204 – Sepultura para a Eternidade (1967)

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Quatermass and the Pit / Five Million Years to Earth

1967 / Reino Unido / 97 min / Direção: Roy Ward Baker / Roteiro: Nigel Kneale / Produção: Anthony Nelson Keys / Elenco: James Donald, Andrew Kier, Barbara Shelley, Julian Glover, Duncan Lamont

 

Sepultura para a Eternidade é o terceiro e último filme da Hammer com o professor Bernard Quatermass, personagem criado por Nigel Kneale para uma série de ficção científica da BBC. E também o mais importante e bem produzido dos três, até pelo fato de que lá se vão 12 anos desde a primeira aparição do chefe do programa espacial britânico no cinema, que aconteceu em Terror que Mata de 1955 e nove anos de Usina de Monstros, sequência de 1957.

Inspirado também em uma série da televisão estatal inglesa que foi ao ar em 1958, Sepultura para a Eternidade agora traz o ator Andrew Kier vivendo o professor, substituindo Brian Donlevy, protagonista dos dois primeiros filmes. Um verdadeiro cult da ficção científica, o filme se vale de um roteiro engenhoso e complicado, que mistura diversos elementos díspares e bizarros, envolvendo uma ameaça alienígena, mas carregado de conflitos religiosos, sociais e militares.

Tudo começa quando durante a escavação de uma extensão da estação Hobb’s Lane do metrô em Londres, são encontrados estranhos fósseis humanoides, que primeiro são apontados como um elo perdido da nossa espécie. Mas continuando as escavações, uma nova revelação bombástica: uma nave espacial está enterrada no local. O exército inicialmente julga ser uma bomba não detonada, ou um míssil alemão que caiu por lá durante a Segunda Guerra Mundial. Porém o material é mais resistente do que quaisquer outros encontrados aqui na Terra, e uma estranha energia psicocinética emana do local, promovendo um distúrbio de vibração que atinge pessoas e objetos à sua volta.

Eram os deuses gafanhotos?

Eram os deuses gafanhotos?

A coisa muda de figura quando são descobertas umas sinistras criaturas alienígenas com forma de gafanhoto no interior da nave, que se calcula estar enterrada há 5 milhões de anos, e mesmo assim as criaturas estão em perfeito estado de conservação.  Após ser analisada por Quatermass, pelo Dr. Mathew Roney (James Donald) e pela sua assistente Barbara Judd (Barbara Shelley), descobre-se que realmente aqueles seres não são terráqueos, e que supostamente partiram de Marte com direção à Terra, quando o planeta ainda era habitado, para colonizar nosso planeta, levantando a lebre da teoria de que nós fomos criados a partir de experimentos genéticos marcianos realizados por esses alienígenas, na tentativa de perpetuar sua espécie após o Planeta Vermelho tornar-se inabitável. Ao melhor estilo Eram os Deuses Astronautas de Erich Von Daniken, ou a atual série do History Channel, Alienígenas do Passado.

Pois bem, as teorias científicas de Quatermass entram em choque com os militares, principalmente com o insuportável Coronel Breen (Julian Glover), que rechaça e ridiculariza todas as hipóteses de Quatermass, que considera absurda, e fica insistindo, até para a imprensa, que aquele veículo era uma propaganda nazista da II Guerra. Esse será o grande erro militar e governamental, quando uma terrível força alienígena, materialização da maldade em forma de energia telecinética, responsável por transformar Marte em uma rocha inóspita e sem vida, também presente na nave é libertada, podendo destruir toda a Inglaterra, quiçá o mundo, com seu terrível poder psíquico, cabendo ao Prof. Quatermass e o Dr. Roney, salvar o dia.

A direção de Roy Ward Baker dá ao filme um ritmo intrigante, caminhando entre a tênue linha do fantástico, da ficção científica e do terror. Talvez a conclusão seja o grande problema do filme, principalmente depois que vemos as tais criaturas gafanhoto alienígenas e no final quando a verdadeira ameaça toma forma nos céus de Londres. O que chega a ser um balde de água fria perto da extensa possibilidade narrativa que o filme vai nos conduzindo e as diversas teorias que vão pipocando, que vai de demônios subterrâneos à monstros espaciais em um estalar de dedos. Outro tema evidente no longa, pertinente aos anos 60 e ao anos 2010, é o medo do extermínio da humanidade, desencadeado por uma força muito além do nosso controle e conhecimento.

Sepultura para a Eternidade até já esteve na programação da TV aberta, na Bandeirantes e na Rede TV, por exemplo, e em algumas reprises nos canais à cabo. Obrigatório para os fãs de ficção científica. Tanto que está presente na lista dos 101 Sci-Fi Movies You Must See Before You Die.

Vida de inseto

Vida de inseto

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

8 Comentários

  1. Muito bom! Sou fã há tempos da série Quatermass (na verdade, aprendi a gostar dela depois de ler comentários por John Carpenter). Um ótimo filme e adoro o personagem. Abração a todos. 8)

  2. […] filme da série. A direção ficou por conta de Roy Ward Baker, que para a Hammer também dirigiu Sepultura para a Eternidade e já se meteu no universo vampiresco em Carmilla, a Vampira de Karnstein. O roteiro é assinado […]

  3. […] uma expedição liderada pelo Professor Julian Fuchs (Andrew Keir, o Prof. Bernard Quatermass de Sepultura para a Eternidade), formada pelo inescrupuloso e maquiavélico Corbeck (James Villiers), o futuro esquizofrênico […]

  4. […] por Roy Ward Baker, outro cineasta da rival inglesa, que já havia dirigido Sepultura para a Eternidade, O Conde Drácula e Carmilla – A Vampira de Karnestein para a Hammer, o fio condutor que liga os […]

  5. Vi pela primeira vez, na rede Globo, nos anos 70. Vi muitas e muitas vezes esse filme. Muito bom! Muito bem feita a sua resenha. Acrescento que a atuação da maravilhosa Barbara Shelley é outro destaque no filme.

  6. […] Donlevy reprisando o papel do cientista espacial e dez anos mais tarde, a terceira continuação, Sepultura para a Eternidade, já com Andrew Keir no papel de […]

  7. […] BBC dos anos 50, “Quatermass and the Pit” , depois refilmado pela Hammer na década de 70 como Sepultura para a Eternidade. Fato é que apesar do viés de terror, Tommyknockers é mais uma daquelas amálgamas do gênero […]

  8. Marcello Bernardo disse:

    Ótimo texto Marcos. Assisti esse filme há alguns meses atrás e achei bem maneiro. Curto muito esses filmes ingleses antigos da Hammer.

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