243 – A Condessa Drácula (1971)

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Countess Dracula

 1971 / Reino Unido / 93 min / Direção: Peter Sasdy / Roteiro: Alexandre Paal, Peter Sasy, Gabriel Ronap (ideia) (baseado na obra de Valentine Penrose – não creditado) / Produção: Alexandre Paal / Elenco: Ingrid Pitt, Nigel Green, Sandor Elès, Maurice Denham, Lesley-Anne Down


A Condessa Drácula é mais um daqueles clássicos absolutos da Hammer, que desta vez, apesar do título errôneo tentando capitalizar em cima da franquia vampírica do estúdio, nada tem a ver com o personagem imortalizado por Christopher Lee, e mesmo com vampiros em si, e sim, é inspirado pela lenda da infame Condessa Elisabeth Bathory, conhecida com A Condessa Sangrenta.

Bathory foi uma condessa húngara do século XVI, sádica, cruel, arbitrária que castigava e torturava os camponeses dos vilarejos próximos de seu castelo das piores formas possíveis. Após cem anos de sua condenação e morte, um padre jesuíta chamado László Turoczy localizou documentos históricos e recolheu histórias que circulavam entre os habitantes locais e incluiu relatos de que sugeria que a condessa banhava-se no sangue das garotas virgens que matava, para rejuvenescer.

É a partir deste enredo que os roteiristas Jeremy Paul e Alexander Paal desenvolvem o roteiro de A Condessa Drácula, criando a personagem Elisabeth Nodosheen que seria interpretada pela voluptuosa polonesa Ingrid Pitt, que já havia feito sucesso chupando sangue e mostrando seus seios fartos e copo perfeito em Carmilla – A Vampira de Karnstein, da Hammer, também no ano anterior.

Na trama, a velha e carcomida Condessa descobre o poder rejuvenescedor do sangue das virgens logo após a morte de seu marido, quando na leitura do testamento, vê-se obrigada a dividir o castelo e a fortuna com a filha Ilona, há muito longe. Auxiliada pelo seu amante, Capitão Dobi (Nigel Green) o intendente do castelo e sua criada e confidente, Julie Sentash (Patience Collier), Elizabeth começa a raptar as jovens do vilarejo logo depois de ser salpicada com o sangue de uma de suas criadas ao se cortar tentando descascar um pêssego. Instantaneamente o local onde o sangue espirrou em seu rosto começa a aparentar mais jovem. Espero que a Avon, Natura, Jequiti e todas essas empresas de cosmético que retardam o envelhecimento da pele não tentem essa saída.

Antes...

Antes…

Devaneios a parte, a Condessa é tão ruim que começa a se passar por sua filha Ilone e manda Dobi raptá-la e mantê-la em cárcere privado. Linda, jovem, livre, Elizabeth se engraça com o jovem soldado Imre Toth (Sandor Elès), que havia servido o exército com seu ex-marido e lhe salvado a vida várias vezes, recebendo de herança uma casa e o estábulo com todos os seus cavalos. Dobi fica puto em saber que a Condessa está de casamento marcado com o rapaz, se passando por sua jovem filha, e tenta sabotar seu plano, primeiro tentando fazer com que Elizabeth pegue o amado com uma prostituta na cama (só que o sujeito estava tão bêbado que não conseguiu nem chegar aos finalmentes), momento em que a Condessa descobre realmente que só o sangue das virgens poderia rejuvenescê-la ao tentar se banhar com o sangue da rameira. Depois Dobi conta toda a verdade para Imre, levando-o até onde a também bela (e jovem de verdade, sem uso de cosmét…ops, sangue) Ilona está presa e desmascarando a Condessa diabólica.

Apesar de a história ser deveras sinistra e retratar uma das figuras mais malignas da história da Europa medieval, a direção preguiçosa de Peter Sady (que já havia dirigido O Sangue de Drácula para a Hammer) deixa o longa arrastado, quebrando todo e qualquer clima, além do roteiro ser bastante superficial mesmo com a total ausência de qualquer conflito de culpa ou consciência pesada dos personagens vilanescos do filme, mas que não é o suficiente para torná-lo dinâmico e atrativo.

O que vale a pena, obviamente, e o que 11 em cada 10 espectadores do sexo masculino esperam no filme, é a cena onde Ingrid Pitt é pega no flagra, peladinha, banhando-se com o sangue de mais uma de suas vítimas. É uma cena muito rápida e ela logo já esconde suas vergonhas, sendo bem menos explícita do que o seu banho em uma banheira minúscula e sua corridinha de toalha atrás de uma ninfeta em Carmilla – A Vampira de Karnstein. Mas mesmo assim, está valendo. Fora isso, há também um ou outro peitinho a mostra, algumas cenas de lesbianismo, mas nada ultrajante e sangue sem muita abundância. Mérito mesmo é para a maquiagem da equipe de Tom Smith, fazendo a belíssima Pitt se transformar em uma velha megera.

A Condessa Drácula vale como uma forma de incitar a curiosidade em procurar textos e documentários, que há aos montes na Internet, sobre a terrível Condessa Elizabeth Bartory, que sem dúvida foi uma das personagens que inspiraram as lendas que deram origem ao mito do vampiro e ajudaram a fomentar a sua importância no gênero do horror e na cultura pop.

...e depois!!!!!!!

…e depois!!!!!!!

Serviço de utilidade pública:

O DVD de A Condessa Drácula está atualmente fora de catálogo.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

9 Comentários

  1. Prezado amigo. Já falei, e repito, que seu blog é um dos melhores.. Porém, gostaria de dar algumas sugestões:

    1) Respeito a sua cronologia mas, também seria legal se vc colocasse mais filmes antigos também. E quando falo em filmes antigos, me refiro aos da década de 30, 40 e 50.

    2) Existem vários filmes antigos que estão com o link quebrado, principalmente os das décadas de 40 e 50.

    3) Vc poderia intercalar os filmes que estão com os links quebrados com os que vc está colocando em ordem cronológica. Ou seja, ao invés de postar 1 filme por dia, vc postaria 2 filmes.

    4) Colocar também seriados.

    5) Dar uma chance aos filmes de sci-fi também

    6) Sei que dá uma trabalheira danada conciliar blog, vida pessoal, profissional mas, the show must go on.

    Grande abraço.

    • Grande Sérgio.

      Vamos lá as suas sugestões (muito válidas e que agradeço demais).

      1) Então, o esquema do blog é uma lista dos 1001 filmes na minha humilde opinião, que lógico que irá gerar controvérsias, como toda boa lista, então muita coisa acaba ficando de fora (mesmo a lista sendo enorme). Já passei pelas décadas de 30, 40 e 50 e estou tocando o barco agora até chegar aos anos 2010. Então não vou voltar tão cedo a postar filmes deste período que se passou. Mas depois que a lista se encerrar, irei fazer posts aleatórios, aí sim voltarei a falar sobre mais filmes antigos.

      2) Quando você deparar com um link quebrado Sérgio, só avisar nos comentários mesmo que já reuparei o mais rápido possível.

      3) Cara, infelizmente vai quebrar toda minha rotina se eu postar dois filmes por dia, mesmo só repostando aqueles com os links quebrados. O meu intuito do blog mesmo é a resenha e análise do filme. Sempre considerei link para baixar em segundo plano, só para as pessoas poderem assistir sobre o que estou falando e se concordam ou não. Não considero um blog de “download de filmes”. Mas como disse lá em cima, sempre que tiver um link quebrado, só comentar que eu arrumo ASAP. 😉

      4) Seriado foge da minha proposta do blog, Sérgio. Porque como disse acima, o blog é uma trabalho “jornalístico”, de análise e resenha dos filmes, então para postar seriados, fugiria da minha, digamos, linha editoria do blog, até porque eu teria que assisti-los para escrever sobre, o que também impossibilita a coisa. 🙁

      5) Filmes de sci-fi só os que estejam mais ligados ao universo do terror mesmo. Por conta da proposta do blog também. Mas claro que mais filmes irão pintar na lista, e outros mais clássicos na, digamos, terceira fase do blog (que sabe lá Deus quando vou acabar essa lista imensa!!!)

      6) Pow Sérgio, dá trabalho MESMO. Imagine assistir 1001 filmes, ir escrevendo sobre cada um deles, ainda fazer o Horrorcast, editar, fazer o TOP CINCO, editar, e ainda ter que trabalhar, namorar, etc, etc… Tem que ter perseverança. Mas graças a leitores como você, que eu fico com tesão de fazer isso tudo e sigo em frente.

      Abração.

      Marcos

  2. […] para manter a sua juventude e imortalidade (também inspirador do filme da Hammer do mesmo ano, A Condessa Drácula, com Ingrid Pitt no elenco), o pródigo Kümel usa essa premissa para criar seu filme […]

  3. […] Infelizmente Ingrid Pitt não volta em nenhum dos dois, mais viveria uma vampira novamente em A Condessa Drácula no ano seguinte, filme inspirado na lenda da Condessa Bathory, que se banhava em sangue com o […]

  4. Lucas Henderson disse:

    Enquanto passava por uma loja na cidade, me deparo com o DVD de Condessa Dracula no meio de várias outras obras de valor duvidoso. Comprei e me surpreendi com a qualidade dos filmes da Hammer. É claro que eu só conhecia o filme por causa da dica do blog. Pergunta: No final do filme uma camponesa chama a vilã de Condessa Drácula, entretanto o personagem só iria ser criado em 1897. Como assim? Parabéns pelo trabalho. Abraços.

    • Oi Lucas! Ah que legal que você achou o filme em DVD e comprou pela dica do blog. Ah, essa dúvida aí chama-se FURO NO ROTEIRO, tão típicos (e adoráveis) nos filmes da Hammer, hahahahaha.

      Abs

      Marcos

  5. Matheus L. CARVALHO disse:

    Um filme lindo.
    A segunda melhor cinebiografia da Condessa.
    A primeira, é um drama de 2008 – um filme maravilhoso!
    “A CONDESSA DRÁCULA” tem tudo que os clássicos da Hammer tinham, sem tirar, nem pôr.
    Enfim, um dos melhores épicos do Estúdio.

    Um filme lindo.

  6. […] Elizabeth (2008) x A Condessa Drácula (1971) […]

  7. […] como Condessa de Sangue, é uma fonte de inspiração tanto no mundo da música como no do cinema (A Condessa Drácula, Escravas do Desejo, The Countess). Curiosidade: a banda sueca Bathory, com o nome em homenagem a […]

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