233 – O Sangue de Drácula (1970)

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Taste the Blood of Dracula 

1970 / Reino Unido / 91 min / Direção: Peter Sasdy / Roteiro: John Elder / Produção: Ainda Young / Elenco: Christopher Lee, Geoffrey Keen, Gwen Watford, Linda Hayden, Peter Sallis, Anthony Corlan, Isla Blair

 

O Sangue de Drácula é a prova cabal do quanto a franquia do vampiro mor da Hammer, interpretado por Christopher Lee, já estava entrando em franca decadência. Até então, é o filme mais fraco da série (sem contar As Noivas de Drácula, onde Lee sequer dá as caras).

É aquele mesmo problema que acomete todas as sequências, sabe? Tem hora que você não aguenta mais ver a cara de determinado personagem na telona. Isso aconteceu com Frankenstein e a Múmia na Universal, agora com Drácula e mais para frente, com todos os famosos movie maniacs, tipo Jason, Freddy, Michael Meyers, Leatherface, Pinhead, Jigsaw, e por aí vai.

Enfim, filme fraquinho, fajuto, com prazo apertado para conclusão das filmagens e orçamento baixíssimo, que começa exatamente onde termina o anterior, Drácula, o Perfil do Diabo, com o morto-vivo morrendo empalado por uma cruz. Um comerciante perdido no meio da floresta dá de cara com o agonizante vampiro e é testemunha ocular de sua destruição. Com tino para os negócios, o sujeito recolhe a capa, anel, medalha e o sangue de Drácula para vendê-lo mais tarde, para o Lorde Courtley, adorador do oculto, que junto com três distintos cavalheiros ingleses, William Hargood (Geoffrey Keen), Samuel Paxton (Peter Sallis) e Jonathon Secker (John Carson), em busca de aventuras excitantes, resolvem praticar um ritual de magia negra e ressuscitar o monstro, provando seu sangue, tal qual fosse um Jesus Cristo de presas.

O indigesto sangue vampiro não cai bem no infame Lorde Courtley e cagando de medo, os três senhores espancam o pobre diabo e fogem em disparada para suas casas, enquanto o corpo sem vida de Courtley então dá lugar ao Drácula ressuscitado de sua tumba, com seus olhos vermelho e tudo, jurando vingança contra aqueles que causaram a morte de seu servo (ah, tá, desde quando o Drácula se importa com a saúde e bem estar de seu capangas???).

Xô, coisa-ruim!

Xô, coisa-ruim!

Um por um, e com a ajuda sempre bem vinda das suas rameiras do inferno da vez, a bela loirinha Alice Hargood (Linda Hayden) e a morena lasciva Lucy Paxton (Isla Blair) conquistadas por meio de hipnose ou uma chupadela de sangue na jugular, Drácula vai matando suas três vítimas. Acontece que naquele vilarejo todo mundo tinha suas ligações. Por exemplo, o filho de Samuel Paxton, Paul (Anthony Higgins) é namorado de Alice, filha de William (que era um escroto pai abusivo que repreendia a menina). Já a irmã de Paul, Lucy, era namorada de Jeremy Secker, filho de Jonathon. Ou seja, está tudo mais ou menos em família, meio novelão mexicano.

Com o desaparecimento de Lucy e de Alice, Paul, aconselhado por uma carta deixada por Jonathon antes de morrer, se municia do kit básico para matar vampiros, com estacas, martelos e cruzes, e vai ao encalço de Drácula, para tentar destrui-lo e salvar a alma da sua amada, mesmo sendo contrariado pelo inútil e rabugento inspetor Cobb, interpretado por Michael Ripper, eterno coadjuvante da Hammer, tendo participado de três filmes da franquia.

E é isso. Dentro daquele esquema maniqueísta de todos os filmes de Drácula, e da Hammer como um todo por bem dizer, o mocinho vence no final, o vampiro é derrotado mais uma vez, mas prontinho para voltar na próxima sequência, O Conde Drácula, lançado no mesmo ano e que é bem melhor do que O Sangue de Drácula, e também muito mais violento e sanguinário. Christopher Lee sempre sinistrão com aquela cara carrancuda de Drácula salva o filme, apesar de mais uma vez, ter pouquíssimas falas por conta de ter ficado descontente com o roteiro e de resto, mais do mesmo: mulheres bonitas, carruagens, estética gótica decadente que já está perdendo seu encanto, e por aí vai. E o pior é que Vincent Price foi cotado para participar do filme, no papel de William Hargood, mas que foi preterido pela falta de grana para pagar seu cachê.

Bebendo o sangue de Drácula

Bebendo o sangue de Drácula

Serviço de utilidade pública:

O DVD de O Sangue de Drácula está atualmente fora de catálogo.

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

10 Comentários

  1. Excelente postagem e excelente comentário sobre um filme que eu gosto muito. Mais uma vez vc foi impecável. Apenas esqueceu de mencionar o nome do excelente ator inglês Ralph Bates(Lord Courtley), morto ainda novo aos 51 anos. Bates fez inúmeros filmes tanto para a tv inglesa quanto para a tv americana. A extinta tv Tupi do Rio de Janeiro exibiu lá pelos idos da década de 70 o Dr. Jeckyll and Sister Hyde. Michael Ripper, como vc brilhantemente comentou, foi o eterno coadjuvante dos filmes da Hammer. Um abraço forte.

  2. […] que traz Lee pela quinta vez reprisando o papel (pois antes de O Conde Drácula, ainda foi lançado O Sangue de Drácula no mesmo ano, mas como a minha lista é em ordem alfabética e não por data de lançamento, este […]

  3. […] da história da Europa medieval, a direção preguiçosa de Peter Sady (que já havia dirigido O Sangue de Drácula para a Hammer) deixa o longa arrastado, quebrando todo e qualquer clima, além do roteiro ser […]

  4. […] da história da Europa medieval, a direção preguiçosa de Peter Sady (que já havia dirigido O Sangue de Drácula para a Hammer) deixa o longa arrastado, quebrando todo e qualquer clima, além do roteiro ser […]

  5. desde criança que assisto os filmes da hammer com cristopher lee e ele para mim foi o ator melhor nesse gênero até outro milênio ou de volta as telas em outras passagens é ele e quanto aos filmes baratos é porque a hamer só andava nas picas,

  6. Roderick Verden disse:

    Um dos meus preferidos filmes de Drácula. E Linda Hayden, com apenas 16 aninhos, está muito linda!

  7. ROMEO JR. disse:

    SENÃO ME ENGANO ,VI PELA PRIMEIRA VEZ ESSE FILME NO CANAL 4 TVS HOJE SBT ,NUMA SEXTA A NOITE 1985 OU 6 POR AI MUITO LEGAL .

  8. Eduardo disse:

    Eu gostei deste filme a fotografia é muito boa… embora o do Terence Fisher de 1958 seja o melhor este tem um roteiro interessante 3 velhos com poder financeiro procuram viver emoções através da libertinagem a ponto de pagar o preço de um Ritual Satanico… e além disso sempre a Hammer teve atrizes bonitas no elenco … o nosso Dracula manteve o mesmo esitlo dos filmes anteriores e como em quase todos filmes da Hammer eles cagam final… ou tudo pega fogo e desaba ou o Dracula morre da forma mais tosca possivel … isso me deixa puto pois geralmente o filmes tem bons roteiros e produção mas no final… sem contar a cenas de noite que são filmadas de dia… mas tirando isso filmes valem por serem Clássicos… hoje em dia tem um monte de filmes com tudo de efeito especiais possiveis e com roteiros péssimos… então eles ainda ganha facil…

    Ex O Herdeiro do Diabo, REC 3, Atividade Paranormal 5, etc esta lista poderia ter uns 50 titulos fácil

    Estes são exemplos de filmes que eu achava que seriam muito bons, foram uma m*&%$# !!!

    Abrç !!!

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