205 – As Torturas do Dr. Diábolo (1967)

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Torture Garden

1967 / Reino Unido / 93 min / Direção: Freddie Francis / Roteiro: Robert Bloch / Produção: Max J. Rosenberg, Milton Subotsky / Elenco: Jack Palance, Burgess Meredith, Beverly Adams, Peter Cushing, Michael Ripper

 

Com o sucesso de As Profecias do Dr. Terror, o estúdio inglês Amicus resolveu investir pesado nos filmes estilo portmanteau, aqueles que trazem várias antologias de terror interligadas por um fio narrativo. As Torturas do Dr. Diábolo, foi seu segundo filme neste gênero, que ainda renderam mais seis posteriores.

Dirigido por Freddie Francis, mesmo diretor de Dr. Terror e com astros no elenco do quilate de Burgess Meredith, Jack Palance e Peter Cushing, infelizmente o resultado de As Torturas do Dr. Diábolo é bem fraquinho. Seus quatro contos, escritos por Robert Bloch, mesmo autor do livro que deu origem a Psicose, de Alfred Hitchcock, são dispensáveis, com histórias bem fraquinhas, que valem mais mesmo por curiosidade e todo aquele clima característico dessa safra de filmes dos anos 60.

Cinco estranhos estão em um parque de diversões de Londres e entram na câmara de horrores do Dr. Diábolo (vivdo por Meredith, o Pinguim do seriado camp do Batman) em busca de excitantes e aterrorizantes experiências. Lá, uma atração adicional para os de coração forte, e que tenha mais cinco libras extras para gastar, é uma boneca da divindade feminina Atropos (vivida por Clytie Jessop, que faz uma ponta em todos os segmentos) que através das linhas do destino, revela o sinistro futuro dos ali presentes.

Dr. Diábolo antes do Pinguim

Antes do Pinguim, Dr. Diábolo

A primeira história, Enoch, é uma das mais intrigantes e assustadoras. Colin Williams (Michael Bryant) é um playboy desprezível, único herdeiro de um tio cheio da grana, que quer se aproveitar do tio enfermo e acaba matando-o para por a mão em seu dinheiro. Revirando o antigo casarão em busca de ouro escondido, ele acaba por descobrir um misterioso gato que vivia preso no porão. O problema é que esse gato não é um bichano qualquer, e sim, um receptáculo do espírito de uma bruxa, nomeado Balthazar, que tem poderes telepáticos e um voraz apetite por carne humana, controlando a mente de Colin e levando-o à loucura, arranhando seu cérebro como um felino qualquer arranha um poste de madeira. Um detalhe interessante é que o gato não é preto, como de costume nas histórias de terror, e sim malhado.

O segundo segmento, fraquíssimo, Terror Over Hollywood, é sobre Carla Hayes (Beverly Adams) uma jovem e bela atriz que topa de tudo para conseguir tornar-se uma estrela de cinema. Ao saber que a amiga terá um encontro com um agente do show business, ela estraga o vestido da companheira de quarto e vai ao encontro em seu lugar. Lá conhece os produtores Bruce Benton (Robert Hutton) e o galã Eddie Storm (John Phillips) e acaba se envolvendo numa terrível trama que envolve conspirações no alto escalão hollywoodiano, um médico com pinta de cientista louco e androides.

O terceiro conto, Mr. Steinway, é uma excelente mistura de elementos bizarros e fantásticos, extremamente conveniente para esse tipo de filme. Dorothy Endicott (Barbara Ewing) é uma jornalista que se apaixona pelo virtuoso pianista Leo Winston (John Standing). Só que o piano dele, chamado de Euterpe (divindade grega musa da música) começa a se tornar ciumento e possessivo, atrapalhando o processo criativo do pianista, tentando separar o casal apaixonado e assassinar a moça. Sim, é isso que você leu. Um piano assassino com vontade e movimentos próprios. É simplesmente genial.

Better than he was before. Better...stronger...faster.

Better than he was before. Better…stronger…faster.

O quarto e melhor segmento, The Man Who Collected Poe traz uma disputa afinadíssima entre Ronald Wyatt (Jack Palance) e Lancelot Canning (Peter Cushing) para ver quem é o maior colecionador de obras e artefatos de Edgar Allan Poe. Wyatt vai visitar Canning na América para conhecer sua vasta coleção, e após uma noite de bebedeiras, uma visita ao porão revela manuscritos atuais nunca publicados do escritor americano, com a mesma caligrafia. Acontece que o avô de Canning, que começou a coleção, era um ladrão de cadáveres e havia colecionado as próprias cinzas do Poe, que o trouxeram de volta à vida através de magia negra. Ao assassinar Canning, Wyatt adentra outro compartimento abaixo do porão e encontra o escritor em pessoa vivo e preso, suplicando pela morte, para que assim o terrível pacto com o demônio seja quebrado e ele possa descansar em paz. Só que sempre que um pacto é quebrado, outra alma deve tomar o lugar daquela libertada.

Bom, eu disse que eram cinco estranhos, certo? Acontece que Gordon Roberts, o outro sujeito na câmara de horrores do Dr. Diábolo, vivido por Michael Ripper, figurinha carimbada de alguns filmes da Hammer (Epidemia de Zumbis, A Serpente), não quer ver seu futuro e tremendamente assustado com tudo que está acontecendo, pega a tesoura que Atropos corta os fios da vida e brutalmente assassina o anfitrião do show. Quando todos os demais fogem assustados, a cena se revela combinada entre os dois cúmplices. Porém Wyatt continua no local fumando seu cachimbo, que é quando será revelada a verdadeira identidade do Dr. Diábolo. Apesar de que seu próprio nome já diz tudo…

Como disse lá em cima, As Torturas do Dr. Diábolo vale como curiosidade, principalmente pela excelente atuação de Meredith e seus diálogos bem escritos, e a deliciosa disputa entre Jack Palance e Peter Cushing no último segmento. Falta força e inventividade para classificá-lo como uma antologia de terror de primeira linha. Mas oferece conteúdo suficiente para uma divertida sessão de sábado.

Peter & Palance

Peter & Palance

Serviço de utilidade pública:

O DVD de As Torturas do Dr. Diábolo não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

6 Comentários

  1. […] – O Pefil do Diabo, além de algumas antologias da Amicus como As Profecias do Dr. Terror e As Torturas do Dr. Diábolo –  e vejam só, ganhou dois Oscars® como diretor de fotografia e foi indicado a diversos BAFTAs) […]

  2. […] Escrito por Robert Bloch (mesmo autor de Psicose) e dirigido por Peter Duffell, A Casa que Pingava Sangue aposta no mesmo estilo de filme portmanteau característico do estúdio, que já havia brindado os fãs de horror em produções anteriores como As Profecias do Dr. Terror e As Torturas do Dr. Diábolo. […]

  3. […] antologias de contos de terror do gênero. Após os sucessos de As Profecias do Dr. Terror, As Torturas do Dr. Diábolo e A Casa que Pingava Sangue, é a vez do estúdio nos presentear com Asilo […]

  4. […] da Noite do Eraling Studios, que teve início com As Profecias do Dr. Terror e seguiu-se com As Torturas do Dr. Diábolo,  A Casa que Pingava Sangue, Contos do Além (o Contos da Cripta original, que inspirou a série […]

  5. […] se você achava absurda a trepadeira assassina de As Profecias do Dr. Terror ou o piano ciumento de As Torturas do Dr. Diábolo, uma corda maligna vingativa vai fazer você rever seus conceitos dos limites da criatividade no […]

  6. […] decidem passar o verão na alugada mansão dos irmãos Allardyce, Arnold (Burgess Meredith, de As Torturas do Dr. Diábolo) e Roz (Eileen Heckart), por míseros 900 dólares por todo o período. E não importa que os dois […]

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