234 – O Uivo da Bruxa (1970)

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Cry of the Banshee 

1970 / Reino Unido / 91 min / Direção: Gordon Hessler / Roteiro: Christopher Wicking, Tim Kelly (história) / Produção: Samuel Z. Arkoff, Gordon Hessler, Louis M. Heyward, Clifford Parkes (Produtor Associado) / Elenco: Vincent Price, Elisabeth Bergner, Essy Persson, Hugh Griffith, Sally Geeson

 

Lembra no meu post do primeiro filme do blog da década de 70, O Altar do Diabo, que eu comecei meu texto falando que a gente tinha saído dos anos 60, mas os anos 60 não haviam saído de nós? Aqui em O Uivo da Bruxa temos outro exemplo que segue a mesma estética dos filmes da década anterior, só que mais violento e com mais peitinhos à mostra.

Afinal, a patota envolvida nesta fita, é figurinha carimbada do cinema gótico de terror que dominou a telona durante todo os sixties. Gordon Hessler na direção (que dirigiu O Ataúde do Morto Vivo, adaptação de um conto de Edgar Allan Poe), produção de Samuel Z. Arkoff e James H. Nicholson para a incansável casa de filmes B, American International Pictures, e elenco liderado por Vincent Price. Também é inevitável a comparação de O Uivo da Bruxa com outro filme do ator, também coproduzido pela AIP, com a temática extremamente parecida: O Caçador de Bruxas.

Mas não estou desfazendo do filme não. O Uivo da Bruxa é bem interessante. Um bom filme, que tenta respirar na sobrevida desse gênero do cinema fantástico pós O Bebê de Rosemary, e antes do cinema de horror pessimista e sádico invadir as telas no decorrer da década.

Com o público sedento por mais sangue e selvageria, aquele horror implícito gótico subentendido que fazia sucesso outrora, agora foi substituído por um menu completo de Grand Guignol, e isso faz com que O Uivo da Bruxa tenha diversas e impactantes cenas de tortura (para a época, que hoje é nada para a geração torture porn), com bastante sangue (na medida do possível), violência física, assassinato, estupro, nudez, sabás de bruxas e por aí vai.

Price e sua turma

Price e sua turma

Vincent Price vive o magistrado Lorde Edward Whitman, que na Inglaterra do Século XVI, empenha-se em exterminar a prática de bruxaria, mandando garotas, ora inocentes, ora não, para a fogueira, tortura, linchamento público, e todas essas delicadezas. Tudo anda as mil maravilhas para o Lorde Whitman e sua família, seus filhos Sean (Stephan Chase), o filho pródigo, preferido, que ajuda o pai na sua caça às bruxas, Harry (Carl Rigg), o almofadinha que volta para a cidade natal após estudar em Cambridge e tem que aguentar a preferência do pai pelo irmão mais velho, e Maureen (Hilary Heath) que tem um caso às escondidas com Roderick (Patrick Mower), um empregado da família, que vive na casa dos Whitmans por possuir uma espécie de “capacidade” de conseguir sempre acalmar a alterada (leia-se xarope) segunda esposa de Edward, a Lady Patricia Whitman (Essy Persson).

Até que o Lorde Whitman resolve se meter com a bruxa Oona e seu círculo de adoradores das trevas, interrompendo um sabá e matando alguns dos seus seguidores. Pronto, a bruxa, em busca de vingança, resolve jogar uma pesada maldição na família, evocando as forças das trevas e das antigas religiões, transformando Roderick em uma terrível criatura demoníaca mutante ao seu chamado, incumbindo-o de matar todos os membros da família. Fora Patricia, que aos poucos vai ficando mais louca e dando vários vexames em público, constrangendo o marido. A criatura em si está mais para lobisomem, tosquíssima, fruto do baixo orçamento, padrão registrado da AIP, mas que nunca aparece em sua totalidade, apenas alguns violentos ataques em POV e cortes rápidos ao mostrar a face do monstro. Decisão acertada como sempre, para não cair de vez no escárnio.

O filme obviamente recebeu diversos cortes da censura inglesa, como de costume, por conta de seu conteúdo violento e os temas pesados que aborda, como bruxaria e satanismo. E nessa toada, claro que nunca foi lançado oficialmente no Brasil. Afinal, anos 70, ditadura militar. Sabe como é.

O Uivo da Bruxa é um filme honesto e cumpre o que promete. Seu final pessimista e assustador também é muito bacana. Não há mais nada que falar sobre Vincent Price, que eu não tenha discorrido nesse blog. Ele é simplesmente O MELHOR e pronto. E esse é o último papel de horror gótico que ele faria na carreira, o qual ficaria tão marcado. E saiba você que O Uivo da Bruxa foi selecionado para o primeiro Quentin Tarantino Film Fest em Austin, Texas, que aconteceu em 1996. E quem somos nós para não assistir um filme indicado por Tarantino?

Queime bruxa, queime!

Queime bruxa, queime!

Serviço de utilidade pública:

O DVD de O Uivo da Bruxa não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

1 Comentário

  1. […] O Ataúde do Morto-Vivo é o filme mais inspirado de Hessler (que tem em seu currículo O Uivo da Bruxa e Grite, Grite Outra Vez, entre outros) e confessamente Grand Guignol, também bastante guiado […]

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