23 – A Máscara de Fu Manchu (1932)


The Mask of Fu Manchu


1932 / EUA / P&B / 68 min / Direção: Charles Brabin / Roteiro: Irene Kuhn, Edgar Allan Wolf, John Willard (baseado na obra de Sax Rohmer) / Elenco: Boris Karloff, Lewis Stone, Karen Morley, Charles Starrett, Myrna Loy


 

Ah, o diabólico, perverso, vil e mesquinho Dr. Fu Manchu! A personificação do estereótipo e preconceito aos chineses atinge o seu auge em A Máscara de Fu Manchu, famosa produção da MGM que traz o sempre brilhante Boris Karloff no papel do perigo amarelo em pessoa.

Mas essa não foi a primeira incursão de Fu Manchu no cinema. Em 1921 já havia sido visto em dois seriados mudos, e em 1929 e 1930, foi interpretado, já na fase falada do cinema, pelo imortal Warner Oland, mais conhecido pelo papel de Charlie Chan. Porém aqui em 1932, a MGM resolveu investir pesado na sua versão, raptando Karloff da Universal após o estrondoso sucesso de Frankenstein, gastando a fortuna para a época de 330 mil dólares, criando uma produção controversa e racista. Tanto que o filme ficou fora de circulação por vários anos, mas como de costume no cinema, depois foi valorizado e ganhou o status de cult.

Inspirado no personagem dos romances pulp criado pelo inglês Sax Rohmer, escritos durante a primeira metade do Século XX, Fu Manchu é um gênio traiçoeiro do crime, que utiliza de ardis e torturas diversas, além de ser praticante de ciências obscuras e ocultas, utilização de venenos e soros de controle mental e enviar animais como répteis e aracnídeos contra seus inimigos. Sua aparência é inconfundível, com seus longos bigodes, que se tornou a sua marca registrada.

O Satânico e estereotipado Fu Manchu!!!

Em A Máscara de Fu Manchu, arqueólogos liderados pelo britânico Nayland Smith, descobre uma pista de onde pode estar enterrado o túmulo do imperador mongol Genghis Khan, junto com alguns importantes artefatos, como sua máscara e espada de ouro. Em uma corrida contra o tempo, o grupo de Nayland precisa encontrar o túmulo antes de Fu Manchu, que deseja utilizar os pertences do antigo conquistador para ascender o mundo oriental contra o homem branco, dizimando-os e controlando o mundo!

Para isso, claro que o maligno vilão irá usar tudo a seu alcance, começando por raptar um dos arqueólogos, o Sr. Lionel Barton, pai da bela Sheila, utilizando uma macabra tortura chinesa para que ele revele o local da descoberta. Fu Manchu prende Barton em uma mesa ligada a um gigantesco sino, e o priva de sono, alimentos, água e fica badalando no ouvido do pobre coitado dia e noite, até que ele finalmente fale as coordenadas.

Como se não bastasse, o namorado de Barton, Terrence também é sequestrado ao tentar ludibriar Fu Manchu levando uma máscara e espada falsas, e nele o destino ainda é pior! O china desenvolve um soro feito através de sangue de cobra, salamandra e aranhas para controlar sua mente e torná-lo um escravo de sua vontade, e de sua filha, Fah Lo See (interpretado pela Myrna Loy) que arrastou uma asa para o britânico e o quer como brinquedinho. Então resta a Nayland e Sheila recuperar a espada antes que Fu Manchu comece sua insurreição amarela contra o mundo livre, salvar Terrence de seu controle e dar cabo de seus planos maléficos de uma vez por todas.

Filhinha Man Chu

Karloff mais uma vez, como de praxe, está incrível no papel caricato do vilão. Só que claramente A Máscara de Fu Manchu é uma ode ao racismo e preconceito contra os asiáticos, afinal o cara é  traiçoeiro e inescrupuloso, digno de desconfiança, assim como os britânicos realmente viam os orientais, já que durante o imperialismo, sempre foram considerados os donos do mundo, e a Ásia foi amplamente colonizada pelos ingleses. Chega realmente a ser ofensivo como os chineses são retratados e também os demais escravos e comparsas de Fu Manchu, que são negros e hindus, julgados como a escória da escória vilanesca.

Mas deixando de lado isso, A Máscara de Fu Manchu é um filme divertidíssimo, com todo aquele exagero nos cenários, vestimentas, e nos trejeitos de Karloff e de Myrna Loy como sua filha. E assim, por mais salafrário que o Dr. Fu Manchu seja, você sempre acaba torcendo para o vilão. Pois é, Karloff faz isso com as pessoas! E as câmaras de tortura com as traquitanas de Fu Manchu? São um espetáculo à parte. Ele é uma espécie de Jigsaw de olhos puxados! Além da já citada tortura da badalada do sinos, para nossos herois são reservadas uma espécie de gangorra, onde o fulano fica amarrado em uma ponta e na outra tem uma quantidade de areia caindo para fazer peso, e logo no fosso abaixo há uma série de crocodilos famintos, e outra onde a pessoa fica presa no meio com duas paredes cheias de espinho se aproximando lentamente para perfurá-lo. Cruel! Ah e só para não esquecer, o esconderijo do vilão fica dentro de um bordel chamado “Casa dos Mil Prazeres”.

O Dr. Fu Manchu foi retratado ainda diversas vezes no cinema, com uma extensa filmografia que terminou somente em 1969 (isso sem contarmos O Diabólico Fu Manchu, comédia de 1980, último papel de Peter “Inspetor Clouseau” Sellers no cinema). Teve também Cristopher Lee usando os longos bigodes pontiagudos em algumas produções, e suas ultimas incursões na telona, dirigidas pela lenda do euro trash Jesús “Jess” Franco.

Fu Manchu, o Jigsaw oriental!


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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Douglas disse:

    link quebrado

  2. Emerson disse:

    Queria muito assistir esse filme. Sou fã do Boris Karloff e sempre procuro assistir seus melhores filmes. Seu grande talento não se resume apenas ao Frankenstein. E já tenho quase certeza que o filme é garantia de boas risadas. Obrigado e parabéns pelo blog.

  3. inclitos disse:

    Caiu o link mais uma vez. Dá para reupar? O trabalho de vocês é maravilhoso. Parabéns e continuem postando.

    Abraço.

    • Olá inclitos. Claro que dá. Já reupei! Obrigado por avisar.

      Poxa, valeu mesmo. Fico feliz que você curta o blog e pode deixar que continuarei postando, porque a lista ainda está longe de terminar.

      Abraço.

      Marcos

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