237 – The Wizard of Gore (1970)

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1970 / EUA / 95 min / Direção: Herschell Gordon Lewis / Roteiro: Allen Kahn / Produção: Herschell Gordon Lewis, Fred M. Sandy (Produtor Executivo) / Elenco: Ray Sager, Judy Cler, Wayne Ratay, Phil Laurenson, Jim Rau, Don Alexander

 

The Wizard of Gore é mais uma das canastrices sanguinolentas do pai do gore, Herschell Gordon Lewis. O inventivo e transgressor americano mais uma vez proporciona um banho de sangue sem limites com uma história das mais absurdas e escalafobéticas, chutando o pau da barraca, que já havia sido chutado pelo próprio anteriormente na sua famosa Trilogia de Sangue, que consiste de: Banquete de Sangue, Maníacos e Color Me Blood Red.

Sério, é tanta víscera, tripas, tanto sangue, tanta nojeira, tantos órgãos sendo arrancados, que até mesmo os mais escolados fãs do horror, como eu, sentem certa repulsa pelo filme. H.G. Lewis utilizou duas carcaças de ovelhas para seus efeitos especiais gore. Essas carcaças tinham de ser levadas de um lado para o outro durante duas semanas, enquanto o filme era rodado, e mergulhadas em Pinho Sol para conservá-las.

Na cena quando a garota é serrada ao meio por uma serra elétrica, foram utilizadas duas mulheres, uma fazendo “o papel” da parte superior da vítima, e a outra a parte inferior. A barriga falsa estava cheia de órgãos de animais, cera e preservativos cheios de sangue falso, que foi colocado entre as duas. Lewis alegou ter ficado descontente com o resultado final desses efeitos de maquiagem, devido ao tempo de filmagem e parcos recursos, além de acidentes imprevistos no set. Mas fato é que impressionam. É podre, tudo fake, mas causa uma nojeira tremenda.

A história gira em torno do mágico Montag, o Magnífico (Ray Sager) que apresenta um show de ilusão de ótica, onde desmembra, decapita, eviscera, serra ao meio, esmaga com uma prensa hidráulica e enfia espadas goela abaixo de jovens garotas da plateia hipnotizadas por ele. Só que acontece que depois das “voluntárias” saírem ilesas do show, elas acabam morrendo a caminho de suas casas, com as mesmas máculas físicas provocadas por Montag.

O duro trabalho das assistentes de palco

O duro trabalho das assistentes de palco

Isso chama a atenção de um casal de jornalistas, Sherry Carson (Judy Cler) a âncora de um programa de televisão que quer entrevistar Montag em seu programa, e Jack, repórter esportivo do jornal local, que fica intrigado com a violenta morte das garotas logo após a apresentação de Montag, acreditando que há algum psicopata na plateia levando a sério os truques do mágico. Daí o roteiro dá uma embolada tão absurda, mas tão absurda, que escamba para um final ridículo, quando finalmente Montag decide aparecer em rede nacional e hipnotizar o mundo inteiro através do tubo de TV para que um gigantesco suicídio coletivo em massa aconteça.

E as tais ilusões de ótica (ou seriam ilusões idióticas?) mostrando um vai e vem sem noção das moças estripadas e depois normais, não consegue causar outra reação, senão riso. E um recurso mequetrefe de verdade ou ilusão no final do filme coroa a podreira dessa produção e do roteiro estapafúrdio escrito por Allen Kahn. As atuações, como de praxe nos filmes de H.G. Lewis, não são o ponto forte, apesar do cínico e sinistro Montag de Ray Sager (escalado de último minuto para o papel do ilusionista), tirando seus monólogos estapafúrdios antes de suas performances, estar bem interessante.

Mas se pensarmos em “qualidade técnica”, The Wizard of Gore é o produto mais interessante da filmografia gore de H.G. Lewis em sua série de filmes desajeitados, grosseiros e recheado de não atores. E as sequências elípticas do roteiro (vulgo, as ilusões idióticas) dão ainda um ar mais mambembe tentando ligar os buracos (ou crateras lunares) da história, porém, algo que estamos terrivelmente acostumados nos filmes desse artesão do grindhouse.

Em 2007, The Wizard of Gore ganhou um remake, estrelado por Crispin Glover, o pai de Marty McFly em De Volta para o Futuro ou o pobre Willard em A Vingança de Willard (que por sinal, também é uma refilmagem). E para quem não sabe, esse filme é exatamente aquele VHS que está passando em Juno, filme cult teen independente de Jason Reitman, o que fez gerar um certo interesse hypster recente com relação ao longa.

Cadê o coelho?

Cadê o coelho?

Serviço de utilidade pública:

O DVD de The Wizard of Gore não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

1 Comentário

  1. […] são tão explícitas quanto o filme anterior de Lewis (ou outros posteriores, vide o apelável The Wizard of Gore). Talvez para abrandar a censura. E nota-se, por incrível que pareça, um certo avanço técnico […]

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