244 – Ela Matou em Êxtase (1971)

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Sie tötete in Ekstase / She Killed in Ecstasy

 1971 / Alemanha Ocidental, Espanha / 73 min / Direção: Jesús Franco / Roteiro: Jesús Franco / Produção: Artur Brauner, Arturo Marcos, Karl Heinz Mannchen (Produtor Executivo) / Elenco: Soledad Miranda, Fred Williams, Paul Muller, Howard Vernon, Ewa Strömberg, Horst Tappert

 

Ela Matou em Êxtase é a sublimação entre o diretor Jesús “Jess” Franco, o pai do euro trash e sua principal musa, a atriz Soledad Miranda. Uma história de vingança inspirado por A Noiva Estava de Preto de François Truffaut. Só que esqueça o brilhante diretor francês, substituindo-o pela bagaceira típica de Franco, trilha sonora esdrúxula de Manfred Hübler e Sigi Schwab e frames e mais frames de Soledad nua em pelo (e coloque pelo nisso!!!).

Sabe aquela seriezinha meia boca Revenge, que passa aqui no Brasil no canal por assinatura Sony e a Rede Globo alardeou tanto de ter exibido aos domingos depois do Fantástico? Esqueça! Isso aqui sim é trama de vingança que enche os olhos (não só pela beleza e nudez de Soledad), mas pelo plano arquitetado para assassinar friamente e de forma completamente desequilibrada e estabanada, todos aqueles que fizeram mal ao seu marido.

Seguindo o estilo dos filmes de Franco, este cult do diretor espanhol não poupa no sangue, nudez, lesbianismo, erotismo exacerbado e mortes bizarras. Na trama, o brilhante Dr. Johnson (Fred Williams) é execrado por um comitê médico, formado pelos notáveis Dr. Franklin Houston (Paul Muller), Prof. Jonathan Walker (Horward Vernon, de O Terrível Dr. Orloff também de Franco), Dra. Crawford (Ewa Stroemberg) e o Dr. Donen (vivido pelo próprio Franco) quando sua pesquisa científica com embriões humanos é rechaçada, acusado de praticar atos contra a ética médica e a humanidade em si.

Ainda como se não bastasse, além de bani-lo, os escroques ainda destroem o seu laboratório. O Dr. Johnson fica transtornado, e entra em uma profunda crise de depressão e síndrome do pânico, trancafiado em seu quarto, e nem as carícias de sua esposa, a Sra. Johnson (papel da Soledad Miranda) conseguem animá-lo. Não dá outra, e o Dr. Johnson acaba cometendo o suicídio.

Minha vingança será maligna!

Minha vingança será maligna!

É aqui que a Sra. Johnson começa a arquitetar seu plano de vingança, indo atrás de cada um daqueles responsáveis pela morte do marido. O mais engraçado é como TODO MUNDO cai em seus encantos como uns idiotas. É só ela chegar, ficar peladona, que pronto. Já consegue a sua vítima! O primeiro a bater as botas é o Dr. Walker, que tem a garganta cortada e o pau decepado. A vingativa esposa também sempre deixa um bilhete, o que faz os outros três se precaverem, pero no mucho, e desconfiarem da moçoila.

A Dra. Crawford é a próxima vítima, que também cai no xavequinho furado da Sra. Johnson, e a leva para o quarto para colar velcro com ela. Essa daqui morre asfixiada com um travesseiro de plástico, que mais parece uma boia de piscina. Com os assassinatos, o Dr. Houston tenta resistir aos encantos da justiceira, mesmo sabendo já quem ela é, mas também não dá muito certo. Afinal, nada que um beijinho e um peitinho de fora não resolva, e ele é morto com uma tesourada. O que não nos deixa escapar é o fato dela matar todo mundo nua, deixar toneladas de impressões digitais em cada corpo e simplesmente a polícia não conseguir encontrar a assassina. Enfim, depois de ter eliminado todos os culpados, o final é completamente insatisfatório e apressado, mas que não compromete a obra.

Ela Matou em Êxtase é de uma plasticidade ímpar no que se refere aos nuances e ao estilo Jesús Franco de fazer cinema. Rodado juntamente e com a mesma equipe de seu longa anterior, Vampiros Lesbos, Franco, como de praxe abusa de seus zooms invasivos de forma exagerada e traveste o filme de metáforas revelando personagens hipócritas e amorais que escondem suas perversões por trás da digníssima medicina. Fora isso, é o olhar clínico do diretor espanhol em conseguir captar e extrair toda a beleza hipnótica de Soleda Miranda, com suas tomadas pseudo-eróticas, deslizando como uma ninfa pelas telas. Vale lembrar que este é um filme póstumo da atriz fetiche de Franco, lançado um ano depois de sua trágica morte durante um acidente de carro (alguma premonição macabra com a cena final de Ela Matou em Êxtase?).

Para os neófitos em sua filmografia, sugiro assistir primeiro Ela Matou em Êxtase do que Vampiros Lesbos, por possuir uma trama mais inteligível, linear e sem todos os abstracionismos e simbolismos do filme vampírico de Franco. Porque apesar de todo o trash, a precariedade cênica e a trilha sonora desconcertante de uma mistura de jazz, funk e disco music que destoa do texto “pesado” da fita, salta aos olhos a atuação de Soledad Miranda e os dotes de Jesús como diretor.

Soledad #chatiada

Soledad “estralada”

Serviço de utilidade pública:

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Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

1 Comentário

  1. […] cenas de putaria e nudez. Ainda mais falando de um cara que tem Macumba Sexual, Vampiros Lesbos e Ela Matou em Êxtase em sua filmografia, entre […]

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