186 – Faster, Pussycat! Kill! Kill! (1965)

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1965 / EUA / P&B / 83 min / Direção: Russ Meyer / Roteiro: Jack Moran, Russ Meyer (história original) / Produção: Eve Meyer, Russ Meyer, George Costello e Fred Owens (Produtor Associado) / Elenco: Tura Santana, Haji, Lori Williams, Sue Bernard, Dennis Busch, Stuart Lancaster, Paul Trinka


Faster, Pussycat! Kill! Kill! é o cultuado filme de Russ Meyer que definiu toda a estética grindhouse, sendo o primeiro a escancarar o caminho para que os filmes exploitation se tornassem febre nos cinemas decadentes no final dos anos 60 e todos os anos 70, com suas doses cavalares de sexo e sangue e todas as suas demais vertentes com o sufixo sploitation (sex, black, nun, e por aí vai…).

A narração de abertura do longa por si só é espetacular: “Senhoras e senhores, bem vindo à violência. Tanto da palavra como da ação. Porque a violência pode manifestar-se de várias maneiras, sendo que sua forma preferida ainda continua sendo… sexo”. E daí já emenda com todo o conceito pelo qual o filme roda: “Examinemos mais detalhadamente esta nova maligna criação, esta nova geração presa e contida na pele macia da mulher”.

Faster… é uma ode à violência das mulheres, como o próprio Meyer definiu, e tirou do cinema aquela mulher frágil e dependente dos mocinhos, colocando em seu lugar a figura da vixen, da mulher de personalidade forte, que explora muito bem sua sexualidade e não vê nenhum problema em meter a porrada em marmanjos, dirigir carros possantes e mandar as boas maneiras às favas. Todas as garotas deveriam assistir Faster… pelo menos uma vez. Aqui temos o surgimento da mulher forte, inteligente e perigosa. As três personagens principais, Varla, Rosie e Billie são As Panteras ao avesso.

Velozes e furiosas!

Velozes e furiosas!

E isso tudo em pleno meados dos anos 60, com a revolução feminina estourando assim como a batalha pelos direitos iguais das mulheres. Um dos vários personagens caricatos do filme, o “Velho” solta a pérola em determinado momento: “Mulheres. Permitiram a vocês votar, dirigir e fumar. Até usar calças. E o que aconteceu? Um democrata na presidência”. E esse humor ácido carregado vai permear todo o filme, com seus diálogos incrivelmente afiados, situações inusitadas, linguajar chulo, e a explosiva combinação de beldades, violência, sadismo e velocidade, verdadeiro deleite para qualquer fã dos filmes B.

A insólita história das três go go dancers que pegam seus carros envenenados, vão para o deserto, apostam racha com um coxa e sua namoradinha ingênua, matam o rapaz, sequestram a menina e ainda querem roubar toda a grana de um velho aleijado que tem um filho meio mongoloide, é impagável. E o que falar então dos seus decotes enormes, calças justas, barriguinhas de fora, roupas provocantes, cenas de nudez parcial (como os banhos das meninas na bomba de água em pleno deserto) e toda a sua fortíssima conotação sexual?

Varla, interpretada pela icônica Tura Santana, é a megera em forma de mulher. Dominatrix, tem uma tremenda influência em suas comparsas de crime e parceiras de dança: Rosie, a espevitada e bocuda e Billie, com seu caricatíssimo sotaque italiano, lésbica reprimida que nutre uma paixão platônica por Varla. A primeira maldade do trio, como disse no parágrafo acima, é disputar racha no meio do deserto com um típico mauricinho americano (como elas mesmo definem) e sua namorada sonsa, que não acaba nada bem para a dupla tão encaixada no american way of life dos anos 60: ele é morto, estrangulado por Varla, após tomar um cacete da mulher, o tal sexo frágil, e a moça é sequestrada, amordaçada, drogada, espancada e torturada psicologicamente.

Girl power

Girl power

Ao parar em um posto de gasolina para abastecer, conhecem a história do “Velho”, muquirana confinado a uma cadeira de rodas, podre de rico, avarento, rabugento, que mora em um rancho no meio do deserto com seus dois filhos, Kirk, o bonzinho reprimido e “Vegetal”, que tem um certo retardo mental e todo marombado pois vive se exercitando. Esse é o passaporte para as três mulheres fatais tentarem pegar a grana, despachar a dondoca que sequestraram e não precisar dançar nunca mais.

Mas por mais que o cenário pareça positivo, não vai ser moleza para as três conseguirem esse dinheiro. O Velho é um baita de um misógino que simplesmente odeia as mulheres devido a um distorcido senso de vingança, afinal foi uma mulher que fez ele quebrar a espinha em uma acidente de trem e ficar paraplégico, que usa seu filho brutamontes para raptá-las e violentá-las. Juntando todos esses elementos malucos, o filme vai ficando cada vez mais divertido, até seu final, principalmente os assassinatos e na forma com que vão acontecendo. E olha que o narrador também avisa no começo da fita: “Mas atenção, ajam com cuidado e não baixem a guarda”.

Faster… é lendário e importantíssimo para a história do cinema. É O FILME para quem é fã de Quentin Tarantino, Robert Rodrigues e cia, e acha que eles são originalíssimos e o maiores gênios que já andaram por essa terra. Faster… , por exemplo, é uma das grandes referências de Tarantino. Tanto que seu filme À Prova de Morte é uma homenagem rasgadíssima e ele. E também não deixe de ouvir a música tema, Run Pussy Cat do Bostweeds, para entender mais um pouco do que estou falando também sobre as influências musicais de Tarantino em suas produções.

Ippon!

Ippon!


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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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