202 – Frankenstein Criou a Mulher (1967)

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Frankenstein Created Woman

1967 / Reino Unido / 86 min / Direção: Terence Fisher / Roteiro: John Elder / Produção: Anthony Nelson Keys / Elenco: Peter Cushing, Susan Denberg, Throley Walters, Robert Morris, Peter Blythe

 

Parodiando o filme de Brigitte Bardot, E Deus Criou A Mulher, aqui Frankenstein Criou a Mulher. O filme mais nonsense da franquia da Hammer, fugindo completamente de qualquer tipo de argumento baseado no original de Mary Shelley, resultado numa divertida e interessante bobagem sem tamanho do estúdio inglês.

Com a volta do diretor Terence Fisher à série (responsável pelos dois primeiros filmes, A Maldição de Frankenstein e A Vingança de Frankenstein), Peter Cushing mais uma vez vive o papel do Barão Frankenstein, dessa vez com suas malucas pesquisas voltadas para um assunto um tanto quanto mais filosófico e metafísico: a alma humana. Com a ajuda do cirurgião Dr. Hertz (vivido por Thorley Walters), os experimentos do cientista agora consiste em isolar a alma humana e preservá-la (!!!???), podendo transferi-la para dentro de um corpo morto (!!!!???), e de uma vez por todas, desvendar todos os mistérios de vida e morte.

Hertz tem um ajudante, Hans (Robert Morris) que vive atormentado por ter visto seu pai sendo degolado na guilhotina quando pequeno, acusado de assassinato. Sua grande paixão é a torta e deformada Christina (interpretada pela playmate austríaca Susan Denberg, em um excelente trabalho de maquiagem de George Partleton), filha do taberneiro Kleve. Certa noite, após uma experiência bem sucedida, Frankenstein manda o jovem na taverna buscar uma garrafa de champanhe, e lá ele se estranha com três dândis nojentos e arrogantes, que abusam do dono do estabelecimento e fazem troça com a garota deformada. Hans toma as dores e eles começam uma briga feia.

Os dândis bêbados, chefiados pelo crápula Anton, após serem expulsos do bar, resolvem arrombar o lugar na calada da noite para beber vinho de graça. Só que Kleve volta para a taverna e encontra os três, que acabam assassinando-o. Tendo em vista a confusão da noite anterior e um casaco de Hans ter sido encontrado no local, somado ao fato do pai dele ter sido um assassino, Hans é injustamente preso, julgado e condenado ao mesmo destino do pai, mesmo tendo um álibi que ele não revela, já que passou a noite com Christine. Ao ver o amado perder a cabeça na guilhotina, a desesperada Christine também resolve dar cabo de sua vida, atirando-se da ponte e morrendo afogada.

Frankenstein e seus ajudantes incorrigíveis!

Frankenstein e seus ajudantes incorrigíveis!

Dois acontecimentos perfeitos para o Dr. Frankenstein colocar seu plano em prática. Ao receber o corpo de Hans para estudos médicos após ser degolado, ele utiliza uma engenhoca para capturar e prender a alma do rapaz (!!!???), que depois é transferida com sucesso para o corpo de Christine, que também é totalmente remodelada através de cirurgia plástica, e de uma filhote de cruz credo, vira uma gostosa e sensual loira provocante. O enredo então ganha tons transexuais com o espírito de Hans vivendo no corpo da moçoila.

Só que vez ou outra, uma voz dentro de Christine, que pertence a Hans, começa a dominá-la em um sangrento ato de vingança, onde ela irá caçar impiedosamente os três dândis responsáveis pela morte de seu pai e de incriminar Hans, para suprir o desejo dos fãs por sangue. Christine, desconhecida do vilarejo por estar completamente mudada devido às cirurgias de Frankenstein e Hertz, então começa a abusar de decotes, malícia e sedução para fazer os excitados homens caírem em sua teia e poder matá-los cruelmente, expediente que se tornaria famoso nas produções da Hammer na década seguinte: a exploração do corpo feminino.

Frankenstein Criou a Mulher é considerada por muitos críticos como um dos melhores filmes da Hammer. Apesar do roteiro absurdo de Anthony Hinds (usando o corriqueiro pseudônimo de John Elder), a trama envolve muito mais uma história que é calcada no sobrenatural, com uso da tecnologia, do que os monstros carniceiros putrefatos que estamos acostumados a imaginar ao pensar nas criaturas de Frankenstein, dando um ar de originalidade nunca antes praticado tanto pelo próprio estúdio inglês, quanto pelas produções anteriores da Universal.

E também vale sempre dar um destaque positivo à competência de Terence Fisher atrás das câmeras, cada vez mais fluído e dominando todas as técnicas de composição de cenas, paisagens, reconstrução de época (mais um ótimo trabalho de Rosemary Burrows e Larry Stewart no figurino e Felix Sergejak na direção de arte dos cenários) e a trilha sonora de James Bernard, compositor chefe do estúdio. Aliado a tudo isso, Frankenstein Criou a Mulher ainda tem o galante Peter Cushing afiadíssimo mais uma vez e toda a explosão de sexualidade da deliciosa Susan Dereng interpretando a mais bela criação do Dr. Frankenstein.

O barão galante!

O barão galante!

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Frankenstein Criou a Mulher está atualmente fora de catálogo.

Download: Torrent + legenda (português PT) aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

6 Comentários

  1. Isto deve ser muito bizarro! É uma obrigação moral assistir este filme! Muito obrigado por compartilharem! 8)

  2. Joelmo disse:

    Está sem o link para baixar.

  3. […] Na série, as desventuras científicas do Barão Frankenstein de Cushing sempre foram o foco das tramas, e não a criatura em si, que voltava em cada uma de suas sequências nas produções da Universal da Era de Ouro. O louco cientista já esteve às voltas com sua principal criação em A Maldição de Frankenstein e O Monstro de Frankenstein, fez operações de cirurgia plástica e transplantes de cérebro mal sucedidos em A Vingança de Frankenstein e Frankenstein tem que ser Destruído e até já realizou uma operação de “troca de sexo” por meio de transfusão de almas (???!!!) em Frankenstein Criou a Mulher. […]

  4. matheus chaves jardim disse:

    A atriz Susab Denberg suicidou-se, tal qual fizera na cena final. Alias, as belas pernas exibidas no cartaz promocional nao foram mostradas no filme.

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