200 – A Dança dos Vampiros (1967)

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The Fearless Vampire Killers 

1967 / EUA, Reino Unido / 108 min / Direção: Roman Polanski / Roteiro: Gérard Brach, Roman Polanski / Produção: Gene Gutowski, Martin Ransohoff (Produtor Executivo) / Elenco: Roman Polanski, Jack McGowran, Alfie Bass, Sharon Tate, Ferdy Mayne

 

“Quem disse que vampiros não são objeto de riso?”. Com esse mote, Roman Polanski nos presenteia com a sua irreverente paródia ao universo vampiresco, principalmente com relação ao estilo de filmes dos sugadores de sangue que a inglesa Hammer vinha imprimindo durante o final de década de 50 e toda a década de 60. Comédia anacrônica e debochada, A Dança dos Vampiros foi a primeira investida do diretor no cinema americano.

Para mim, a equação é simples. A Dança dos Vampiros está para os filmes de vampiro assim como O Jovem Frankenstein está para os filmes de Frankenstein e Todo Mundo Quase Morto está para os filmes de zumbi. É uma obra imprescindível de Polanski para todo e qualquer fã do gênero e que se diz adorador da mitologia vampírica, pois somente com uma crítica rasgada em forma de comédia bufona, que conseguimos entender o quão ridículos podem ser as tramas que envolvem os mortos-vivos e todas as suas idiossincrasias, e captar o verdadeiro porquê de adorarmos de verdade todo esse exagero.

Vindo depois do perturbador Repulsa ao Sexo, e antes da obra prima O Bebê de Rosemary, A Dança dos Vampiros foge da curva de toda a filmografia do diretor polonês. Despretensiosíssimo e com a veia cômica saltada na medida certa, a história simples traz dois caçadores de vampiros, Professor Abronsius (paródia de Abrahan Van Helsing da história original de Bram Stoker) e seu ajudante medroso e atrapalhado, Alfred (vivido pelo próprio Polanski, que aqui quando novo tinha a cara do Ayrton Senna) que não tem nada de destemidos, como supõe o título sarcástico, e muito menos de eficientes. Eles estão na terrível Transilvânia em pleno inverno brutal para seguir sua peregrinação em encontrar, estudar, e claro, acabar com essa raça das trevas.

Ahhhhhh, Sharon Tate...

Ahhhhhh, Sharon Tate…

Ao pararem na estalagem absurdamente clichê, com seus alhos pendurados em todos os cantos e aldeões supersticiosos entupindo-se de cervejas e linguiças, ficam hospedados sob a tutela do estalajadeiro Shagal, sua obesa esposa Rebecca, e sua filha Sarah, interpretada por uma estonteante e deliciosíssima Sharon Tate, que passa grande parte da película nua tomando um banho de espuma. Parêntese para lamentar o horror e o desperdício da morte da atriz, assassinada pela família Manson. Obviamente haverá um ataque de vampiro no local, pois o Conde Von Krolock (Iain Quarrier) e seu capanga corcunda precisam de carne fresca para alimentar seus convidados no baile anual de inverno que o vampiro mor promove todos os anos em seu castelo.

A primeira vítima é Shagal, que vai se transformar em uma espécie de Reinfield paspalhão. A segunda, obviamente é Sarah, que é raptada pelo Conde. Alfred, que já havia ficado perdidamente apaixonada pela garota ruiva, dirige-se com seu mestre, uma espécie de Albert Einsten caçador de vampiros, até o castelo, onde irão vivenciar diversas facetas de comédia de situação misturada com cenas de trapalhadas físicas ao melhor estilo slapstick. Mas as grandes piadas vem exatamente nas situações absurdas que os dois fracassados são obrigados a se submeter, como por exemplo, a ineficiência de Alfred em conseguir enfiar uma simples estaca de madeira no coração do morto-vivo enquanto Abronsius está entalado em um buraco, ou os gracejos com personagens estereotipados, abusando de situações politicamente incorretas, como Alfred ter de lidar com o filho gay do Conde Von Krolock, ou mesmo a cruz não causar nenhum efeito no vampiro judeu Shagal.

Mas o ponto alto do filme é exatamente o tal baile de gala, onde todos os vampiros convidados diretamente de suas tumbas, fazem um gigantesco cerimonial de dança como se estivessem na corte de Luís XV, devidamente vestidos à caráter e praticando as coreografias de época, ensaiadas por Tutte Lemkow, que havia trabalhado anteriormente em Um Violinista no Telhado. Os dois patéticos caçadores se infiltram no baile, também vestidos à rigor, e mostram toda sua destreza durante o grande evento, arquitetando um plano para que consigam fugir do local com vidas, e resgatando Sarah da iminente morte que virá daquela enorme quantidade de presas sedentas de sangue. É hilário.

Destemidos caçadores de vampiros!

Destemidos caçadores de vampiros!

Polanski, acostumado com baixos orçamentos, aqui onde teve mais de 2 milhões de dólares para gastar, resolveu fazer de A Dança dos Vampiros o seu filme impecável. Investiu pesado contratando alguns dos melhores técnicos do cinema britânico. Com completo domínio narrativo, cenários vistosos, fotografia à cores, locações nos Alpes, vestuário elaborado e coreografia adequada para um determinado período épico, entregou exatamente a sua visão detalhadamente planejada, colocando mais de si neste filme do que já havia feito anteriormente, tanto que cada linha do roteiro reflete o humor negro sagaz do diretor e roteirista, mente perturbada como bem sabemos, e a ideia da perdição do ser humano em meio à escuridão, cobiça, luxúria e sexo. Prova disso é o final pessimista, sádico e hilário ao mesmo tempo.

Mas Polanski acabou tendo muitos problemas com o filme já finalizado. Apesar de considerá-lo perfeito, a MGM para lançá-lo no mercado americano praticamente ignorou o seu corte final e praticou diversas mudanças e edições no filme para deixá-lo mais cartunesco e menos sombrio, trazendo grande indignação ao diretor. Quando lançado nos cinemas, havia duas versões do filme: a americana e a europeia. Hoje, a versão que sobreviveu ao tempo foi o corte do diretor. E mesmo com a recepção fria da crítica com relação ao filme, a fita tornou-se um sucesso de público.

E além de tudo já citado neste texto, A Dança dos Vampiros tem a sua imensa importância histórica por haver sido responsável em catapultar de vez a carreira de Polanski como diretor e de Sharon Tate como atriz, que mais tarde se casaria com o polonês, e principalmente fazer com que o produtor Robert Evans descobrisse Polanski e seu trabalho, lhe valendo o convite para dirigir o clássico sem precedentes de terror O Bebê de Rosemary, que seria seu próximo longa.

Morra, criatura da noite!

Morra, criatura da noite!

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

7 Comentários

  1. Este é um clássico eterno. Assisti quando bem criança, e mesmo sabendo que era comédia ainda me assustava. Polansky é ótimo. 8)

  2. […] mim, O Jovem Frankenstein está para os filmes de Frankenstein como a A Dança dos Vampiros está para os filmes de vampiros e Todo Mundo Quase Morto está para os filmes de zumbi. Apesar de […]

  3. Heduardo gloria disse:

    Eu não tinha nascido ainda quando lançaram esse Filme ! Mas depois olhei com minha tia anos depois !
    Procurei pelo filme na internet e fiquei chocado com a Morte da Atriz Sharon Tate
    No filme , ela é muito linda !
    Imagina na Época do Filme !
    Mais linda ainda .

  4. Cian disse:

    Não acho o Herbert um personagem estereotipado, ao contrário. Se ele o fosse, ele teria algum corte de cabelo estúpido e voz afeminada. Acho ele um tanto quanto excêntrico, me lembra um Willy Wonka da vida, mas não um gayzinho estereotipado, não…
    Aliás, Herbert me parece esteticamente uma fusão do Lestat com o David Bowie. Super cool.

  5. André Luiz A.S disse:

    Eu amo esse filme ele fez parte da minha infância acordado madrugada a dentro vendo filmes. Mesmo nascendo 10 anos depois do filme ter sido feito. Sharon Tate linda, o cenário enfim tudo. É o clássico da minha vida.

  6. […] que isso aqui é um blog de terror. Afinal o filme tem múmia! É nosso O Jovem Frankenstein ou A Dança dos Vampiros, dada suas devidas […]

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