19 – O Médico e o Monstro (1931)


Dr. Jekyll and Mr. Hyde


1931 / EUA / P&B / 98 min / Direção: Rouben Mamoulian / Roteiro: Samuel Hoffenstein, Percy Heath (baseado na obra de Robert Louis Stevenson) / Produção: Adolph Zukor (Produtor Executivo, não creditado) / Elenco: Fredric March, Miriam Hopkins, Rose Hobart


 

Certa vez, foi publicado aqui no Brasil uma coletânea com três dos principais contos de terror da história da literatura em um único livro: Drácula, de Bram Stoker, Frankenstein, de Mary Shelley e O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson. Os três no ano 1931 ganharam suas adaptações cinematográficas, e possivelmente, suas versões mais conhecidas nos cinemas.

O Médico e o Monstro é o contra-ataque da Paramount aos filmes de monstro da Universal, em mais uma adaptação das páginas para a tela. Por mais que não tenha uma equipe de produção e maquiagem como da concorrente, o glamour, os astros e o mesmo reconhecimento atemporal dos filmes da Universal, O Médico e o Monstro tem um grande trunfo nas mangas: Fredric March.

O ator que interpreta impecavelmente a dualidade do altruísta e complacente Dr. Jekyll e a criatura amoral e sem escrúpulos Mr. Hyde. O filme arrebatou três estatuetas do Oscar® em 1932, uma de melhor ator para March e outras duas, de melhor Diretor de Fotografia para Karl Struss e também de melhor roteiro adaptado.

Dr. Jekyll, brihante e altruísta médico…

Para quem ainda não conhece o conto, o Dr. Jekyll é um brilhante médico, que acredita que pode separar o superego do id das pessoas, através do uso de substâncias químicas. Prestes a se casar, porém com o sogrão adiando o matrimônio ao máximo, Jekyll acaba sentindo-se atraído por Ivy Pearson, uma cantora de cabaré, a quem atende durante uma ocorrência na rua. Com a noiva viajando por um mês obrigada pelo pai, Jekyll resolve colocar à prova todos seu desejo reprimido através de seu alter-ego, Mr. Hyde, que nasce quando ele prova sua própria poção. E o Hyde traz à tona todas as vontades e libidos trancafiadas a sete chaves na psique humana de Jekyll, transformando-o em um canalha, exageradamente autoconfiante e extremamente agressivo, fazendo a pobre Ivy de gato e sapato. Porém, a mutação também afeta suas características físicas, deixando-o como um ser simiesco, peludo e por consequência, aumentando sua força e agilidade.

Confesso que ao ver a fita, fiquei extremamente decepcionado com a aparência de Mr. Hyde. A transformação utilizando trucagem deve ter sido um choque na época, mas a maquiagem do monstro ficou bem tosca na minha opinião. Tá, eu sei que era a década de 30, mas é só ver o quão bacana ficou a maquiagem do monstro de Frankenstein, por exemplo. Mas a feição de macaco, os pelos, mandíbulas salientes e até o novo corte de cabelo, claramente inspiraram a maquiagem usada em Lon Chaney Jr. para O Lobisomem, mais adiante.

A atuação de Fredric March é o ponto alto do filme, e podemos dizer que ele leva toda a produção nas costas, principalmente quando encarna o detestável Mr. Hyde. Assim como os comparsas Drácula eFrankenstein, O Médico e o Monstro tem seu valor histórico dentro dos primórdios do cinema de horror, e vale ser conferido.

… que se transforma no grotesco e imoral Mr. Hyde!


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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] visuais na época e o responsável pela maquiagem ser o brilhante Jack Pierce, Frankenstein, O Médico e o Monstro e A Ilha das Almas Selvagens, por exemplo, já haviam nos apresentado um trabalho muito mais […]

  2. […] criar as feras, que no ano anterior, tinha sido responsável pelo visual simiesco do Mr. Hyde em O Médico e o Monstro. Segundo pela fotografia expressionista que sempre passa a impressão de confinamento (no caso […]

  3. Douglas disse:

    link quebrado

  4. Daniela disse:

    Eu amo este filme. Nenhuma outra versão foi tao boa quanto essa. A que chega perto é a de 1920 de John S. Robertson. Mando aqui um link para minha crítica desta versão:

    http://www.cinema-sempre.blogspot.com.br/search?updated-max=2013-01-28T11:38:00-08:00&max-results=1

    Thanks.

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