207 – O Bebê de Rosemary (1968)

Rosemary’s Baby

1968 / EUA / 136 min / Direção: Roman Polanski / Roteiro: Roman Polanski (baseado na obra de Ira Levin) / Produção: William Castle, Dona Holloway (Produtora Executiva) / Elenco: Mia Farrow, John Cassavetes, Ruth Gordon, Sidney Blackmer, Maurice Evans, Ralph Bellamy


Sempre que começa a se discutir sobre os mais importantes filmes de terror de todos os tempos, os maiores clássicos, é inevitável não pensar em O Bebê de Rosemary, de Roman Polanski. E não é por menos, dada a excelência do longa.

O tema satanismo, complô e cultos diabólicos vem à tona com a história da mulher que foi escolhida, dentre todas as mulheres do mundo, como frisa sua vizinha na sequência final do filme, para dar luz ao Anticristo. Rosemary (atuação fantástica de Mia Farrow, possivelmente a melhor de sua carreira) e seu marido, o ator fracassado Guy (interpretado por John Cassavetes) mudam-se para um velho apartamento em Nova Iorque (filmado no Edifício Dakota), onde há histórias bizarras de ser palco de acontecimentos sinistros e antiga moradia de bruxos.

Logo o casal torna-se amigo dos esquisitíssimos vizinhos de parede, Mirian e Roman Castevet, que na verdade fazem parte de uma seita satânica, com o qual Guy faz um pacto: a gestação do filho do coisa-ruim na esposa (em uma emblemática cena onde ela é estuprada em torpor pelo próprio satanás, em meio a um delírio onde fica se perguntando se aquilo é um sonho ou está realmente acontecendo) em troca de sucesso e fama na carreira de ator, que logo começa a se concretizar quando o rival que havia ganhado o papel que deveria ser seu, repentinamente fica cego.

Polanski magistralmente vai nos conduzindo nesse terror psicológico com primazia, focado primeiramente nos nuances, nas sugestões, nos pequenos detalhes, até a coisa toda descarrilhar para um final simplesmente incrível. E pode colocar nessa conta dos tais pequenos detalhes: a visita inicial do casal para alugar o apartamento, onde encontram junto com o senhorio um pesado armário que foi movido do lugar por uma senhora idosa para bloquear a porta de uma dispensa, sabe-se lá o porquê; barulhos estranhos no subsolo; cânticos que podem ser ouvidos através das paredes; as lendas urbanas dos antigos residentes bruxos do edifício; Rosemary ter ganhado de presente um colar com uma erva fedorenta que pertencera a antiga garota que vivia com os Castevet até resolver se suicidar; e os métodos não convencionais utilizados por Rosemary durante a gestação, aconselhada pelo casal bruxo e o comparsa obstetra, Dr. Abraham Sapirstein.

Rosemary é como se fosse Maria… Só que ao contrário!

Impossível não se envolver com os protagonistas da trama e não nutrir certos sentimentos pelos mesmos. Primeiro pela sonsa e subserviente Rosemary, que faz absolutamente tudo que mandam e só muito tarde começa a sacar que as coisas estão errada. Tipo, ela sente dores terríveis desde o primeiro mês de gravidez, começa a perder peso e apresentar uma aparência esquelética nada saudável. Oi? Se você estivesse esperando um filho, você imaginaria exatamente que acontecesse o contrário, certo? Mas não, Rosemary fica ali, boboca e passiva. Nem ao menos para desconfiar do marido, que OK, está mancomunado também, mas que não dá o menor suporte para a esposa e está sempre reticente e esquivo com relação aos seus medos e problemas. Também não dá para passar incólume com o casal vizinho e principalmente com a pentelha da Sra. Castevet, com sua mania enxerida, voz irritante e ficando para cima e para baixo com aqueles sucos nojentos oferecidos a Rosemary. Por sinal, atuação soberba de Ruth Gordon, que ganhou o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante

No final, onde Polanski acertadamente não mostra a tal horrenda aparência do recém-nascido, o que fica mais evidente é o questionamento que o diretor joga sobre a controvérsia entre o satanismo e o cristianismo, já que Rosemary, uma garota educada em colégio católico, será a nova Maria, só que ao contrário. Além disso, a concepção do Anticristo acontece coincidentemente quando o Papa está em visita aos Estados Unidos.  Outro questionamento que sobra ao final do longa é qual será a reação da mãe com relação ao seu filho? Ela honrará seus deveres cristãos em renegar o bebê e confrontar a seita ou seu instinto materno será mais forte e ela abraçará a causa em nome do fruto nascido de seu ventre? Polanski responde da melhor forma possível.

Para finalizar, só para não passar batido vale sempre lembrar das várias “maldições”, tragédias ou terríveis coincidências que se abateram sobre pessoas ligadas a O Bebê de Rosemary, como a morte da esposa grávida de Roman Polanski, Sharon Tate, assassinada pelos membros malucos da organização de Charles Manson ou o assassinato de John Lennon bem em frente ao malfadado Edifício Dakota, onde foi gravado o longa. Sinistro!

Sexo com o tinhoso dá nisso!

Sexo com o tinhoso dá nisso!

Serviço de utilidade pública:

Compre o DVD de O Bebê de Rosemary aqui.

E o Blu-Ray aqui.

Download: Torrent + legenda aqui.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Ogfqfnt2Aaw]


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] tema satanismo e suas seitas eram muito fortes nos anos 60. O próprio O Bebê de Rosemary de Roman Polanski, lançado no mesmo ano, já trazia uma outra visão sobre complôs e cultos ao […]

  2. […] do gênero, e você consegue muito bem perceber uma influência proposital de produções como O Bebê de Rosemary, As Bodas de Satã, A Profecia e Suspiria (inclusive a semelhança física das atrizes). É uma […]

  3. Alana De Carvalho disse:

    Clássico!!!! “Rosemary é como se fosse Maria… Só que ao contrário!” rsrsrs Pois é, muitos acontecimentos interessantes durante a trama que compõem o quebra-cabeça revelado apenas nos últimos momentos filme, que respondem às perguntas levantadas pelo telespectador: “Por quê?”, no caso da escolha da moça e das razões que levaram seu marido a concordar com a ideia maligna lhe proposta em troca do sucesso tão almejado; “Como?”, de que forma tudo sucedeu-se para que tal coisa fosse possível sem a própria Rosemary descobrir antes do nascimento do filho; e “Para quê?”, no sentido de esclarecer o propósito de tudo. Mais um que está entre os mais assistidos de todos os tempos!

  4. […] no campo da especulação), que também lembra muito outros cultos conspiratórios de filmes como O Bebê de Rosemary e As Bodas de Satã da […]

  5. Fernando disse:

    Cara Otimo trabalho …
    Curto muito ler suas resenhas…
    continue assim

    • Olá Fernando.

      Poxa, muito obrigado pelo elogio! Fico feliz em saber que você gosta de ler e acompanha o blog.

      Pode deixar que continuarei postando… Tem muito filme ainda para entrar na lista! 😉

      Grande abraço.

      Marcos

  6. Jonathan disse:

    O link já não esta disponivel

  7. […] depois do perturbador Repulsa ao Sexo, e antes da obra prima O Bebê de Rosemary, A Dança dos Vampiros foge da curva de toda a filmografia do diretor polonês. […]

  8. […] tão próxima, para retratar apartamentos como locais desconfortáveis e inseguros, como fez com O Bebê de Rosemary em 1968 e O Inquilino em […]

  9. […] no campo da especulação), que também lembra muito outros cultos conspiratórios de filmes como O Bebê de Rosemary e As Bodas de Satã da […]

  10. […] do gênero, e você consegue muito bem perceber uma influência proposital de produções como O Bebê de Rosemary, As Bodas de Satã, A Profecia e Suspiria (inclusive a semelhança física das atrizes). É uma […]

  11. […] tema satanismo e suas seitas eram muito fortes nos anos 60. O próprio O Bebê de Rosemary de Roman Polanski, lançado no mesmo ano, já trazia uma outra visão sobre complôs e cultos ao […]

  12. […] Horror Hotel, A Filha de Satã, As Bodas de Satã (quanto filme com satã no título, não?) e O Bebê de Rosemary, entre outros. Tá bom para você? A Maldição do Altar Escarlate é simples, com todos os […]

  13. […] satânicos rituais de fertilidade (em uma cena claramente inspirada pelo “estupro” tétrico de O Bebê de Rosemary), hipnotizando-a e drogando-a para que ela passe o final de semana com ele na cidade, mesmo com a […]

  14. […] zumbi canibal de George Romero em A Noite dos Mortos-Vivos e o culto satânico perturbador de O Bebê de Rosemary de Roman Polanski, ir ao cinema ver vampiros se escondendo por trás da capa, perdeu muito a […]

  15. […] Um bom filme, que tenta respirar na sobrevida desse gênero do cinema fantástico pós O Bebê de Rosemary, e antes do cinema de horror pessimista e sádico invadir as telas no decorrer da […]

  16. […] O Bebê de Rosemary de Roman Polanski abriu um precedente no final dos anos 60 que seguiria firme e forte no cinema de terror da próxima década: as produções com subtemas religiosos, mais precisamente envolvendo o demônio e satanismo. Diversos longas deste gênero pipocaram seguindo a sua rabeira, e um deles é Balada Para Satã, do diretor Paul Wendkos. […]

  17. […] como O Exorcista, A Profecia e A Sentinela dos Malditos, apesar da clara inspiração em O Bebê de Rosemary do final da década anterior, e que parece também ter servido de inspiração futura para Colheita […]

  18. […] momento, o filme dá aquele giro de 360º, ganhando conotações conspiratórias à lá O Bebê de Rosemary, e Jane descobre que o sinistro homem dos olhos azuis que a persegue é um membro da seita que […]

  19. […] descontrolado ao ver a aparência do filho (que você logo já imagina algo parecido com O Bebê de Rosemary), e mata Silas com dois tiros nos olhos (tal qual a imagem espectral que apavora Catherine). Caído […]

  20. […] elocubrações a parte, essa é a premissa de Nasce um Monstro, mas não um diabo, e tampouco O Bebê de Rosemary, uma das óbvias inspirações deste filme aqui. Um bebê que nasce como uma criatura, vítima de […]

  21. […] ocultas como mote para tentar (mais uma vez) atrair o público, que estava mais interessado em O Bebê de Rosemary e O Exorcista da vida do que em filmes góticos com vampiros sanguessugas. Por isso, além de toda […]

  22. […] bizarras, escrita pelo roteirista William Goldman, baseado no livro de Ira Levin, o mesmo autor de O Bebê de Rosemary (e claro que isso foi amplamente abordado no marketing promocional do filme). Coube ao diretor Bryan […]

  23. […] ao crescente anseio dos fãs de terror pelo satanismo, muito impulsionado primeiramente por O Bebê de Rosemary, de Roman Polanski, de 1968, e depois pelo sucesso estrondoso de O Exorcista, de William Friedkin, […]

  24. […] deve ter uma certa fascinação por prédios de apartamentos. Pois em O Inquilino, assim como em O Bebê de Rosemary, ou mesmo no anteriormente em Repulsa ao Sexo, grande parte da trama se passa dentro de um […]

  25. […] LaVey já havia sido consultor antes de outro famosos filme de terror do gênero, o aclamado O Bebê de Rosemary. Destaque também para a versão eletrônica do hino Dies Irae utilizada na trilha sonora, que é o […]

  26. […] se baseia, A Sentinela dos Malditos aborda o tema da conspiração demoníaca, e em muito lembra O Bebê de Rosemary, de Roman Polanski, principalmente utilizando a ambientação de um apartamento em um prédio […]

  27. […] e que seria explorado em algumas outras produções durante esta década, até culminar no seminal O Bebê de Rosemary, de Roman Polanski, em […]

  28. […] uma cena visualmente “influenciada” sem nenhuma vergonha na cara por O Bebê de Rosemary (como se não bastasse toda a cópia de O Exorcista), Ippolita se vê deitada nua em sua cama, […]

  29. […] é seduzida e abusada pelas forças das trevas, se contorcendo peladinha na cama, ao melhor estilo O Bebê de Rosemary, e Carlos (Marcelo Picchi) noivo de Wilma, também em determinado do longa está com o […]

  30. […] a ajuda do antiquário Adrian Mercato (Cosimo Cinieri) – nome pego emprestado de O Bebê de Rosemary – eles descobrem que há todo um simbolismo sinistro por trás do amuleto e que Susie absorveu […]

  31. […] coloca um pouco de seriedade e do macabro no cinema de terror oitentista, muito inspirado em O Bebê de Rosemary, evocando a Santeria, religião surgida da mistura entre as crenças católicas e africanas trazida […]

  32. […] colégio, do juiz ao próprio psicólogo. Yuzna em entrevistas citou No No Silêncio das Trevas e O Bebê de Rosemary como as maiores influencias para o clima construído em A Sociedade dos Amigos do Diabo. E falando […]

  33. […] de uma criatura misteriosa e maligna tem lá seu filão no cinema de horror. Eternizado por O Bebê de Rosemary de Roman Polansky, passando pela trasheira Nasce um Monstro de Larry Cohen e até o mais recente O […]

  34. […] Roman Polanski retorna ao gênero em O Último Portal, voltando a tratar de um tema que referencia o satanismo e pactos com o diabo, como havia feito em seu seminal clássico O Bebê de Rosemary. […]

  35. […] clara de O Exorcista e até mesmo de O Bebê de Rosemary, a fita mais uma vez traz o Capeta preparando sua vinda à Terra como o alardeado Anticristo […]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *