2018 Parte II – Demônios, espíritos, gente ruim, cultos, serial killers e monstros

De volta para o melhor e pior do segundo semestre


Em meados desse ano que se encerra, me propus a descrever semestralmente, o cenário de horror correspondente, num esforço de observar tendências e movimentos notáveis nesse período e nos anos vindouros. Na época, discorri sobre cerca de trinta filmes e algumas séries, apontando temas recorrentes e sub-gêneros mais prolíficos dentre estes. Agora retorno com um apanhado geral, englobando ao menos quarenta outros títulos, que perambulam entre os quatro cantos do mundo, encaixados em blocos temáticos.

De prontidão já exalto a elevação do cinema de horror nacional a um patamar nunca antes visto, com dúzias de produções ativas e diversos títulos alcançando distribuição no chamado “cinemão de shopping”, disputando espaço com longas internacionais. Como não adorar um ano em que foi possível prestigiar A Mata Negra, de Rodrigo Aragão, na sala ao lado do arrasa-quarteirão Aquaman, de James Wan.

Nos Estados Unidos, em meio à novos clássicos portentosos, persiste a onda das refilmagens e revivals, sempre buscando no passado garantias de sucesso para o presente, obtendo resultados que vão de Suspiria à Hellraiser: Julgamento. Também persistem os famigerados enlatados, despejados com frequência nas principais salas de cinema.

Em outros cantos do mundo, percebo um constante movimento em direção a si mesmo, buscando inspiração no folclore e nas raízes. Certos temas permanecem recorrentes, como o nosso terror politizado, a pegada sempre visceral e corporal dos franceses e a eterna luta pelo espírito, por parte dos asiáticos. Também noto maior confiança na apropriação de temas comuns ao cinema americano, realizados com peculiaridades de cada lugar por cinemas de horror emergentes, como no caso do brazuca O Segredo de Davi ou do argentino Aterreados, que lidam com assassinato em série e ceánces, respectivamente.

O objetivo principal é, ao longo deste panorama pontuar alguns elementos repetidos ou que me chamaram a atenção seja lá por qual motivo. O enfoque é mais no conteúdo do que na qualidade, apesar de certas críticas escaparem aqui e ali. Esta semana já sai o TOPE NOVE do editor do 101 Horror Movies e na segunda semana de janeiro, cada membro do corpo redatorial deixará seu ranking com os melhores do ano, complementando este artigo e falando um pouco mais nesse quesito: qualidade.

Recomendo que abram um bloco de notas ou um caderninho antes de começarem a ler, pra deixar registrado tudo que te interessar.

Boa leitura!

O Demônio Que Conhecemos

É na mata atlântica que Rodrigo Aragão situa seu mais novo – e melhor – filme, o folgore A Mata Negra, estrelado pela própria filha, Carol Aragão, no papel de uma jovem que, dotada do livro perdido de Cipriano, se embrenha em rituais satânicos e perversos que repercutem a sua volta. Como de costume ao cineasta, há um entrelaçamento entre elementos mitológicos brazucas e o profano cristão, que dão ao título um gostinho todo especial daquele Brasil raíz.

Nossos hermanos argentinos também contribuem para o tema com Luciferina, suposto início de uma trilogia a ser realizada pelo cineasta Gonzalo Calzada, que cruza dilemas mundanos adolescentes com um secto maligno que venera o diabo. Apesar de pender para o cristianismo como descrito por seu Papa Francisco, Calzada abraça a ayahuasca em filme, apontando para as raízes indígenas sul americanas.

Aliás, aproveitando o gancho, o próprio Rodrigo Aragão comentou na pré-estreia de seu A Mata Negra que espera que seja a hora e a vez do cinema de horror latino americano, como foi outrora do italiano, japonês, francês.

Outros dois títulos que atualmente disputam um lugar na minha lista final de melhores do ano são o basco Errementari – O Ferreiro e o Diabo e o indiano Tumbbad. O primeiro é adaptação do conto “O Ferreiro e o Diabo”, tradicional do País Basco. A história carrega uma certa inocência que aponta para os contos de fada, ao mesmo tempo que apresenta uma visão medieval sobre o inferno e os demônios, bem incomum nos dias de hoje.

Enquanto isso, Tumbbad se faz valer do migo do deus sombrio Hastar, para criar uma trama sobre ganância, diferente de tudo que já vi. O cinema de horror de Bollywood existe totalmente em paralelo ao americano, produzindo talvez até mais obras que a terra do tio Sam. Certas peculiaridades desse cinema não me apetecem muito, daí meu pouco conhecimento geral sobre o que é produzido por lá. Tumbbad traz certos traços bem típicos, como o uso de canções em meio a narrativa. Ainda assim, tanto o conceito quanto a representação do “mal” são tão ímpares, que valem a investida nesse território. Aproveito para indicar ainda a minissérie Ghoul: Trama Macabra, que foge bastante da pegada bollywoodiana e se encontra disponível na Netflix, assim como Errementari.

Sem sair do serviço de streaming, mas rumando um pouco mais para o sudeste asiático, temos o indonésio Fortuna Maldita, do monstro do cinema de gênero, Timo Tjahjanto. Sem mais delongas, trata-se de uma fita descompromissada que encarna A Morte do Demônio de Sam Raimi, mas fundamentando-se nas tradições religiosas daquele país.

Também da Indonésia, a boneca endemoniada Sabrina é obra do cineasta Rocky Soraya, que anda realizando filmes de horror no quilo.  Nada mais que uma cópia de Annabelle, Sabrina é parte de uma franquia que também introduz capirotos em bonecas horripilantes. Aos interessados na galhofagem, vale conferir a obra continuamente extensa de Soraya, que sempre pipoca nos serviços de streaming.

Pegando o gancho das bonecas malditas, abro um pequeno parêntese para comentar sobre o insanamente gore e anti-ético Puppet Master: The Littlest Reich, que integra a franquia bagaceira Mestre dos Brinquedos.

Antes de explorar outros lados do horror sobrenatural, aponto November como outra opção viável nessa pegada folclórica, que mostra um demônio brincalhão de encruzilhada e diversas outras bizarrices do imaginário popular da Estônia. Falando em leste europeu,

Por último cito A Freira, expoente máximo do horror enlatado mundial, que desdobra, mais uma vez, a franquia Invocação do Mal. O demônio Valak que, em seu próprio figurino, corrompe o imaginário católico ocidental, parece dialogar com as massas de modo poderosíssimo, levando multidões ao cinema e sendo o filme mais procurado do ano no Brasil, segundo os insights do Google.

Aliás, vale lembrar que também foi ano das freiras, já que os pinguins também figuraram em A Maldição da Freira, ótimo found footage irlandês, Beatus ou Welcome to Mercy, que se passa na Letônia envolvendo o bom e velho tema de possessão, exorcismo, conventos e stigmatas e a decepção com Xavier Géns e seu Exorcismos e Demônios, candidato aos piores filmes do ano, onde uma esposa de cristo fora possuída pelo Cramunhão.

Espíritos Inquietos

Impossível falar de assombrações sem trazer para a conversa a série A Maldição da Residência Hill, talvez a segunda maior obra de terror de 2018, perdendo apenas para Hereditário. A série em 10 episódios reimagina a clássica novela, já adaptada diversas vezes no cinema, transformando-a em um drama familiar intrigante e genuinamente assustador. Não surpreende que venha das mãos de Mike Flanagan, dos diretores mais proeminentes do gênero nos Estados Unidos.

Para quem já maratonou o seriado, recomendo que procure The Witch in the Window, filme pequeno mas bastante efetivo, com muito pontos em comum com a obra de Flanagan.

Um adendo importante: Aqui no Brasil vivemos a febre Netflix a todo vapor. Aos poucos a Amazon Prime vai se infiltrando nos lares brasileiros também, assim como outros serviços brotam da TV a Cabo, como o HBO GO, FOX Premium e Globo Play. Para nós, fãs do horror, vale aguardar a chegada do Shudder, serviço de streaming inteiramente focado em terror, que além de um catálogo extenso com curadorias ocasionais de realizadores que atuam na área, tem se dedicado a produção de originais, como o filme acima citado e o seriado Dead Wax.  

Uma das piores fitas do ano é Mara, enésima tentativa fracassada de trazer paralisia do sono para o mundo do cinema. A entidade que dá nome ao título é algo entre espírito vingativo e demônio do sonho, daqueles que lutamos para esquecer.

Em compensação, o argentino Aterrados faz o que pode para que ninguém mais durma. O longa traz um toque sobrenatural que remete a Sobrenatural, de James Wan, mas o faz de forma absolutamente grotesca e, como o próprio título já sugere, aterradora. Depois da turminha de Paimon, a infestação do além presente nesse filme é a última coisa que eu gostaria de encontrar na minha vida. Quiçá até pior que o demônio!

Outros dois longas que abordam temas fantasmagóricos são O Segredo de Marrowbone e Ghost Stories. É interessante situá-los aqui nessa categoria, pois ambos têm em comum um final que dá um giro de 180°, mostrando que nada é o que parece ser. Nesse aspecto, o primeiro é bem mais simplório e tradicional, ao passo que Ghost Stories é, sem dúvidas, um dos filmes mais inventivos do bando.

Correndo o risco de ter esquecido alguns outros, encerro essa seção com Down a Dark Hall, fita genérica e apagada, estrelando a atriz Uma Thurman e uma turma (HA!) de garotas adolescentes problemáticas em um internato só para meninas… e fantasmas.  Mais chato que escola de verdade.

Gente Ruim e Cultos Malditos

Saindo de um internato e entrando em outro, Boarding School é, sem sombra de dúvida, o filme superior. Saem de cena os fantasmas do passado e assumem seu lugar pessoas pra lá de ruins e um garotinho com sérios desvios psicológicos. Uma grata surpresa.

A maldade humana toma contornos ainda piores em Unfriended: Dark Web, sequência daquela fita de 2016 totalmente situada numa tela de computador. Abdicando do sobrenatural pelo mundano, Dark Web tem uma das tramas mais bem elaboradas e cruéis do ano, de fazer qualquer um ficar com medo de ir online. Apesar de ser uma sequência de Unfriended, traz muito mais semelhanças temáticas com The Den, também de 2016.   

Saindo do topo e descendo ao fundo do poço, dois dos piores do ano figuram aqui nessa turminha de gente ruim. Um é Perigo na Escuridão, remake higienizado e desnecessário do fabulosamente sanguinolento A Invasora. Se esse aqui peca pela falta de personalidade próprio, o outro peca pela pretensão colossal.

Trata-se de The Farm, longa maçante que acredita piamente estar destruindo a cultura do consumo de carne ao apresentar por uma hora e meia um grupo de canibais usando máscaras de animais em uma fazenda de humanos. O filme parece acreditar que inventou o gênero canibal caipira e que, com todo seu vegan power, está lançando uma grande provocação. O Touro Ferdinando sem dúvidas faz um trabalho melhor em conscientizar a população.

A maldade humana ainda é mote central de The Dark, que mescla elementos de tráfico humano, ou algo que o valha, com violência doméstica, resultando em verdadeiras monstruosidades metafóricas.

O Animal Cordial, orgulho nacional de Gabriela Almeida Amaral também mostra a explosão do destempero do brasileiro médio em situações limites, assim como Mal Nosso, de Samuel Galli, com maquiagem do mestre Rodrigo Aragão, que conversa tanto com a brutalidade de um matador de aluguel, quanto encostos, capetas e espiritismo, tudo junto e misturado.

De volta ao primeiro semestre tivemos alguns títulos relevantes lidando com a questão do culto em torno de entidades, como Hereditário e O Culto. As potencialidades do tema são exploradas de outros modos nesse segundo semestre, em películas como Mandy, Housewife e Apóstolo.

Cabe à Mandy, e apenas a ele, o título de filme mais alucinógeno e alucinado de 2018. A trama de vingança contra um líder cultista estrelando Nicolas Cage equipara-se somente ao trabalho anterior do diretor Panos Cosmatos, Beyond the Black Rainbow. Um festival de cores intensas e imagens loucas fazem deste a obra mais transcendental do ano.

Housewife, longa que segue o trabalho do turco Can Evrenol, que fez do horror sua casa, opta por um culto com desdobramentos lovecraftianos, mesmo que com um carinho todo especial pela violência gráfica e pelo choque. A escolha de Evrenol em colocar atores turcos falando em inglês me causa um estranhamento até maior que o próprio culto. Os minutos finais, no entanto, merecem todos os aplausos.

Apóstolo é a milionésima vez que retorno à Netflix – e não será a última – para falar de cinema de horror. Primeiro filme fora do cenário da ação extrema – mas não totalmente livre do mesmo – de Gareth Evans , o longa traz elementos folclóricos e um monstro incrível, envolta do qual se constrói toda uma comunidade religiosa.

Um outro “original” Netflix que particularmente considero uma incógnita é Noite de Lobos, de Jeremy Saulnier. Apesar de ter elementos que apontam para um culto em torno de alguma entidade indígena… ou nórdica… não se decide por um caminho, adotando tantas faces que termina por se limitar à um apanhado de esquisitices e violência entre homens , lobos e neve.

Cidadãos de Bem

Nada é mais assustador que um cidadão de bem. Aquele sujeito garboso, cheio de si, que acredita na própria farsa, assim como costumam fazer os serial killers, merecedores de um bloco todo especial.    

O primeiro cidadão de bem atende pelo nome de Jack, mas pode chamá-lo também de Sr. Sofisticação. Protagonista de A Casa Que Jack Construiu, de Lars von Trier, o personagem de Matt Dillon é, sem sombra de dúvida, o ser humano mais monstruoso que apareceu numa tela em 2018. Como esperado deste cineasta tão amado no âmbito cult, por quem não nutro nenhum interesse em particular, o filme é controverso, afrontoso e esteticamente impecável.

O segundo da lista é Davi, jovem paulistano que tem como hobbies o voyeurismo e o assassinato. Outro triunfo do cinema nacional, O Segredo de Davi nos coloca diante de uma trama rocambolesca, cheia de reviravoltas e dotado de uma estética marcante e um protagonista adoravelmente mal.

O simpaticíssimo Wayne também integra esse grupo seleto. Esse policial amigável e receptivo se torna alvo das investigações de um grupo de adolescentes no surpreendentemente pessimista Verão de 84, mais um pra lista de throwback anos 80.

Outro sujeito admirável e modelo de comportamento em sua comunidade é o cortez Don, interpretado por Dylan McDermott, inspirado no infâme BTK Killer. The Clovehitch Killer recebe esse nome por conta de um tipo de nó utilizado por Don para marcar suas vítimas e fazer o que mais gosta, quando ninguém está olhando: amarrar, torturar e matar.

Na turma dos mascarados, aquele que lançou a tendência retorna outra vez, para espalhar o terror na noite de Halloween.  O agora vovô Michael consegue fugir do manicômio e chegar até Haddonfield, na sua eterna busca por Laurie Strode. Dirigido por David Gordon Greene e com produção de John Carpenter, o novo Halloween faz as vezes de revival, com uma pitada de remake e um tantinho assim de… comédia?

Fato é que Michael não é o único cidadão de bem mascarado que curte espalhar o caos no Halloween. O Outro também curte deixar a família em casa e visitar parques temáticos de terror, anualmente, com o intuito de matar o maior número possível de jovens estúpidos. E o Parque do Inferno é o cenário perfeito para essa matança.

Monstros nos Armários

A trajetória imortal de Michael Myers faz dele mais um monstro que um serial killer/assassino em massa. Talvez até se encaixasse melhor aqui neste bloco, ao lado dessas outras monstruosidades.

Atacando no campo da ficção científica e sempre pendendo mais para o cinema de ação que para o de horror propriamente dito, está O Predador, nova entrada na franquia trintona. A proposta atual dos caçadores intergalácticos é atualizada com base no universo dos super heróis e tenta – de forma frustrada, diriam muitos – levar a série para um novo caminho. Permanecendo um pouco mais nesse campo de tiro, porrada e bomba, fica o comentário feat provocação, com a inclusão de Upgrade nas listas de filmes de terror. A fita de Leigh Whannell se faz valer de tropos característicos do nosso gênero, mas navega muito mais por mares de pancadaria e ficção científica. Sem dúvidas um daqueles filmes que nos faz questionar o próprio conceito de gênero cinematográfico.

Megatubarão é outro que integra a lista. O próprio título já fornece toda informação necessária. É um verdadeiro pipocão com o astro da porrada Jason Statham, que conquistou seu público, especialmente na China, o que basicamente garante uma sequência. Felizmente a cena de horror americana ainda não está sob influência do mercado chinês, cada vez mais relevante no negócio hollywoodiano. O Megatubarão não foi o único  animal selvagem desproporcionalmente grande que deu as caras em 2018, diga-se de passagem. O megajavali Boar é ótima pedida pra quem quiser uns monstrões do outback com efeitos práticos e gore.

Um monstro que já nasceu problemático foi Slender Man: Pesadelo sem Rosto. O grande problema, na verdade, foi ter surgido já alguns anos após a popularidade do figurão das creepypastasO doppelganger – vulgo gêmeo maligno – talvez se enquadre melhor no âmbito do folclore, ou até das assombrações. Mas optei por enquadrar a entidade que aterroriza a camgirl  do original Netflix Cam sob a tutela dos monstros, já que sua real natureza é misteriosa. Semelhante ao que acontece em  Unfriended: Dark Web, a internet é apenas o meio pelo qual o mal se manifesta.

Por último, mas não menos badalado, Bird Box, outro original Netflix que ganhou a boca do povo com a campanha de marketing maciça nessa reta final de 2018. Estrelando Sandra Bullock, a fita baseada no livro homônimo não consegue transferir todas as ideias interessantes do papel para a telinha e sofre com uma performance sofrível de Bullock, levando assim o título de “versão ruim” de Um Lugar Silencioso.

O Horror nos Tempos de Guerra

Apesar de costumeiramente citar zumbis sob o título de monstros, essas poucas fitas em questão mereceram uma atenção extra, por terem em comum o militarismo como pano de fundo.

Operação Overlord é indubitavelmente o mais conhecido aqui. Citado na análise do primeiro semestre como outra sequência de Cloverfield, mostrou não ter relação nenhuma com a franquia de J.J. Abrams, apesar de ter se aproveitado bem desse boato. Situado na Segunda Guerra Mundial, coloca um pequeno destacamento yankee em território inimigo dominado por soldados nazistas e experimentos científicos cruéis, na forma de zumbis Capitão América, popularmente conhecidos Super Soldados mortos-vivos e imortais.

Já na primeira Guerra Mundial, outro experimento biológico resultou em zumbificação em massa. Em Trench 11, um grupo de soldados encurralados em um complexo de labirintos subterrâneos precisa lidar com soldados infectados por um verme parasita mega nojento que controla seus hospedeiros, transformando-os em assassinos loucos.

Patient Zero finaliza a trinca com sua proposta muito semelhante à de Dia dos Mortos. Um complexo militar é o último recurso da humanidade contra zumbis cada vez mais evoluídos. Nada brilhante, mas claramente superior a monstruosidade que foi o último remake do filme de Romero, lançado no começo deste ano.

Militarismo também perpassa Puppet Master: The Littlest Reich e Noite de Lobos, além do próprio O Predador.

Na telinha

Na televisão, o horror ainda brilhou com a adaptação do quadrinho O Mundo Sombrio de Sabrina, que traz a bruxinha adolescente dos anos 90 para um mundo pós A Bruxa. Apesar de considerar A Maldição da Residência Hill uma obra superior, as aventuras de Sabrina foram minhas favoritas, não há dúvidas.

The Walking Dead se reinventou, para continuar na luta por audiência. Enquanto isso, Ash Vs Evil Dead chegou ao fim, mesmo com as críticas positivas. Em seu lugar, Preacher continua dando aquela sensação de diversão politicamente incorreta e blasfema como seu substituto. O vampiresco Hellsing e seu parceiro de SyFy Channel, Z Nation, continuam firmes e fortes com novas temporadas, assim como American Horror Story retornou pela oitava vez, trazendo de volta antigos personagens.

As antologias Eu Vi e Você Não Vai Dormir ofereceram horror em pílulas, com episódios de curta duração e sem continuidade. Assim como Lore, da Amazon Prime, que transformou um podcast em série televisiva sobre as origens de algumas das histórias de terror que tanto conhecemos.

E as creepypastas andam muito bem representadas, obrigado, em Channel Zero, e ainda duas vezes no ano, no tétrico e grotesco Butcher’s Block e no irregular, porém, bizarro, Dream Door, que traz, se pá, o monstro mais creepy do ano, o palhaço contorcionista Jack Pretzel.

E claro, como não podia faltar, o mestre do horror Stephen King esteve presente via Castle Rock, produção de J.J Abrams que é um deleite cheio de easter eggs e referências para o fã do ganhador do Troféu Golden, e a segunda temporada de Mr. Mercedes, com mais uma vez, Brendan Gleeson e Harry Treadaway magnânimos.

Esnobados e Esquecidos

Infelizmente o tempo útil para assistir filmes não me permitiu um contato ainda maior com os lançamentos. Curiosamente, para além dos sessenta e cinco títulos que conferi nesse ano, minha listinha de espera continha ao menos outros sessenta e cinco títulos de todo gênero, número e grau. Muitos deles de difícil acesso, ou nunca lançados por aqui. Outros só ficaram de lado por azar do destino em detrimento de pérolas como The Farm e Mara, dois dos piores de 2018.

Dentre os esnobados, o que mais lamentei não poder assistir foi a reimaginação de Suspiria, pelas mãos do italiano Luca Guadagnino. Ainda sem distribuição no Brasil, essa nova visão inspirada na obra de Argento figurou em praticamente todas as listas de melhores do ano lá fora. Por aqui, ficamos a ver navios. Sem distribuidora, esperamos que mais uma vez, o streaming nos salve, já que ele é uma produção da Amazon e tem seu lançamento cravado no Prime Vídeo para janeiro agora, pelo menos na gringa.

Alguns outros títulos que anseio poder assistir o mais rápido possível são o musical zumbi Anna e o Apocalipse; aquele tido como Os Mercenários do universo de terror, Death House; o psicodélico Luz; o aparentemente alienígena Await Further Instructions; a luta épica contra monstros no Sul Coreano Rampant; o esteticamente impecável Liverleaf, oriundo do Japão e o brasileiríssimo Morto Não Fala e tantos, mas tantos outros, que dá vontade de escrever uma parte III deste artigo.

No Fim das Contas…

2018 foi um ano excepcional, dotado de um grupo seleto de obras de arte de altíssimo nível e um número incalculável de filmes bons. E é aí que o ano mais destaca. Pouquíssimos filmes discutidos aqui foram realmente ruins, execráveis. A probabilidade de escolher algo às cegas e se deparar com uma experiência ao menos positiva é altíssima.

Como mencionado anteriormente, ao longos dos próximos dias, cada redator do nosso site publicará o próprio TOPE NOVE, esbanjando preferências polêmicas. A variedade de títulos que estarão presentes nessas listas há de reforçar tudo isso.

Agradeço imensamente à todos que chegaram até aqui – não é um texto pequeno, eu sei – e que acompanharam o 101 Horror Movies ao longo de mais um ano de labuta. Espere um trabalho ainda mais “maduro” e relevante para o próximo ano. E que 2019 seja tão incrível para o nosso amado gênero, quanto este que se encerra.

Ah, pra finalizar, só aquele lembrete de que Hereditário é o filme de terror do ano. Eu e Paimon desejamos Feliz Ano Novo!


Daniel Rodriguez
Daniel Rodriguez
Formado em psicologia, professor, futuro roteirista e fã incondicional do terror, tanto no cinema, quanto na TV, literatura e quadrinhos. Mais que estudar o gênero, quer ser um historiador do horror para sua geração e futuras. E ao contrário do estereótipo do mineiro quieto, adora alimentar uma treta.

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