236 – Vampiros Lesbos (1970)

vampyros-lesbos-movie-poster-1971-1020199201

Vampyros Lesbos

1970 / Alemanha Ocidental, Espanha / 89 min / Direção: Jesús Franco / Roteiro: Jaime Chávarri, Jesús Franco, Anne Settimó / Produção: Artur Brauner, Karl Heinz Mannchen (Produtor Executivo) / Elenco: Soledad Miranda, Ewa Stromberg, Dennis Price, Heidrum Kussin, J. Martinez Blanco, Andrés Monales


Vampiros Lesbos de Jesús “Jess” Franco só tem uma única razão de ser: mostrar as protagonistas Soledad Miranda e Ewa Stromberg peladinhas, se pegando, em várias cenas de nu frontal, a maior parte da película. Esqueça qualquer tentativa de roteiro, construção de narrativa e esmero técnico por parte dos seus realizadores.

Fato é que Vampiros Lesbos é a obra mais cultuada do pai do Euro Trash, que tem uma extensa, e completamente díspar, filmografia no currículo e ainda assim, como todas as limitações de orçamento e um fiapo de história, este soft porn vampírico, conseguiu imprimir um estilo único, através da sua genialidade subversiva, trabalhando de forma escancarada e nunca vista antes, a questão do lesbianismo intrinsecamente ligado ao vampirismo, tema o qual Sheridan Le Fanu levantou a lebre em seu livro Carmilla, lá no século XIX, e que foi depois transportado para o cinema em diversas produções, mas nunca com a dose cavalar de erotismo vista aqui.

Franco era um sujeito apaixonado pelo gênero, e um contador de histórias psicodélicas como nenhum outro. Para cada pornô que dirigia com seus diversos pseudônimos (aqui mesmo ele assina a direção como Franco Manera), ele conseguia grana para uma obra autoral, passeando nos mais diversos subgêneros, como os vampiros (Vampiros Lesbos e Conde Drácula, por exemplo), cientistas loucos (O Terrível Dr. Orloff), mulheres na prisão (99 Mulheres) e até o famigerado personagem Fu Manchu (O Castelo de Fu Manchu, Fu Manchu e o Beijo da Morte, e por aí vai).

Babando sangue

Babando sangue

Em Vampiros Lesbos, Franco pega o texto de Bram Stoker, “O Convidado de Drácula”, de forma não creditada, e traveste a história, com diversos elementos de Drácula em si, com algumas pitadas de liberdade poética. A Condessa Nadine Carody (vivida pela estonteante morena Soledad Miranda) é uma vampira que mora em uma ilha da Turquia, salva pelo próprio Drácula da morte, que a transformou em sua discípula. Ah, além disso ela também faz um bico em um clube privê em Istambul, onde faz apresentações sensuais nua com outras garotas, que acabariam por se transformar em suas futuras vítimas e fonte de alimentos.

E é nesse clube que a advogada Linda Westinghouse (a loira gostosa Ewa Strömberg) fica fascinada pela morena, quando é levada ao local pelo seu namorado Omar. Linda finalmente cede aos encantos da vampira quando é obrigada a viajar até a ilha onde a Condessa vive para resolver algumas questões legais (tal qual Jonathan Harker). E logo ao se encontrarem, como é a coisa mais comum quando um advogado vai até um cliente tratar de negócio, as duas resolvem de imediato nadar no mar e tomar sol peladas na praia. E sim, a Condessa Carody não tem nenhum problema com o sol e nem se transforma em cinzas, podendo pegar um bronze numa boa.

Enfeitiçada por Carody, Linda começa a viver em cárcere sob os poderes sedutores da vampira, em uma mistura de desejo, medo, luxúria e ódio, sendo acometida por terríveis pesadelos e ataques de amnésia. Após ser resgatada da ilha e internada em uma instituição psiquiátrica sob a observação do Dr. Seward (Dennis Price), há certa virada de mesa com relação aos sentimentos dos personagens. A Condessa, antes a figura dominadora, fica perdidamente apaixonada pela humana, passando a ser dominada pelos seus sentimentos, e não medirá esforços para poder ficar com a garota, que a repudia mesmo enquanto declara seu amor. Ajuda a vampira nessa empreitada seu estranhíssimo capanga de óculos escuros, Morpho (nome que aparentemente Franco adorava dar para capangas, já que também é o nome do comparsa de crimes do Dr. Orloff).

Duas aranhas...

Subi no muro do quintal…

Lógico que tudo isso é pano de fundo para as duas colocarem as aranhas para brigarem direto, e Franco usar a abusar dos closes e aproximações de câmera que tanto adora, e extrapolar na tela peitinhos, bundas, pernas, coxas e vastas quantidades de pelos pubianos (afinal, estamos nos anos 70). Para não ficar só nas duas também, vira e mexe tem uma pobre coitada que tem seu sangue sugado nos shows eróticos da Condessa, e também a pobre Agra, vivida por Heidrum Kussin, vítima anterior da vampira, que vive em um estado histérico de nervos e internada na ala psiquiátrica do hospital do Dr. Seward (trocando em miúdos, uma versão feminina de Reinfield).

Mas não adianta. Por mais que Franco tenha tentando colocar certa dose de simbolismos no filme (o escorpião representando a vampira e a mariposa, Linda, sua vítima), explorar muito bem a fotografia de Istambul, o jogo de cores, abusando no uso de cores quentes e do vermelho, excelente trilha sonora da dupla alemã Manfred Hubler e Siegfried Scwab e ter forçado os temas tabus e teorias freudianas sobre a natureza sexual humana, o que mais fica marcado em Vampiros Lesbos é a mulherada pelada, os beijos, a completa entrega de uma personagem pela outra e a esfregação. É uma bomba de tesão pronta para explodir a qualquer momento, atacando com tudo a libido de nós, pobres espectadores.

Infelizmente a musa de Franco, Soledad Miranda, morreria pouco tempo depois do lançamento do filme, em um trágico acidente. A garota que caminhava para sagrar-se com o título maior de rainha do sexploitation e do euro trash, teve sua carreira encerrada com apenas 27 anos de idade e Franco nunca mais se recuperou após esse baque e tampouco conseguiu encontrar outra figura feminina que completasse seus papeis como Soledad fez.

Vampiros Lesbos causa fascinação. Isso é engraçado se pararmos para analisar friamente que é um filme com atuações bisonhas (das protagonistas, não obstante), roteiro idiota e direção quase amadora de Franco (e seus malditos closes). Mas cá entre nós, nunca iremos procurar na filmografia de Franco, em seus mais de 150 filmes, um roteiro primoroso e uma direção exemplar, mas sim sua aura onírica, atmosfera psicodélica, e belíssimos exemplares de nudez feminina sem o menor recalque.

Vem ni mim...

Vem ni mim…

Serviço de utilidade pública:

Compre o DVD de Vampiros Lesbos aqui.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

8 Comentários

  1. Jack Tigre disse:

    Já vi que vale a pena baixar…..o roteiro não interessa…kkkkkk

  2. […] estilo Jesús Franco de fazer cinema. Rodado juntamente e com a mesma equipe de seu longa anterior, Vampiros Lesbos, Franco, como de praxe abusa de seus zooms invasivos de forma exagerada e traveste o filme de […]

  3. Popeyescan disse:

    O torrent está errado. Tá baixando o torrent de Valerie and Her Week of Wonders.
    Obrigado

  4. […] comedido aqui nas cenas de putaria e nudez. Ainda mais falando de um cara que tem Macumba Sexual, Vampiros Lesbos e Ela Matou em Êxtase em sua filmografia, entre […]

  5. Alice disse:

    Parece que a legenda está atrasada.
    Parabéns pelo site :*

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: