203 – A Mortalha da Múmia (1967)

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The Mummy’s Shroud

1967 / Reino Unido / 90 min / Direção: John Gilling / Roteiro: John Gilling, John Elder (História) / Produção: Anthony Nelson Keys / Elenco: André Morell, John Phillips, David Buck, Elizabeth Sellars, Maggie Kimberly, Michael Ripper

 

A Mortalha da Múmia é o terceiro filme envolvendo o monstro egípcio enfaixado do estúdio inglês Hammer, famoso por imortalizar outras conhecidas criaturas sobrenaturais como Drácula e Frankenstein. Aqui a produção segue a mesma linha tanto dos filmes anteriores da própria Hammer, como da franquia da Universal da década de 30 e 40: uma vingativa múmia retorna do seu sono milenar para cometer uma série de assassinatos contra aqueles que perturbaram o descanso eterno de seu amo.

Dirigido pelo competente John Gilling, que também já havia entregue ao estúdio Epidemia de Zumbis e A Serpente (ambos de 1966), A Mortalha da Múmia em sua abertura nos leva a uma viagem ao tempo para o ano 2000 a.C., onde a esposa do faraó Men-Ta morre ao dar a luz ao seu primogênito, Kah-To-Bey, futuro rei do Egito. Sem perceber a conspiração que seu irmão invejoso, Amen-Ta estava preparando para tomar o trono, o faraó torna-se uma vítima fácil do ataque do irmão que foi acumulando um poderoso exército enquanto o próprio preocupava-se apenas com os assuntos que envolviam o bem estar do filho.

Ao estourar a insurreição, Amen-Ta ordena que seu fiel escravo Prem, fuja com Kah-To-Bey para impedir que ele fosse assassinado. Porém durante a travessia pelo inóspito deserto, o garoto faraó acaba morrendo e enterrado em um túmulo improvisado no meio do deserto, vestido com uma mortalha que continha dizeres que traziam encantamentos relacionados à vida e a morte. Pois bem, durante a década de 20, uma expedição liderada pelo proeminente egiptólogo Sir Basil Walden (André Morell) e financiada pelo milionário arrogante Stanely Preston (John Phillips), partem em busca do túmulo perdido de Kah-To-Bey, junto do filho de Stanely, Paul Preston (David Buck), Harry Newton (Tim Barrett) e a bela Claire de Sangre (que lembra um pouco a musa Barbara Steele, com o mesmo tipo de beleza peculiar, porém loira).

Ao chegar ao local onde o corpo do jovem faraó repousa, logo o grupo é ameaçado por Hasmid (Roger Delgado), guardião protetor da tumba e dos mortos que roga uma maldição nos aventureiros. Sem se abalarem, o corpo de Kah-To-Bey é levado para o museu em Mezzara e retifica-se que a múmia encontrada anteriormente e creditada a Kah-To-Bey era na verdade de Prem, utilizando um amuleto real dado pelo menino antes de morrer. Só que o famigerado Hasmid, auxiliado de uma velha cartomante irritante chamada Haiti (Catherine Lacey), lê as inscrições proibidas da mortalha e traz a milenar criatura de volta à vida para se vingar daqueles que violaram o túmulo de seu amo.

Contemple a múmia, que não é Karloff e nem Lee.

Contemple a múmia, que não é Karloff e nem Lee.

Um por um, começando pelo Sir Walden, vão sendo assassinados pela força descomunal do monstro esfarrapado, chamando a atenção da polícia local, que não consegue encontrar nenhuma explicação lógica para os assassinatos, cedendo a superstição levantada por uma suposta maldição da múmia, que só poderá ser interrompida quando Claire, a especialista em hieróglifos do grupo que adentrou na tumba da Kah-To-Bey, ler o encantamento da mortalha que poderá devolver a criatura ao seu sono eterno.

A Mortalha da Múmia é uma boa surpresa. É um filme interessante, claro que sem o mesmo charme de A Múmia da Universal com Boris Karloff ou o filme homônimo do final da década de 50 com Christopher Lee interpretando o monstrengo. Mas é muito melhor que toda a franquia interminável da Universal (que tinha um filme mais chato que o outro) e a bomba homérica que foi Sangue no Sarcófago da Múmia, último da série da Hammer, quando o estúdio inglês já estava em franca decadência. Gilling consegue fazer a história fluir de forma simples e coesa, contando com boas atuações tanto de John Phillips como chauvinista Stanley Preston, quanto do vilanesco Hasmid de Roger Delgado ou mesmo o capacho de Preston, o pobre Longbarrow, vivido pelo ator fetiche de Gilling, Michael Ripper (que esteve presente nos três filmes da Hammer do diretor).

Um ponto que fica devendo é a maquiagem da múmia, interpretada por Eddie Powell, frequente dublê do estúdio. Não pense encontrar o mesmo trabalho detalhado e impressionante de Roy Ashton em Christopher Lee, ou mesmo do mestre Jack Pierce em Karloff. Aqui, a criatura de George Partleton é das mais pobrinhas, e nem parece que está envolta em bandagens, e sim nitidamente usando trajes brancos mesmo para simulá-las. Culpa do baixíssimo orçamento do filme, já que os principais recursos financeiros eram gastos com os filmes de Frankenstein e de Drácula.

Uma curiosidade de A Mortalha da Múmia é que erroneamente a narração da abertura do filme é creditada a Peter Cushing e em muito locais é publicado que o ator inglês (que estrelou Frankenstein Tem de Ser Destruído, filme que era exibido na apresentação dupla junto de A Mortalha da Múmia nos cinemas) foi o narrador, porém segundo o IMDb, a Hammer não tem nenhum registro de quem narrou a abertura, mas que definitivamente não foi Cushing. O filme chegou a ser lançado no Brasil pelo serlo Dark Side, da Works Editora, junto com diversos outros títulos da Hammer, trazendo o título de A Mortalha da Múmia (tradução literal do original), ignorando o nome que recebeu quando foi exibido na televisão brasileira: O Sarcófago Maldito.

Cuida com a múmia, que a múmia te pega!

Cuida com a múmia, que a múmia te pega!

Serviço de utilidade pública:

O DVD de A Mortalha da Múmia está atualmente fora de catálogo.

Download: Filme + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

10 Comentários

  1. sergiolucindo disse:

    Péssimo link. Para mim veio como um executável e meu computador recusou. Como estava antes, pelo torrent, estava muito melhor. O que houve?

    • Olá Sérgio. Não é um arquivo executável, é um arquivo zipado, em formato .rar. um dos mais comuns da Internet. O problema é que esse filme não tem legenda em português, então esse arquivo já vem o filme legendado junto, que é o único que encontrei na net para disponibilizar.

      Se seu inglês for bom e não precisar de legenda, baixe aqui direto o arquivo em torrent então: https://kickass.to/the-mummy-039-s-shroud-mummys-1967-dvdrip-t5535821.html

      Agora se quiser baixar, virá um arquivo em TXT, com dois links para você fazer o download direto do filme já com a legenda embutida. Baixe esse programa para descompactá-lo (que vai ser útil para descompactar todos os arquivos .rar, que tem aos montes na Internet):

      http://www.win-rar.com/download.html?&L=0

      Abs

      Marcos

  2. sergiolucindo disse:

    O problema é que este filme é muuuuiiittoooo bom.

  3. […] (a história original é de John Gilling, que já havia dirigido Epidemia de Zumbis, A Serpente e A Mortalha da Múmia para a Hammer) e da direção preguiçosa e fraquíssima de Freddie Francis (que dirigiu também […]

  4. […] Falando um pouco de aspectos técnicos do filme, A Carne e o Diabo é dirigido por John Gilling, que também escreveu o roteiro, de forma hábil e precisa. Ao assistir a fita, que deriva dos anos 60, parece que estamos assistindo aos clássicos do gênero da década de 40. A ambientação precisa de uma decadente Edimburgo de 1827, com suas ruas infestadas de marginais, bêbados e prostitutas e a fotografia austera em preto e branco, consegue traduzir toda a atmosfera lúgubre e sinistra que permeia o longa, de forma competente e aterrorizante. Gilling também foi responsável pela direção de alguns famosos filmes da Hammer, como A Serpente, Epidemia de Zumbis e A Mortalha da Múmia. […]

  5. Clayton Godoy disse:

    Olá pessoal do 101horrormovies.

    O arquivo compactado contém um arquivo txt, que por sua vez contém 5 links que seria para fazer download do file, porém os links estão quebrados =(

  6. Clayton Godoy disse:

    Valeu Marcos. Vou baixar.

    Parabéns pelo trabalho que desenvolve, disponibilizando e catalogando estas obras por muitos esquecidas. Inexplicavelmente os filmes antigos de terror me agradam mais que qualquer mega-produção atual. Creio que para muuuitas outras pessoas também.

  7. matheus chaves jardim disse:

    Foi o ultimo filme da hammer feito em Bray Studios. Os olhos da mumia nao precisavam de ser azuis.

  8. […] 5) A Mortalha da Múmia (1967) […]

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