812 – Serpentes à Bordo (2006)

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Snakes on a Plane


2006 / EUA, Alemanha Canadá / 105 min / Direção: David R. Ellis / Roteiro: John Heffernan, Sebastian Gutierrez / Produção: Craig Berenson, Don Granger, Gary Levinsohn; Tawny Ellis, Heather Meehan; Jeff Katz (Produtor Associado); Stokely Chaffin, Toby Emmerich, Penney Finkelman Cox, Justis Greene, Sandra Rabins, George Waud (Produtores Executivos) / Elenco: Samuel L. Jackson, Julianna Margulies, Nathan Phillips, Rachel Blanchard, Flex Alexander, Kenan Thompson, Keith Dallas, Lin Shaye


I’ve had it with these motherfucking snakes on this motherfucking plane” Flynn, Neville.

A emblemática frase proferida pelo agente do FBI vivido por Samuel L. Jackson resume o espírito de Serpentes à Bordo, e por diabos, é uma das frases mais DA HORA de toda a história da sétima arte (tal qual o próprio ator e seu personagem).

Resume por todo o furor causado no filme antes dele ser lançado, todas as histórias de bastidores, a movimentação massiva na Internet que conseguiu até fazer com que a New Line Cinema alterasse o andamento do longa para agradar os fãs, e claro, a galhofa sem tamanho e o clima acertadíssimo de não se levar a sério em nenhum segundo, figurando como um dos mais divertidos, deliciosos e canastrões filmes da história.

Os causos por trás de Serpentes à Bordo são tão, ou mais, incríveis que o próprio filme. Começa que nascer de forma mais picareta, seria impossível. Em um happy hour de alguns engravatados de Hollywood, entre uma cerveja e um tremoço, eles discutiam qual deles inventaria a pior trama para um filme, e eis que Craig Benson, produtor que trabalhava para a Dream Works no momento, apareceu com a ideia de cobras dentro de um avião, inspirado em um longa chamado Venom, que é ruim para diabo. O resto é história.

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Motherfucker snakes on the motherfucker plane

A ideia miraculosamente passou dentro da New Line, o roteiro foi escrito por John Heffernan e Sebastian Gutierrez, baseado numa história do próprio Heffernan e de David Dalessandro, e Ronny Yu (ARGH!) foi escolhido como diretor, mas depois, por “diferenças criativas”, deixou a cadeira para David R. Ellis, nome em ascensão dentro do estúdio, que reescreveu a obra prima. Daí como ele chegou às mãos de Samuel L. jackson é outro causo impressionante.

Reza a lenda, o agente de Jackson insistiu para que o título do filme  fosse alterado porque o ator não poderia trabalhar em um longa com um nome tão TOSCO quanto Serpentes à Bordo. Quando Jackson descobriu isso, ele respondeu com o já famoso comentário, que entrou para os anais da história de Hollywood: “Nós totalmente mudamos o título de volta. Essa é a única razão pela qual eu aceitei o trabalho: EU LI O TÍTULO”. É um really cool motherfucker ou não?

Pois bem, o ator também deu seus pitacos na hora de reescrever o roteiro, e antes de ser finalizado, Serpentes à Bordo já era um hit na Internet e nos fóruns de discussão! Até uma paródia do filme havia sido feita, e que continha a célebre fala de Jackson. Foi a primeira vez na história que um grande estúdio ouviu o clamor de um bando de fãs geeks desocupados e fez diversas alterações simplesmente para agradá-los e entregar o icônico longa que eles queriam ver nas telas de cinema!

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Aperte sua cobra de segurança

Isso inclui até cinco dias de refilmagens para que o filme, que tinha levado uma água com açúcar classificação PG-13, tomasse uma classificação R, incluindo aí, claro, mais sangue, violência e nudez. Entre essas adições, entrou o momento auge do “I’ve had it with these motherfucking snakes on this motherfucking plane”.

Ah, a trama né? Sean Jones (Nathan Phillips) está no Havaí praticando motorcross quando é testemunha do assassinato de um importante promotor de Los Angeles que tentava prender o perigoso mafioso Eddie Kim. Ele é convencido pelo agente do FBI, Neville Flynn (Jackson) a testemunhar contra o malfeitor e se encarrega de protegê-lo no voo de volta ao continente. A forma – brilhante, diga-se de passagem – de Kim tentar matar o sujeito, e se derrubar o voo de lambuja não terá nenhum problema, é encher o avião de cobras peçonhentas que, estimuladas por um feromônio, passaram a atacar todos os passageiros (entre eles, o Kenan Thompson de Kenan e Kel) e tripulação.

Serpentes à Bordo é genial. Sem mais! Típico do filme tosco que diverte horrores, cafona até dizer chega, lotado de clichês e autoparódia, cobras em CGI das bem vagabundas (a cena da sucuri contorcendo e comendo um dos passageiros é ridícula) e com Samuel L. Jackson sendo Samuel L. Jackson, fazendo o que faz de melhor. E claro, ajudado a sair do forno com todo amor e carinhos pelos fãs. E ah, tem aquele clipe tosquíssimo no final que sacaneia todos os gêneros musicais que faziam sucesso naqueles meados dos anos 2000, do pop, ao emo, ao hip hop, como a cereja do bolo. E que não é chuchu, nesse caso!

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I had with this motherfucker snake



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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