239 – Balada Para Satã (1971)

Mephisto-Waltz

The Mephisto Waltz 

1971 / EUA / 115 min / Direção: Paul Wendkos / Roteiro: Bem Maddow (baseado na obra de Fred Mustard Stewart) / Produção: Quinn Martin, Arthur Fellows (Produtor Associado) / Elenco: Alan Alda, Jacqueline Bisset, Barbara Parkins, Bradford Dilman, William Windom, Curd Jürgens

 

 

O Bebê de Rosemary de Roman Polanski abriu um precedente no final dos anos 60 que seguiria firme e forte no cinema de terror da próxima década: as produções com subtemas religiosos, mais precisamente envolvendo o demônio e satanismo. Diversos longas deste gênero pipocaram seguindo a sua rabeira, e um deles é Balada Para Satã, do diretor Paul Wendkos.

Descaradamente inspirado no clássico de Polanski, apostando em uma história simples e direta, fazendo um resumão aqui, a trama traz uma mulher às voltas com uma seita diabólica que se aproveitou do seu marido. Ponto. O filme é baseado no livro de Fred Mustard Stewart, e seu titulo original, The Mephisto Waltz, é o conjunto de quatro valsas compostas por Franz Liszt. Isso porque há um viés musical que funciona como o fio condutor do enredo.

Myles Clarkson, personagem de Alan Alda, é um pianista frustrado que abatido após a primeira crítica, largou os concertos e transformou-se em um jornalista (pobrezinho, tanta profissão melhor…). Ele vive uma vidinha medíocre e enfadonha com a esposa Paula, interpretada por Jacqueline Bisset. Até ele conhecer o virtuoso pianista clássico Duncan Ely (Curd Jurgens), e sua bela e jovem filha Roxanne (Barbara Parkins) que reaviva o fogo da música em Clarkson, tornando-o uma espécie de filho/ protegido do velho músico.

Claro que primeiro, Duncan vive rodeado de gente excêntrica e esquisita (todos membros da mesma seita satânica). Segundo, a esposa de Myles, Paula, começa a ficar desconfiada e sentir-se incomodada com aquela gente e o novo comportamento do marido. Qualquer semelhança com O Bebê de Rosemary é “mera conicidência”.

Invocando o Coisa-Ruim

Invocando o Coisa-Ruim

Acontece que Duncan é doente terminal de câncer, adorador do diabo e incestuoso apaixonado pela sua filha (a ponto de provocar o assassinato da própria mulher atacada por um dobermann!!!). Gente boníssima. Num grave ataque em sua leucemia, Duncan acaba morrendo e é aí que através de um ritual de magia negra orquestrado por Roxanne, tem sua alma transferida para o corpo do ingênuo e deslumbrado Myles. Paula começa a ficar desconfiada da conspiração e das atitudes diferentes do marido, que herda 100 mil dólares, deixados por Duncan em seu testamento, e o substitui na sua aclamada turnê musical. Além disse, ela é acometida por uma série de pesadelos tétricos e surreais.

Só que como bom mercador, satã sempre exige uma barganha. Nesse caso, a filha do casal é morta, atingida por uma doença fulminante, para ser oferecida como sacrifício ao tinhoso. Após uma série de investigações, auxiliada também pelo ex-marido de Roxanne, Paula acaba descobrindo todo o plot macabro e resolve dar o troco na mesma moeda, pedindo ajuda das forças das trevas para poder ficar com seu marido de volta. ALERTA DE SPOILER. Pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco. Paula invoca o Coisa-Ruim e também oferece uma barganha. Ela usa o mesmo ritual para transferir sua alma para o corpo de Roxanne, após suicidar-se em uma banheira. Assim, poderá continuar próxima ao corpo do marido, fingindo ser outra pessoa.

O final pessimista e macabro é um dos pontos altos do filme, que não investe em efeitos especiais e sangue. Assim como seu roteiro em si, muito bem escrito por Ben Maddow. Mas o que é mais interessante de tudo é realmente constatar (mais uma vez, por sinal) como é boa a safra dos filmes dos anos 70, que apostavam muito mais no roteiro e na construção da atmosfera sobrenatural e de seus personagens, do que em mortes violentas e espetaculosas e fantasmas prontinhos para dar um jump scare desnecessário no espectador. Hoje em dia, pode até ser um filme com ritmo lento, dentro daquele molde de “filme para TV” que com certeza desagrada aos mais novos, mas conta com uma trama envolvente de ocultismo e excelente trilha sonora do sempre ótimo Jerry Goldsmith.

Claro, não é um daqueles filmes de terror que irá te marcar e envolver seu imaginário para o resto de sua vida, com atuações irrepreensíveis de seus protagonistas (dois grandes astros de Hollywood, Alda e Bisset) e cenas de gelar a espinha. E não sei se já mencionei, é bem chupinado de O Bebê de Rosemary. Mas ainda assim, Balada Para Satã é um bom entretenimento descompromissado.

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Rivais

Serviço de utilidade pública:

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

1 Comentário

  1. […] tratando-se do cinema de horror. Temos como bons exemplos Encurralado, de Steven Spielberg e Balada para Satã de Paul Wendkos, além de diversos outros, é claro. Trilogia de Terror é mais um para entrar […]

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