225 – Conde Drácula (1970)

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Nachts, wenn Dracula erwacht / Count Dracula

1970 / Espanha, Alemanha Ocidental, Itália, Liechtenstein / 98 min / Direção: Jesús Franco / Roteiro: Jesús Franco, Augusto Finocchi, Harry Alan Towers (baseado na obra de Bram Stoker) / Produção: Harry Alan Towers, Arturo Marcos (Produtor Executivo) / Elenco: Christopher Lee, Klaus Kinski, Herbert Lom, Soledad Miranda, Maria Rohm, Fred Williams

 

Esqueça o Drácula da Universal, dirigido por Tod Browning com Bela Lugosi no elenco, ou O Vampiro da Noite, da Hammer, e mesmo o novelão nababesco de Francis Ford Copolla. A melhor adaptação já filmada do livro de Bram Stoker é sem dúvida Conde Drácula, do infame cineasta espanhol Jesús “Jess” Franco, morto recentemente.

Fico imaginando como seria essa obra se Franco tivesse mais grana para realizá-la. Porque nitidamente é um filme de baixíssimo orçamento, mas o roteiro tenta se atentar tal qual a obra escrita, trazendo todos os personagens clássicos e Christopher Lee como o conde, que apesar de ter vivido o desmorto em sete filmes da Hammer, essa é sua caracterização mais próxima de como ele foi retratado no livro de Stoker, deixando de lado todo o exagero e a forma caricata do vampiro mor do estúdio inglês.

Tá certo que algumas cenas são ridículas, como, por exemplo, o ataque dos animais empalhados, ou então aquele morcego tosco demais que dá uns rasantes às vezes para lá e para cá, os erros crassos de continuidade, cenas noturnas filmadas à luz do dia (como a Hammer fazia MUITO), as atuações bisonhas de todo o elenco de apoio, o bigodón de Christopher Lee e todos os problemas oriundos da deficiência orçamentária gigantesca, que claramente vão aumentando conforme o filme vai chegando em seu clímax e a grana vai acabando. Há também fatores que auxiliam o status trasheira da produção, que além da direção de Jess Franco, tem Harry Alan Towers na produção e o truqueiro Bruno Mattei na edição.

Mas não fique desiludido, porque a sinfonia de horror de Jess Franco é um deleite para os fãs, apesar dos apesares. Christopher Lee chuta bundas. Quando ele aparece pela primeira vez como Conde Drácula efetivamente (não parecendo um lutador de Mortal Kombat quando faz às vezes do cocheiro levando Jonathan Harker para o castelo e perseguido por pastores alemães que deveriam ser lobos), está absolutamente igual ao escrito por Stoker: velho, com cabelos e bigode brancos, decadente porém sem perder ar aristocrático, com seu vozeirão grave, e ar sinistro. Todos os elementos principais do livro estão lá, naquela mesma história que já estamos cansados de conhecer:

El bigodón

El Dracula bigodón

Harker vai até a Transilvânia para encontrar o Conde Drácula, que está interessado em adquirir propriedades em Londres; todos pelas redondezas são supersticiosos e amedrontados pela figura do vampiro; há as três rameiras do inferno que moram com Drácula no castelo e gostam de se alimentar de bebês; o Conde viaja até Londres levando consigo seu caixão com a terra natal; Mina está preocupada com o noivo; Lucy é atacada por Drácula; Van Helsing é chamado para ajudar (detalhes que é um dos caçadores de vampiro mais ineficientes da história das adaptações de Drácula); e há o pirado Renfield, comendo insetos, trancafiado em uma sala acolchoada, e por aí vai. Detalhe que Renfield é interpretado pelo excelente Klaus Kinski, que faria o papel do próprio Drácula em Nosferatu – O Vampiro da Noite de Werner Herzog.

Acontece também que Conde Drácula é um filme sóbrio, se pegarmos aqui a filmografia de Franco, tanto em seus exemplares do euro trash quanto seus pornôs softcore. Vejam só, até tem pouquíssima dose de sangue e sem nudez nenhuma (por incrível que pareça Soledad Miranda está vestida dos pés a cabeça o filme inteiro!!!!). Vincent Price também foi cogitado para fazer o papel de Van Helsing, mas não pode aceitar por motivos de saúde. Vale também salientar a ótima e soturna trilha sonora de Bruno Nicolai e a compreensão do texto de Stoker, que acaba sendo sobrepujada por todos aqueles detalhes que já citei que transformam o filme, senão numa bomba, mas em uma precariedade sem tamanho. Não que isso seja um problema para caras como eu, como vocês bem sabem se acompanham minhas postagens por aqui.

Conde Drácula pode não ser uma das maravilhas da sétima arte e nem do cinema de horror como um todo. Tampouco Jess Franco o maior diretor que já viveu. Mas pelo menos não é pretensioso e uma baboseira sentimentalóide como Drácula de Bram Stoker de Francis Ford Coppola. Não é a adaptação mais fiel do livro, como diz-se por aí. Mas continua sendo a melhor.

Me vê uma mosca, aí?

Me vê uma mosca, aí?

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Conde Drácula não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

10 Comentários

  1. […] mesmo ano de 1970 e aqui na lista do blog, você tem dois filmes seguidos com o mesmo nome: este e Conde Drácula de Jesús Franco (meu post […]

  2. Um dos melhores sites da Net.Tem raridades que dificilmente veremos na TV ou em Dvd,

    • OLá Kleverlande.

      Muitíssimo obrigado pelo elogio e pela preferência. Servimos bem para servir sempre! 😉

      Continue acompanhando o blog que tem ainda muito filme a ser postado.

      Abs

      Marcos

  3. […] para uma obra autoral, passeando nos mais diversos subgêneros, como os vampiros (Vampiros Lesbos e Conde Drácula, por exemplo), cientistas loucos (O Terrível Dr. Orloff), mulheres na prisão (99 Mulheres) e até […]

  4. Roderick Verden disse:

    Sinceramente, outro que vi no cinema, nos anos 70. O nome do filme era “O Castelo do Conde Drácula”. Interessante é que eu durante anos, pensei que a morena clara do filme era a atriz Daliah Lavy. Só há poucos anos, ao usar a internet, é que descobri que se tratava de Soledade Miranda.

  5. […] Leia a minha resenha sobre Conde Drácula aqui. […]

  6. […] de aves empalhadas. Misture Birdemic – Shock and Terror com o ataque dos animais empalhados de Conde Drácula de Jesús Franco, e aí você consegue vislumbrar mais ou menos o que é essa sequência patética. […]

  7. Eduardo disse:

    Produção é simples mas o filme é bom !!! A diferença em questão da produção sobe na atuação de Christopher Lee que diferente da Saga da Hammer neste filme ele tem falas e atuação maiores …. vale a pena assistir, mas quem adora ele na produtora inglesa ira sentir a diferença nos padrões de fotografia, etc . Pra quem é fã do ator e muito bom poder velo atuando como Dracula de forma mais livre … não li o livro do Stroker mas falam que é fiel … pra mim fazer filme fiel ao livro é muito dificil …. o livro sempre será melhor … contar a historia com detalhes e fidelidade de um livro em uma hora e meia é quase impossível …

  8. Matheus L. CARVALHO disse:

    O Horrorcast em homenagem ao Christopher Lee está no canal do Vimeo?

    Soube que vocês fizeram essa homenagem à ele. Queria assistir o vídeo.

    Realmente, uma perda inestimável para o cinema. 🙁

    Obrigado.

  9. mario disse:

    link morto seeds morta

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