173 – A Maldição de Karnstein (1964)

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La cripta e l’incubo / Crypt of the Vampire


1964 / Itália, Espanha / 82 min / P&B / Direção: Camillo Mastrocinque / Roteiro: Tonino Valerii, Ernesto Gastaldi (baseado na obra de Sheridan Le Fanu) / Produção: Mario Mariani / Elenco: Christopher Lee, Adriana Ambesi, Ursula Davis, José Campos, Véra Valmont, Nela Conjiu


A primeira adaptação oficial do clássico livro Carmilla, de Sheridan Le Fanu, foi Rosas de Sangue, do fancês Roger Vadim, lançada em 1960. A produção ítalo-espanhola A Maldição de Karnstein, dirigida por Camillo Mastrocinque, foi a segunda incursão dos temas do livro vampírico do escritor irlandês para as telas de cinema.

Completamente diferente da atmosfera onírica e pujança estética do filme de Vadim, A Maldição de Karnstein, que aqui também ficou conhecida como O Túmulo do Horror, utiliza mais elementos do livro de Le Fanu do que haviam sido aproveitados até então. Mas mesmo assim, está longe de ser uma adaptação fiel do romance, e sustenta apenas um argumento inspirado na obra literária, focando-se mais em uma trama sobrenatural, com lesbianismo velado e cenas alucinógenas e agressivas de pesadelos.

Christopher Lee (que hoje completa 91 anos e ainda na ativa!!!), sempre lembrado para internacionalizar os filmes italianos e ajudar em sua aceitação no mercado inglês e americano, encarna aqui o Conde Karnstein, que pede ajuda a um exímio restaurador, Friedrich Klauss (José Campos) para uma questão de vida ou morte: descobrir algum retrato ou desenho de um antepassado da família Karnestein, Sheena, que foi acusada de vampirismo, bruxaria e assassinada, por conseguinte. Sua suspeita é que sua filha esteja sendo acometida por uma velha maldição familiar.

Isso porque sua filha, Laura Karnstein (Adriana Ambesi), vive atormentada por sonhos terríveis, alucinações e clarividências, atribuída a Sheena pela decrépita governanta da mansão, Annette, que tenta utilizar-se de magia negra e outros artifícios místicos para se comunicar com o espírito que quer se apossar da garota. Só que não será nada fácil para Klauss descobrir a verdade, pois além de ter de vasculhar uma vasta biblioteca, ainda terá que descobrir qual das centenas de quadros da coleção do Conde foi retocado exatamente no intuito de esconder a face de Sheena.

Lee caçando vampiros. Que ironia!

Lee caçando vampiros. Que ironia!

Deprimida, solitária e morrendo de medo, Laura só vai ficar animadinha quando Ljuba (Ursula Davis) é acolhida como hóspede no castelo dos Karnstein quando a carruagem de sua mãe quebra na estrada, e a mesma deixa a filha aos cuidados do Conde, para poder prosseguir sua viagem. Logo quando Laura conhece a Ljuba, lá embaixo começa a bater palma, e elas vão viver uma intensa amizade colorida, nada explícita, mas completamente subentendida. Só tem um probleminha: Ljuba é uma vampira.

Paralelo a isso, misteriosos assassinatos nos campos vizinhos, com as vítimas tendo todo o sangue drenado vão ocorrendo e Laura passa a piorar em seus delírios, com os receios constantes do Conde Karnestein crescendo rapidamente e fazendo com que a descoberta de Klauss se torne mais urgente. Tudo isso regado a uma atmosfera gótica pesadíssima filmada em preto e branco, com alguns momentos bem dignos de meter medo, como quando Anette procura a identidade do assassino no casarão usando um sinistro candelabro chamado de “mão de satanás”, com velas colocadas no dedo, ou momentos de certa beleza poética, como quando, ao melhor estilo surreal de Roger Vadim ou Jean Rollin, as duas moçoilas passeiam pelos campos de mãos dadas até encontrarem um vagabundo corcunda enforcado na torre do sino da abadia.

Além disso, A Maldição de Karnstein tem um porém interessantíssimo, pois aqui pela primeira vez em um filme sobre vampiros, há uma inversão de valores, onde a explosão de sexualidade é inerente a humana, Laura, e não a vampira, Ljuba, como é de costume quando se trata de desmortos tentando seduzir as pobres e reles mortais. E é louvável a tentativa de Mastrocinque em criar uma atmosfera lúgubre com toques vampirescos e de feitiçaria. Claro, ele não é nenhum Mario Bava (se bem que a condenação de Sheena lembra muito A Máscara de Satã), mas dá para o gasto.

Mais uma Karnstein para a coleção

Mais uma Karnstein para a coleção


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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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  1. […] adaptação oficial do livro foi filmada em Rosas de Sangue de Roger Vadim, ou mesmo o italiano A Maldição de Karnstein de […]

  2. […] Mel Ferrer. Só que Lee, em 1964, protagonizaria outra adaptação cinematográfica de Carmilla, A Maldição dos Karnstein, desta vez vinda da Itália, dirigida por Camillo […]

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