25 – A Múmia (1932)

The Mummy

1932 / EUA / P&B / 73 min / Direção: Karl Freund / Roteiro: John L. Balderston / Produção: Carl Laemmle Jr. / Elenco: Boris Karloff, Zita Johann, David Manners, Arthur Byron, Edward Van Sloan

 

Depois dos sucessos de Drácula e Frankenstein lançados no ano anterior, foi a vez da Universal eternizar o seu próximo monstro que daria origem a mais uma franquia de filmes de terror para o estúdio. E esse monstro seria A Múmia.

Mais uma vez com o selo de produção de Carl Laemme Jr, A Múmia traz novamente Boris Karloff como ator principal, vivendo o monstro egípcio em carne, osso e ataduras. E o momento era propício para a Universal jogar luz sobre esse tema, já que em 1932 fazia apenas 10 anos que o túmulo de Tutancâmon havia sido descoberto e os jornais apareciam frequentemente repletos de matérias sensacionalistas sobre a maldição da múmia a cada pessoa envolvida na escavação que morria ou adoecia, sem nem levar em conta a óbvia quantidade cavalar de bactérias com as quais eles haviam sido expostos ao desenterrar aqueles corpos milenares.

Enfim, Karloff mais uma vez de forma soberba dá vida a Imhotep, uma sacerdote do Egito Antigo que amava Ankh-es-en-amon, uma princesa filha do Faraó. Quando a garota morre, Imhotep na tentativa de ressuscitá-la tenta praticar um encantamento proibido e é pego com a boca na botija. Pelo sacrilégio, o Faraó manda mumificá-lo vivo, estado em que ele fica pelos próximos 3700 anos, até ser descoberto e acidentalmente trazido de volta à vida por um assistente do exímio egiptólogo Sir Joseph Whemple, durante uma expedição arqueológica do museu britânico no local.

Como resultado de trazer a múmia de volta a vida, o assistente cai na mais completa insanidade (na mais impressionante e assustadora cena do filme inteiro), a múmia desaparece sem deixar rastros e Joseph abandona o Egito jurando nunca mais por os pés lá. Passados 10 anos, seu filho, Frank, está liderando uma nova expedição quando conhece Adarth Bey, que é Imhotep disfarçado (e também um anagrama em inglês para Death by Ra – Morte por Rá), um misterioso sujeito que leva Frank até um sítio arqueológico onde encontra o sarcófago de sua amada.

Um amor milenar

Mas o que Imothep quer na verdade é trazê-la de volta do sono eterno, mas para isso, deverá trocá-la de corpo com Helen Grosvenor, descendente da Princesa Ankh-es-en-amon, e por quem Frank se apaixona. Imothep usará todos seus poderes hipnóticos e conhecimento místico para tentar envolver a garota, sacrificá-la e recuperar seu amor milenar. Ou seja, na verdade a múmia é um monstro esfarrapado cheio das boas intenções, que sofre por um rabo de saia e não vai medir esforços para viver junto da sua alma gêmea novamente. Custe o que custar.

Há vários pontos positivos em A Múmia. Os três principais ficam por conta da interpretação de Karloff, mostrando mais uma vez que é muito mais ator que seu colega / rival de época, Bela Lugosi, como já havia feito anteriormente em Frankenstein; a excelente direção de Karl Freund, primeiro filme como diretor do fotógrafo alemão responsável por Metrópolis de Fritz Lang e sua composição de cena, jogo de luz e sombra, capricho visual e tomadas com câmera em movimento, ousadia que os outros filmes da Universal não tinham até então; e a maquiagem, mais uma vez obra do gênio Jack Pierce, principalmente quando Imhotep aparece como um monstro mofado.

Mas há pontos negativos que realmente derrubam a produção, pois filme tem uma história bem besta, é arrastado demais e a maldita da múmia NUNCA aparece por inteiro, em ação. Quando você vê os primeiros dez minutos do filme, fica impressionado e esfregando as mãos. A cena em que o assistente que trouxe-a de volta a vida começa a rir de forma insana ao avistar a criatura se mexendo, enquanto vemos apenas uma atadura se arrastando para fora da tela é ímpar. E você passa o filme inteiro esperando Imothep voltar a ser essa múmia, e nada… Fora o final apressado e a conclusão decepcionante do filme.

Mas apesar disso, ele tem o seu devido valor histórico. A Múmia é filme obrigatório para os fãs de terror e principalmente para os aficionados pelo ciclo de monstros da Universal. E claro, é melhor que qualquer um dos três filmes da nova trilogia com Brendan Fraser, isso sem dúvida.

Mas é uma múmia, mesmo…



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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  1. […] O Homem Invisível, baseado no livro de H.G. Wells, depois do sucesso de Drácula, Frankenstein e A Múmia. E como em time que está ganhando, não se mexe, Carl Laemmle Jr. novamente recruta o diretor […]

  2. […] homem e metade lobo que se transforma nas noites luas cheia. Depois de Drácula, Frankenstein e a A Múmia, a Universal apostou no peludo para despontar como o novo ícone do horror, interpretado por Lon […]

  3. […] de Drácula, de Tod Browning. Seu debute na direção foi no também filme de monstro da Universal, A Múmia, apesar de já em Drácula, assumir a direção de grande parte do filme, sob a benção de […]

  4. […] anos depois do lançamento de A Múmia, a Universal, que continuava insistindo nas sequências dos filmes de seus monstros, resolve trazer […]

  5. […] de filmes de terror era amplamente dominado pela Universal e seus monstros Drácula, Frankenstein, A Múmia, O Lobisomem, etc. Com grandes orçamentos e sucessos de bilheteria, restava aos outros estúdios […]

  6. […] somos apresentados a um personagem novo, e não Imhotep, a múmia vivida por Karloff no original A Múmia de […]

  7. […] aconteceu com as duas sequências posteriores de Frankenstein, por exemplo. Até mesmo a franquia A Múmia e O Homem Invisível tiveram continuações melhores do que essa daqui. Pobre […]

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  11. […] filme de monstro da Universal teria que ter uma continuação. Se Drácula teve, Frankenstein teve, A Múmia teve, O Lobisomem teve e até O Homem Invisível teve, por que seria diferente com O Monstro da […]

  12. […] no que eu chamo de “segunda múmia”. A primeira é aquela de Boris Kharlof no clássico seminal A Múmia, de 1932, onde ele vive Imhotep, às voltas com a tentativa de ressuscitar seu grande amor milenar, […]

  13. […] Mortalha da Múmia é uma boa surpresa. É um filme interessante, claro que sem o mesmo charme de A Múmia da Universal com Boris Karloff ou o filme homônimo do final da década de 50 com Christopher Lee […]

  14. […] da Ópera, os Laemmles carregam na bagagem clássicos indiscutíveis como Drácula, Frankenstein, A Múmia, e por aí […]

  15. […] A Casa Sinistra é a empreitada da Universal na típica história gótica sobre casarões vitorianos, logo após o lançamento da sua primeira e bem sucedida leva de filmes de monstros: Drácula e Frankenstein, e alguns meses antes de A Múmia. […]

  16. […] cinema de horror, com uma preferência pelos filmes da Hammer e os clássicos da Universal, sendo A Múmia um dos filmes favoritos de sua […]

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