188 – Morte Para um Monstro (1965)

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Die, Monster, Die!


1965 / Reino Unido, EUA / 80 min / Direção: Daniel Haller / Roteiro: Jerry Sohl (baseado no conto de H.P. Lovecraft) / Produção: Pat Green, Samuel Z. Arkoff e James H. Nicholson (Produtores Executivos) / Elenco: Boris Karloff, Nick Adams, Freda Jackson, Suzan Farmer, Terence de Marney


Morte Para um Monstro traz Boris Karloff no elenco, roteiro inspirado na obra de H.P. Lovecraft, e foi produzido pela American International Pictures de Samuel Z. Arkoff e James H. Nicholson. Isso já basta para assistir à esta fita.

Tudo bem que é um filme mediano, não é um dos grandes clássicos do horror do cinema dos anos 60 e também é apenas vagamente baseado no conto “A Cor que Caiu do Céu” do Rei do Indizível. Mas são 80 minutos bem gastos na frente da tela, graças ao enredo intrigante, todo o clima de suspense e tensão crescente de que algo realmente sinistro espreita na penumbra (atmosfera típica da obra de Lovecraft, por sinal) e a direção precisa de Daniel Haller em seu debute atrás das câmeras após se consagrar como Diretor de Arte das adaptações de Edgar Allan Poe dirigidas por Roger Corman.

Por sinal, Haller foi inclusive o diretor de arte de O Castelo Assombrado, filme de Corman com Vincent Price que também é adaptado de um conto de Lovecrat, O Caso de Charles Dexter Ward, então ele já conhece bem o território em que está pisando. E para mim, A Cor que Caiu do Céu é um dos mais assustadores e melhores contos do escritor americano, e é completamente cinematográfico. Hoje uma adaptação desse filme, nas mãos certas, com os recursos tecnológicos de efeitos especiais e técnicas de maquiagem avançadas, poderia ser espetacular. Mas como se sabe, é extremamente difícil transpor as palavras impressas de Lovecraft para as telas. E por isso mesmo, Morte Para um Monstro parte para o caminho da simplicidade, acertando em cheio.

O conto publicado em 1927 conta a história de um meteorito que caiu do céu nas proximidades da fazenda de Nahum Gardner, em Arkham, Massachussets (palco da maioria das histórias de Lovecraft), e uma misteriosa coloração alienígena desencadeou uma terrível força que começou a causar uma severa mutação na vegetação, fazendo-a crescer de forma desordenada, e atingindo também os animais e a família de Gardner, que foram à loucura e tornaram-se seres grotescos. Aqui em Morte Para um Monstro, o personagem vivido por Karloff, já debilitado, com a idade avançada e problemas de saúde, tendo que trabalhar em uma cadeira de rodas, é Nahum Witley, patriarca de uma família que vive reclusa por conta de seu pai, Corbin Witley, ter sido conhecido por práticas com o ocultismo e adoração de criaturas mitológicas das trevas (ao melhor estilo Lovecraft).

A cor que caiu do céu

A cor que caiu do céu

Stephan Reinhart (Nick Adams) é um jovem que chega até Arkham para visitar a filha de Nahum, Susan (Suzan Farmer). Ao desembarcar na cidade, já repara o comportamento estranho de todos os moradores, pois ninguém quer lhe dar informações sobre como chegar à residência dos Witley e tampouco levá-lo de carro ou sequer alugar uma bicicleta. Obrigado a ir a pé até a propriedade, no caminho ele passa por uma floresta com a vegetação toda incinerada e morta, como se algo tivesse caído no local e provocado aquele estrago, que no caso, sabemos que é o tal meteoro da história original.

Na residência, ele é constantemente maltratado pelo velho Witley, que tenta afastá-lo de qualquer forma e conhece Letitia, a enferma esposa de Nahum e mãe de Susan, que vive deitada em uma cama com um pesado véu negro, escondendo sua face, e diz para Reinhart ir embora dali e levar sua filha o quanto antes. Estranhos e aterrorizantes acontecimentos vão aguçar a curiosidade de Reinhart, que em suas investigações para descobrir o que há de errado, encontra uma estufa com a vegetação e legumes crescendo de forma desproporcional e horrendas criaturas deformadas vivendo em jaulas. Em cada um dos vasos das plantas há um fragmento verde brilhante, como um cristal, com uma poderosa capacidade radioativa que conferiu aquele aspecto tanto às plantas quanto àqueles animais. Além disso, a cor misteriosa foi responsável também pela morte dos empregados da casa de Witley e atingiu sua esposa Letitia, que vivia escondida exatamente por conta de sua horrenda aparência desfigurada, até cair morta certa noite.

Tendo sua vida e família completamente destruídas, Witley, com a ajuda de Reinhart decide destruir o meteoro que havia levado para o porão da casa, achando que utilizá-lo na plantação faria com que ele ajudasse a sua cidade e acabasse com a pecha que carregava por conta do infame Corbin. Mas um acidente acontece e Reinhart é bombardeado com os efeitos nocivos da cor, transformando-se em uma pavorosa criatura mutante de energia, completamente insana, emanando radiação luminosa, tentando matar sua filha e o genro. Karloff teve de ser substituído por um dublê para executar as cenas de ação e perseguição após sua transformação. Detalhe que Karloff já viveu anteriormente um personagem fosforescente vítima de exposição à radiação no clássico da Universal, O Raio Invisível, contracenando ao lado de Bela Lugosi.

Percebe-se muitos elementos que Daniel Haller já havia usado anteriormente nos filmes do Ciclo Poe de Corman, como uma fotografia escura, ambientação em uma mansão gótica velha e decadente, florestas sinistras com uma névoa que nunca se dissipa, árvores retorcidas, e tudo mais. E também vale salientar a excelente maquiagem de Jimmy Evans, muito bem aplicadas tanto nas indizíveis monstruosidades afetadas pela radiação, quanto na deterioração dos Witley no decorrer do longa. Morte Para um Monstro é uma ótima pedida para os fãs do terror sessentista e da obra de Lovecrat.

Na espreita!

Na espreita!


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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] vendido como uma adaptação do escritor de Baltimore), baseado em O Caso de Charles Dexter Ward, e Morte para um Monstro, de Daniel Haller, adaptado de A Cor que Caiu do Céu, que também trazia Boris Karloff nos […]

  2. […] Depois foi a vez de “A Cor Que Caiu do Céu” ter sua versão cinematográfica em Morte Para um Monstro, que é dirigido por Daniel Haller, mesmo de Altar do Diabo, que por sinal era diretor de arte do […]

  3. Regis disse:

    Um absurdo ter que pagar pra fazer download de um clássico que deveria ser grátis a todas as pessoas

  4. […] lembrar que o mesmo conto já fora adaptado anteriormente para o cinema nos anos 60, no filme Morte Para um Monstro, estrelado por ninguém menos que Boris Karloff. Essa fita ítalo-americana foi produzida por […]

  5. […] 4- Morte Para Um Monstro (1965) […]

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