156 – O Ataque dos Homens Cogumelo (1963)

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Matango / Attack of the Mushroom People


1963 / Japão / 89 min / Direção: Ishirô Honda / Roteiro: Takeshi Kimura (baseado na historia de William Hope Hodgson) / Produção: Tomoyuki Tanaka / Elenco: Akira Kubo, Kumi Mizuno, Hiroshi Koizumi, Kenji Sahara, Hiroshi Tachikawa


Como não esperar o melhor (no sentido de pior) de um filme com este nome: O Ataque dos Homens Cogumelo? É claro que só pode vir um daqueles clássicos cults de ficção científica pela frente. Melhor ainda quando ele é dirigido pelo pai de Godzilla, Ishirô Honda para a lendária produtora Toho e tem nos efeitos especiais o mago Eiji Tsuburaya, responsáveis pelos maiores Kaijus do cinema e criador da família Ultra.

Este filme na verdade é o que fecha a trilogia de Ishirô e Tsuburaya fora do ambiente dos monstros gigantes, sendo precedido pelos igualmente cultuados O Monstro da Bomba H e O Vapor Humano, ambos já devidamente resenhados aqui no blog. E é o maior desafio técnico do mestre dos efeitos especiais até então, representando os terríveis homens cogumelos do título.

Bom, antes de Carlos Castañeda e sua “A Erva do Diabo” e antes do movimento paz e amor lisérgico dos hippies, incorporando o cogumelo ao seu cardápio diário, esta produção nipônica completamente maluca já nos mostrava o caminho dos poderes entorpecentes que essa frutificação poderia ter na mente das pessoas. A diferença é que aqui, com uma forcinha da energia atômica espalhada através de testes nucleares, os cogumelos são muito mais que alucinógenos: eles realmente ganham vida, crescem de tamanho e transformam-se em fungos superdesenvolvidos.

E isso é o que vai descobrir a tripulação de sete pessoas que navegam em um luxuoso iate pelo pacífico, e após serem atingidos por uma tempestade, ficam à deriva até as correntezas o levarem a uma inóspita ilha, abandonada a primeira impressão. Sem comida e sem abrigo, o grupo encontra um grande navio abandonado, todo detonado pela corrosão, e decidem se estabelecer lá dentro para tentarem descobrir uma forma de sair daquela ilha, enquanto tentam consertar o iate.

1 UP!

1 UP!

Lá eles encontram algumas latas de comida enlatada e precisam encontrar tubérculos, raízes e ovos de tartaruga na praia para poderem se alimentar. No meio da floresta há essa estranha plantação abundante de cogumelos, que ao ser comido, poderia gerar uma série de reações adversas nas suas vítimas, como é constatado em um dos livros de bordo que os sobreviventes encontram. E como se não bastasse isso, naquela situação limite, enclausurados em uma ilha, alimento acabando, surgimento da falta de escrúpulos e de uma explosiva espécie de Síndrome da Cabana, as relações humanas ali dentro entre estes cinco homens e duas mulheres, tornar-se-ão muito mais perigosas que qualquer fungo mutante.

E esses conflitos são muito bem explorados por Honda, um perfeccionista nato, que vai elevando de forma contida o suspense aos poucos, colocando um ou outro monstro andando sorrateiramente pelos corredores do navio/ laboratório, até chegar ao seu absurdo final, onde após alguns dos sobreviventes mandarem tudo à favas e provarem os cogumelos, matando a fome e ficando chapados, vão começar a sofrer a terrível mutação em sua pele, juntando-se a outra tripulação do navio abandonado como errantes criaturas cheio de perebas, vivendo um eterno loop de delírio alucinógeno sensorial.

E os homens cogumelo deixam os dez minutos finais serem a verdadeira cereja do bolo. Tsuburaya faz o que sabe fazer de melhor e em uma cena de perseguição no claustrofóbico navio, os monstros mutantes parecem antever os zumbis de Romero, tentando destruir as portas e janelas com suas roupas maltrapilhas, pele purulenta e andar trôpego, fazendo com que o herói tenha de fugir para a floresta, onde será atacado por mais seres perebentos e os próprios cogumelos gigantescos, com seus chapéus e tudo, que podem se movimentar livremente pela ilha.

O Ataque dos Homens Cogumelo também possui uma irretocável direção de arte, todo filmado dentro dos estúdios da Toho, a fotografia em Cinemascope, a direção precisa de Honda e o roteiro bem construído que dá uma bizarra aura de originalidade e de antecipação dos fatos, tornando-o um verdadeiro cult no catálogo de filmes do estúdio japonês. Detalhe que os responsáveis por levá-lo aos EUA, onde obviamente também ganhou uma legião de fãs, foi a dupla Samuel Z. Arkoff e James H. Nicholson, da American International Pictures, que editaram e dublaram a fita, exibindo-o diretamente na televisão americana, sem nem passar pelos cinemas, transformando-o mesmo assim em um ícone da contracultura da geração dos anos 60.

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Delícia de champignon!



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] da Toho com seus Kaijus como Godzilla e Gamera, e outros clássicos como O Monstro da Bomba H e O Ataque dos Homens Cogumelo.  Ah, e eu não posso me esquecer da música tema, “The Green Slime”, um rock […]

  2. […] da Bomba H, O Vapor Humano faz parte da legendária trilogia mutante do estúdio, que culminaria em O Ataque dos Homens-Cogumelos de 1963. Honda dirigiria as três películas, assim como o gênio Tsubaraya, que também foi […]

  3. […] japoneses, os Kaiju, que o consagraram, fórmula que também seria repetida em O Vapor Humano e O Ataque dos Homens Cogumelo posteriormente. Isso sem contar a direção de Honda, que já havia levado ao mundo o lagartão […]

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