210 – Drácula, o Perfil do Diabo (1968)

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Dracula Has Risen From the Grave 

1968 / Reino Unido / 92 min / Direção: Freddie Francis / Roteiro: John Elder (baseado no personagem criado por Bram Stoker) / Produção: Aida Young / Elenco: Christopher Lee, Rupert Davies, Veronica Carlson, Barbara Ewing, Barry Andrews, Ewan Hooper, Michael Ripper

 

Drácula está de volta, no terceiro filme da Hammer em que Christopher Lee encarna o chupador de sangue mor: Drácula – O Perfil do Diabo. E este título em português, hein? Imagino este o título de matéria com um perfil de Drácula naquelas revistas de fofocas, estilo Caras, sabe?

Enfim, na minha opinião, Drácula – O Perfil do Diabo é um dos mais bacanas da série. Violento, sanguinário, cruel. Christopher Lee representa um vampiro do mal MESMO mesmo aqui. Tem umas quatro ou cinco falas apenas, mas só de olhar para a cara do sujeito com aqueles caninos pontiagudos e seus olhos vermelhos, já dá o maior medo de encontrá-lo por aí em uma esquina escura da Transilvânia.

Dirigido por Freddie Francis, mesmo diretor de O Monstro de Frankenstein (que recebeu esse filme no colo pelo mesmo motivo do anterior, pois Terence Fisher, escalado para dirigir, havia sofrido um acidente de carro), e escrito por Anthony Hinds (sob o pseudônimo de John Elder), Drácula – O Perfil do Diabo já começa com os dois pés no peito, com um padre e seu assistente mudinho encontrando uma bela donzela morta em plena igreja, difamada pelo Drácula. Por conta disso, obviamente a população do vilarejo vive assustada por estar sob a sombra de seu castelo e pararam de ir à igreja aos domingos, que ficou largada às moscas.

Até monsenhor Ernest Mueller (Rupert Davies) chegar ao local, dar um esporro no padre e em todos os aldeões supersticiosos, e resolver subir até o castelo de Drácula no topo da montanha, onde ele jazia congelado há um ano, desde o final de Drácula – O Príncipe das Trevas. Ele leva o deprimido e medroso padre (Ewan Hooper) para subir a montanha e colocar uma gigantesca cruz na entrada na porta, para que aquele mal nunca se liberte de lá e o povo volte a frequentar a paróquia local. Só que o padre com medo fica pela metade do caminho enquanto o monsenhor continua sua procissão. Uma tempestade se forma, e a ventania acaba derrubando o padre, que cai no chão ensanguentado. E eis que, milimetricamente, o sangue cai bem na boca de onde Drácula jazia, e o traz de volta à vida.

Sorriso maroto

Sorriso maroto

Com seus poderes hipnóticos, Drácula ira transformar o padre em seu ajudante para lhe encontrar novas donzelas para que ele possa sugar o sangue. Nesse ínterim, vamos conhecer Paul (Barry Andrews), um jovem padeiro, ajudante de bar, estudante de medicina e ateu convicto, que namora a inocente e certinha sobrinha do monsenhor, Maria Mueller (Veronica Carlson). Todo mundo sabe que o Drácula é o mais talarico dos monstros, e obviamente ele vai querer dar uma chupada na jugular da moça loira.

Mas antes disso ele vai se aproveitar da ruiva Zena (Barbara Ewing), que é preterida por Paul, mesmo arrastando uma asa para cima dele e usando decotes lascivos ao melhor estilo filmes da Hammer. Drácula suga seu sangue, a transforma em uma rameira do inferno, e depois também dá uma gelada na coitada, trocando-a pela inocente Maria. Coitada da Zena! Daí irá se seguir aquela velha batalha do mocinho contra o monstro das trevas pela alma da garota. Só que aí tem um pulo do gato que faz Drácula – O Perfil do Diabo sensacional.

Como disse lá em cima, Paul é ateu, então cruzes, estacas, tudo que ele usar contra o vampiro não irá funcionar, porque é preciso fé. E você pensa que no final vai rolar aquela babaquice dele encontrando Deus, tornando-se um cristão fervoroso para destruir Drácula. Nada disso, ele continua irredutível em sua crença, e a redenção para destruir o sanguessuga vai vir mesmo do padre, quando Drácula é empalado pela cruz na montanha, e ele se redime rezando para a vil criatura da escuridão ser destruída de uma vez por todas. Até o próximo filme da franquia, claro.

Drácula – O Perfil do Diabo foi o filme comercialmente mais rentável da Hammer, e durante a produção, foi o estúdio foi presenteado com o UK Queen’s Award for Industry. Christopher Lee gosta de contar a história sobre esse prêmio, pois o prêmio foi dado enquanto eram filmadas as cenas finais com Drácula empalado nas rochas, e um grupo de dignitários do governo britânico assistindo Lee gritando e com sangue jorrando por todos os lados. Após a cena, com estômago embrulhado, um ministro coxa inglês virou-se para a mulher e disse: “Esse homem é um membro do meu clube?”. Dá-lhe Hammer. Dá-lhe Christopher Lee!

Deixe ele entrar!

Deixe ele entrar!

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Drácula, o Perfil do Diabo não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

7 Comentários

  1. […] e fraquíssima de Freddie Francis (que dirigiu também para a Hammer O Monstro de Frankesntein e Drácula – O Pefil do Diabo, além de algumas antologias da Amicus como As Profecias do Dr. Terror e As Torturas do Dr. […]

  2. […] conclusão das filmagens e orçamento baixíssimo, que começa exatamente onde termina o anterior, Drácula, o Perfil do Diabo, com o morto-vivo morrendo empalado por uma cruz. Um comerciante perdido no meio da floresta dá de […]

  3. Joelmo disse:

    Boa tarde, Este filme está sem o link para baixa-lo. Obrigado e parabéns pelo site.

  4. Roderick Verden disse:

    Este foi o último da série de Drácula que assisti,com Lee como protagonista. Os outros vi todos nos anos 70. O perfil do diabo vi há poucos anos atrás, baixado na internet. Como é esse lance de gosto… Gostei do filme, mas foi o que menos apreciei das séries com Lee, personificando o temível conde.

  5. Danilo disse:

    O problema é que ele está com 0 seeds.

  6. matheus chaves jardim disse:

    Uma das criticas feitas ao roteiro foi a seguinte: se o Dracula ainda nao havia revivido nao poderia ter matado a loira que aparece dependurada em um sino na cena inicial. Mas a fotografia e primorosa.

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