254 – Sangue no Sarcófago da Múmia (1971)

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Blood from the Mummy’s Tomb

1971 / Reino Unido / 94 min / Direção: Seth Holt / Roteiro: Christopher Wicking (baseado na obra de Bram Stoker) / Produção: Howard Brandy / Elenco: Andrew Keir, Valerie Leon, James Villiers, Hugh Burden, George Coulouris, Mark Edwards


Na boa? Sangue no Sarcófago da Múmia é um dos PIORES filmes da Hammer, quiçá o pior. Uma historiazinha meia-boca (baseado no livro The Jewel of Seven Stars de Bram Stoker – não, ele não escreveu apenas Drácula), com uma direção sofrível, narrativa capenga, atores chumbregas e o pior de tudo: não tem nenhuma múmia no filme!!!! Como pode um filme de múmia, sem múmia?

Ao invés da criatura apodrecendo toda enfaixada, se arrastando maltrapilha pelos cantos, pronta para se vingar daqueles que ousaram profanar seu milenar descanso, imortalizada por caras como Boris Karloff, Lon Chaney Jr. e Christopher Lee, vemos aqui uma alta sacerdotisa egípcia, que vive milênios e mais milênios embalsamada em PERFEITO ESTADO de conservação (como se estivesse apenas tirando uma soneca em seu sarcófago), que teve sua mão arrancada mas que continua sangrando depois de mais de quatro mil anos!!!

Sério, não é piada isso que você acabou de ler. Realmente estes são elementos da trama bisonha de Sangue no Sarcófago da Múmia. Tudo bem, vamos dar um ponto positivo para a tentativa de uma história original, que não remetesse a tudo que já havia sido explorado à exaustão nos filmes da Universal nas décadas de 30 e 40 e nos filmes da Hammer no final da década de 50 e 60. Porque era sempre a mesma história: um grupo de arqueólogos descobre a tumba de uma múmia, e sempre há algum protetor ou seita que guardava o enfaixado e usa poderes místicos para trazê-lo a vida, e por aí vai. Aqui também há arqueólogos, tumbas e descobertas históricas, mas o foco é outro.

Na verdade, uma expedição liderada pelo Professor Julian Fuchs (Andrew Keir, o Prof. Bernard Quatermass de Sepultura para a Eternidade), formada pelo inescrupuloso e maquiavélico Corbeck (James Villiers), o futuro esquizofrênico trancafiado em uma sala acolchoada Prof. Berrigan (George Coulouris), o cientista medroso Geoffrey Dandrige (Hugh Buden) e a visionária Helen Dickerson (Rosalie Crutchley), encontra o sarcófago da maligna rainha sacerdotisa Tera (Valeria Leon), conhecida como “A Rainha das Trevas”, por seu envolvimento com forças sobrenaturais e magia negra. A bicha era tão ruim, que outros sacerdotes mumificaram-na e deceparam sua mão para que ela não fosse mais uma criatura completa e jogaram para os chacais se alimentarem (só que a mão ganha “vida própria”, como o Coisinha da Família Addams e mata os caninos do deserto, voltando para a tumba!!!).

Sacrifício à egípcia!

Sacrifício à egípcia!

Só que no dia que a equipe encontra a tal múmia, a filha de Fuchs, Margaret, nascia em Londres, enquanto sua esposa morria no parto. A partir daí uma espécie de conexão psíquica sobrenatural é criada entre a garota e a rainha múmia. Enquanto isso, algumas misteriosas relíquias são encontradas no mausoléu de Tera e são divididas entre o Prof. Fuchs (que fica com a mão e um anel, cujo brilho irradiava uma constelação de sete estrelas, daí o título original do livro de Stoker), Prof. Berigan (que fica com a estátua de serpente), Dandrige (que fica com o crânio de um chacal sagrado) e Helen (que fica com a estátua de um gato), tornando-os os guardiões daquelas relíquias.

Passados muitos anos, Margaret agora já uma bela moça (também interpretada por Valerie Leon) com seus hipnóticos olhos azuis, namora o egiptólogo Tod Browning (sim, mesmo nome do famoso diretor de terror responsável por Drácula e Monstros) e vive tranquilamente com seu pai, até que ela ganha na véspera de seu aniversário o anel encontrado na tumba de Tera, o que irá desencadear uma série de eventos sobrenaturais, com todos os envolvidos naquela fatídica expedição, embasado por um alinhamento estelar, fazendo com que as relíquias comecem a exercer um mortal poder maligno, através das tentativas de possessão de Tera em apoderar-se do corpo de Margaret para voltar à vida e vingando-se daqueles que profanaram o seu túmulo, sempre auxiliada pelo vil Corbeck, e utilizando poderes dignos da Tempestade dos X-Men contra os pobres coitados.

A maioria das cenas de morte do filmes são das mais ridículas. Imagine um grupo de pessoas sendo atacados por uma estátua de cobra, uma estátua de gato, a sombra de um chacal que mais parece um greyhound (aquela raça de cão do Ajudante de Papai Noel de Os Simpsons) que um chacal propriamente dito, poderosas lufadas de vento começando do nada, um acidente automobilístico à lá Os Trapalhões, e umas cenas de gore descabidas, com closes de pescoços sempre dilacerados sem mais nem menos e aquele maldito cotoco de braço jorrando sangue no sarcófago da múmia toda vez!!! É muito ruim!

Fora isso tudo, junte a ineficácia do diretor Seth Holt (que ainda teve uma mãozinha de Michael Carreras de forma não creditada, que já havia dirigido A Maldição da Múmia para a Hammer em 1964) em contar a história, utilizando técnicas narrativas canhestras não-lineares, enxertando trechos entre sonhos, flashbacks e acontecimentos presentes, que vão confundindo o espectador até todos os pingos serem devidamente colocados nos is. Salva-se mesmo só a gatíssima Valerie Leon, um colírio para os olhos no meio de tanta ruindade em um filme sozinho, e a interpretação maléfica de James Villiers como um afetado e enrustido Corbeck, que se passaria facilmente por vilão da novela das nove da Globo.

Olhe, assista Sangue no Sarcófago da Múmia por sua conta e risco. É uma verdadeira bomba, mas como faz parte do catálogo da Hammer, merece uma resenha aqui no blog e uma bisolhada descompromissada para rir dos absurdos. E quando eu falo da decadência do estúdio inglês nos anos 70, não estou querendo ser chato e repetitivo não, apenas constato fatos coesos, como os amplamente apresentados nesta película.

E essa mão boba aí?

E essa mão boba aí?

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Sangue no Sarcófago da Múmia está atualmente fora de catálogo.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

5 Comentários

  1. matheus chaves jardim disse:

    Nao e a Valerie Leon quem aparece nuazinha. E uma duble.

  2. edmar lima disse:

    grande filme. clássico imperdível…

  3. […] 7) Sangue no Sarcófago da Múmia (1971) […]

  4. Adriano disse:

    Um clássico do cinema .
    Assisti este filme em 1988 na Tv Record , excelente .

  5. Adriano disse:

    excelente este classico ,

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