247 – As Filhas de Drácula (1971)

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Twins of Evil 

1971 / Reino Unido/ 87 min / Direção: John Hough / Roteiro: Tudor Gates / Produção: Harry Fine, Michael Style / Elenco: Peter Cushing, Harvey Hall, Alex Scott, Madeleine Collinson, Mary Collinson, Kathlee Byron, Damien Thomas

 

Com todo o respeito, chega de filme de vampiro da Hammer né? As Filhas de Drácula é uma daquelas provas cabais e irrefutáveis da decadência escancarada do estúdio, que começou a perder sua majestade durante os anos 70, não se adequando ao público que não queria mais ver filmes com atmosfera gótica e sim um tipo de terror mais real e próximo.

Porcamente traduzido, distante do original literal que seria Gêmeas do Mal (e que também é um equívoco descomunal, já que só uma das gêmeas é malvada, a outra é boazinha), As Filhas de Drácula é o terceiro filme da trilogia de Karnstein, inspirado pelo seminal livro do irlandês Sheridan Le Fanu, que teve seu pontapé inicial no ano anterior com Carmilla – A Vampira de Karnstein, e também tem aí em seu meio, Luxúria de Vampiros (que será postado futuramente já que minha lista é em ordem alfabética).

Enfim, com a fase áurea de estúdio inglês deixada para trás, orçamentos curtos, reação adversa do público e tentativa frustrada de apostar no mais do mesmo para manutenção do status quo, a Hammer apela para três fatores infalíveis para qualquer produção vampiresca da época: 1) a presença do sempre ótimo Peter Cushing; 2) profusão de sangue e cenas gráficas; e 3) nudez feminina, óbvio.

A história é das mais fraquinhas: Cushing é Gustav Weil, um wanna be Matthew Hopkins (personagem de Vincent Price no ótimo O Caçador de Bruxas), que sai por aí em seu vilarejo queimando garotas a torto e a direito, acusando-as de bruxaria. Acontece que neste vilarejo vive o infame Conde Karnstein, libertino, arrogante, presunçoso, cruel e adorador de Satanás. Claro que os dois não vão se bicar desde o começo da história.

Ninfetinha vampira!

Ninfetinha vampira!

Lenha é jogada na fogueira quando as sobrinhas gêmeas de Gustav, Frieda e Maria (interpretadas respectivamente pelas playmates univitelinas Madeleine e Mary Collinson) vão ficar sob a guarda do tio carola. Ao melhor estilo “Mulheres de Areia”, Maria é a Rutinha (que é boa) e Freida é a Raquel (que é “mau”, já diria Tonho da Lua). Se você não assistiu a novela da Globo e não faz lhufas do que estou falando, Maria é a casta, puritana, obediente, sonho de sobrinha, e Freida é um dínamo de sexualidade, além de ser desobediente, malcriada e perversa.

Não demora para que o Conde deseje a ninfeta e vice-versa. Só que nesse ínterim, o Conde em uma de suas missas de magia negra, sacrifica uma mulher em troca de poderes satânicos, que não dá certo, mas milimetricamente a mesa de sacrifício estava bem em cima do mausoléu de Mircalla Karnstein, pingando sangue da moça coincidentemente em seu caixão e trazendo-a de volta à vida. Mircalla logo dá o “beijo” no Conde que se transforma em um vampiro. Que por sua vez, dá um “beijo” em Freida, que foge de casa certa noite para se engraçar com o mesmo.

Pronto, está montado o pandemônio na aldeia que irá envolver as gêmeas, Gustav, o Conde e seu comparsa mucamo Joaquim e os irmãos Anton (David Warbeck) e Ingrid (Isobel Black), que comandam uma escola para moças de fino trato, o qual as gêmeas estão matriculadas. Só que Anton é um intelectual e bate de frente com a barbárie de Gustav e sua turma que adora queimar garotas acusadas de bruxaria. Acontece que com a vampirização de Freida e a iminente ameaça à Maria, os dois terão de juntar forças para derrotar o malvado vampiro.

As Filhas de Drácula (lembrando que Vlad Tepes não tem ABSOLUTAMENTE nada a ver com esse filme) até funciona vai. Não é um dos filmes mais primorosos da Hammer, e começa a repetir à beça cenários, costumes e recauchutar as histórias. Mas gera uma boa diversão. Fora a explosão sensual das irmãs Collinson, primeiras gêmeas a ser capa da Playboy, e a tão aguardada sequência onde Madaleine, se passando pela irmã, aparece peladinha tentando seduzir Anton. Porque dela só resta falar mesmo dos decotes lascivos e as insinuações sexuais seguidas de nudez, pois a atuação é um verdadeiro desastre (tanto que as duas foram dubladas). Algumas cenas de decapitação aqui e acolá são também bastante legais, além de toda a violência e tortura inerente ao período da inquisição.

Aleluia, Cushing! Aleluia!

Cushing não perdoa

Serviço de utilidade pública:

O DVD de As Filhas de Drácula está atualmente fora de catálogo.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

8 Comentários

  1. […] dirigida por Jimmy Sangster (sim, aquele mesmo, famoso roteirista do estúdio), e a segunda, As Filhas de Drácula, de John Hough. Ambos lançados em 1971, com roteiro de Tudor Gates (o mesmo deste aqui). […]

  2. Wagner Henrique disse:

    Eu gostaria de baixar o filme, mas onde tem BAIXAR TORRENT, não baixa de fato.

  3. […] Twins of Evil 1971 – John Hough […]

  4. Sara disse:

    A legenda está completamente fora de sincronia, e não estou conseguindo arrumar pois ela vai atrasando a cada fala.

  5. […] Twins of Evil 1971 – John Hough […]

  6. […] Twins of Evil 1971 – John Hough […]

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