard Gordon e Phillip Yordan, O Terror Veio do Espaço traz aquele famoso cenário pós apocalíptico de uma invasão alienígenas, só que uma invasão bem mais inusitada do que estamos acostumadas, perpetrada por uma raça de plantas carnívoras interplanetárias que chegou ao nosso planeta e depois de um evento espacial mundial, tomou controle da Terra.

O evento em questão é uma chuva de meteoritos, que certa noite foi visível a olho nu em todo o globo, mas que trouxe uma desastrosa consequência: todos aqueles que a assistiram, ficaram imediatamente cegos. É mais ou menos como se O Ensaio Sobre a Cegueira encontrasse Os Invasores de Corpos. E um adendo é que aquele filme sem vergonha do M. Night Shyalaman, Fim dos Tempos, obviamente foi chupinado também do argumento de O Dia das Trífides.

Com a humanidade em pânico, trens entrando em rota de colisão, aviões caindo do céu e o caos tomando conta, as trífides, que são essas tais plantas, começam a crescer livres e de forma desgovernada, saindo andando por aí de seus caules e devorando os seres humanos. Pausa para falar sobre o visual dessas plantas. Eu sei que era década de 60, é uma produção de baixo orçamento da BBC, mas pelo amor… As plantas são ridículas. Naquele nível de que só dá para dar risadas das mesmas. Obviamente algumas cenas foram rodadas com a técnica de suitmation, e pode-se perceber que há um sujeito por baixo da roupa de borracha que mimetiza o vegetal alienígena, andando desengonçado de forma bípede e com os braços levantados representando seus troncos. É tosco!!!

Enquanto você é vegan, elas são carnívoras!

Enquanto você é vegan, elas são carnívoras!

Bom, deste pandemônio todo originado pela chuva de meteoros e o curto de cegueira, o oficial da marinha Bill Masen, vivido por Howard Keel, é um dos poucos que ainda podem enxergar, pois foi submetido a uma cirurgia nos olhos na noite do acontecido, não presenciando o fenômeno. Ele se junta a pequena Susan, sobrevivente de um desastre em um trem descarrilado, e deixam Londres em direção à França, tentando descobrir alguma ajuda no continente. Lá eles conhecem também mais um casal que possui a visão, Christine e o Sr. Cocker, que tem uma casa de campo onde reúne alguns sobreviventes para poder prestar auxílio.

Neste ínterim, outros dois personagens chaves na trama é o casal de cientistas Tom e Karen Goodwin, que vivem isolados em suas pesquisas em um farol no meio do oceano, e também não testemunharam a chuva de meteoros. Isolados, com um relacionamento desgastado entre ambos e o alcoolismo de Tom, eles precisam tentar sobreviver  à crise conjugal naquela rocha, e não serem devorados pelas trífides que vão nascendo na encosta.

Como todo bom filme pós-apocalíptico, não são apenas as plantas extraterrestres que constituem perigo para nossos heróis. Nunca podemos esquecer que a humanidade em situações como essa, sempre volta ao seu estágio primitivo, quase animalesco, numa sociedade caótica sem leis, e vão recorrer a saques, assassinatos e estupros. Mas nada que se compare as terríveis trepadeiras que vão andando, balançando seus galhos por aí querendo fazer um lanchinho de carne humana, isso sem contar sua intensa capacidade de se reproduzir, afinal é só bater um ventinho e levar seu pólen para qualquer lugar, e o mortal veneno que possui em suas seivas.

Pior cego é aquele que não quer ver!

Pior cego é aquele que não quer ver!

A maior diferença entre o filme e o livro é a origem das trífides. Enquanto aqui, como já disse, a origem é extraterreste, no livro original de Wyndham, as plantas são meramente uma alegoria comunista, tema comum em seus livros, onde segundo suspeitas do próprio personagem principal, Bill Mansen, elas foram criadas através de bioengenharia pelos soviéticos e depois acidentalmente soltas na natureza. Especula-se também no livro que a chuva de meteoros também foi obra do vermelhos e companhia limitada.

O desenvolver da trama de O Terror Veio do Espaço é bastante compacta, tendo que colocar todos os desdobramentos do apocalipse vegetal e as relações humanas e suas consequências, retiradas das páginas do livro, em um filme de apenas 93 minutos. Então tudo fica bastante corrido, mas com algumas interessantes situações ali pontuadas, que poderiam ser melhores exploradas se a metragem fosse maior. Mesmo assim não deixa de ser um clássico cultuado.

Em 1981 a própria BBC produziu um série em seis episódios exibidas na televisão britânica, aí sim com os personagens e situações mais bem trabalhadas, e recentemente em 2009, uma nova minissérie foi ao ar em dois episódios, esta com elenco estrelado com Dougray Scott, Vanessa Redgrave, Eddie Izzard e Brian Cox e recheada de efeitos especiais, lançada no Brasil pela Paris Filmes com o nome de O Dia Final, na época em que eu trabalhava por lá. Um detalhe pessoal curioso é que fui voto vencido dos departamentos de marketing e comercial, para que o filme se chamasse O Dia das Trífides, tal qual o livro.

Queimando tudo até a última ponta

Queimando tudo até a última ponta


[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=FqrLqg3w6AU]


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] Esteticamente falando Alien é perfeito. Revendo o filme para escrever esse texto, fico impressionado como ainda hoje a forma do monstro impressiona, mesmo com mais de 30 anos passados. Forma essa criada pelo maluco designer suíço H. R. Giger, que também contribuiu com a criação do visual do planeta e da nave onde o parasita da criatura é encontrado. Além disso a arte conceitual do filme é do quadrinista francês Moebius. Giger claramente tem uma mente doentia, distorcida e sombria. Só isso explica a forma que ele deu a bizarra criatura. Já Ridley Scott merece todos os méritos do filme, por sua ambientação, doses cavalares de suspense e tensão, cenas de sustos impactantes, corredores e mais corredores escuros e apertados e muita nojeira. Afinal, a possibilidade de Alien – O Oitavo Passageiro virar um ridículo filme B era muito grande. Ponto para Scott. Sendo que o roteiro de Dan O’Bannon comprado pela FOX já havia sido descaradamente inspirado em um filme tosco de alienígena da década de 50, chamado O Terror Veio do Espaço. […]

  2. […] Esteticamente falando Alien é perfeito. Revendo o filme para escrever esse texto, fico impressionado como ainda hoje a forma do monstro impressiona, mesmo com mais de 30 anos passados. Forma essa criada pelo maluco designer suíço H. R. Giger, que também contribuiu com a criação do visual do planeta e da nave onde o parasita da criatura é encontrado. Além disso a arte conceitual do filme é do quadrinista francês Moebius. Giger claramente tem uma mente doentia, distorcida e sombria. Só isso explica a forma que ele deu a bizarra criatura. Já Ridley Scott merece todos os méritos do filme, por sua ambientação, doses cavalares de suspense e tensão, cenas de sustos impactantes, corredores e mais corredores escuros e apertados e muita nojeira. Afinal, a possibilidade de Alien – O Oitavo Passageiro virar um ridículo filme B era muito grande. Ponto para Scott. Sendo que o roteiro de Dan O’Bannon comprado pela FOX já havia sido descaradamente inspirado em um filme tosco de alienígena da década de 50, chamado O Terror Veio do Espaço. […]

  3. Lennon disse:

    Cade o link?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *