Notice: Undefined variable: post_id in /home/horromov/public_html/wp-content/themes/betheme/includes/content-single.php on line 38

259 – Aniversário Macabro (1972)

1972 / EUA / 84 min / Direção: Wes Craven / Roteiro: Wes Craven / Produção: Sean S. Cunnigham, Katherine D’Amato (Produtora Associada) / Elenco: Sandra Peabody, Lucy Grantham, David A. Hess, Fred J. Lincoln, Jeramie Rain, Marc Sheffler


Na minha opinião, Aniversário Macabro, do diretor de primeira viagem Wes Craven, daria o pontapé inicial no tom sádico e extremista que o cinema de terror atingiria durante os anos 70. Essa é uma das pedras angulares do gênero, membro com louvor da famigerada lista dos nasty videos do DPP, que mostrou que o cinema de terror não estava para brincadeira e sepultou de uma vez por todas, todo aquele clima gótico e inocente dos anos 60 à sete palmos abaixo da terra.

O longa escancara o fim do American Way of Life e o movimento “paz e amor” dos hippies, substituindo-os pela violência e o pessimismo, reflexo da tonelada de soldados morrendo na estupidez que foi a Guerra do Vietnã e do desgosto com a política de Richard Nixon que eclodiria com o caso Watergate dois anos depois. Sem dúvida nenhuma os anos 70 foi um campo extremamente frutífero para novos diretores darem início a um cinema transgressor, marginal, levando maldade e crueldade para o espectador médio, e Wes Craven é um dos melhores exemplos disso, pois antes de criar as franquias A Hora do Pesadelo e Pânico, em seu debute fez um filme atroz, brutal, com um nível de sadismo raramente visto nas telas até então, tudo filmado em um incômodo tom quase documental.

Com um orçamento ridículo, Craven e o produtor Sean S. Cunningham (que na década seguinte criaria a cinesérie Sexta-Feira 13) se inspiraram em A Fonte da Donzela, filme do sueco Ingmar Bergman e entraram de cabeça no universo exploitation para contar a história de Mari Collingwood (Sandra Peabody), uma adolescente que mora com pais ripongas em um local afastado em meio à uma floresta, na última casa à esquerda (título do filme original). No dia que completa 17 anos (daí o tal Aniversário Macabro, péssima escolha de título nacional), sai com sua amiga, Phyllis (Lucy Grantham), para um show de rock na cidade e ao pararem para comprar maconha, se veem raptadas por uma gangue de violentos delinquentes recém fugidos da cadeia, liderada por Krug Stillo (David Hess), contando ainda com o maníaco estuprador e molestador de crianças, Fred “Doninha” Podolski (Fred Lincoln), a amalucada Sadie (Jeramie Rain) e o filho de Krug, Junior (Marc Sheffler), um drogado que é usuário de heroína desde os 12 anos, viciado pelo próprio pai para poder controlar sua vida.

Vai comprar maconha de uns caras barra-pesada antes de um show de rock, vai…

Krug e seus comparsas levam as garotas para o meio do mato, que numa ironia do destino, fica apenas a alguns metros da casa de Mari, e começam a tortura-las impiedosamente. Um dos momentos mais chocantes do cárcere das garotas é quando Krug pede para que Phyllis mije nas próprias calças, só para saciar os desejos sádicos e doentios do grupo. Claro que a coisa não vai acabar bem para as reféns e (ALERTA DE SPOILER daqui para frente, volte daqui a dois parágrafos ou leia por sua conta e risco), as duas acabam sendo brutalmente assassinadas, com Phyllis desmembrada e as tripas arrancadas e Mari estuprada por Krug e depois morta com um tiro certeiro na cabeça.

Os bandidos então resolvem parar em uma casa que fica nas proximidades, que é justamente a casa dos pais de Mari, que os acolhem para passar a noite por lá e até lhes oferecem um jantar (lembrem-se que estamos no começo dos anos 70 e os Colingwoods são mega hippies). Mais tarde, descobrem que eles mataram sua pequena filha que não voltara ao lar e partem para uma sangrenta vingança, com direito a castração por mordida à beira da piscina e uso de motosserra, antes mesmo de Leatherface popularizá-la no cinema de terror!!!

Pois é. A coisa é tão pesada que o filme ganhou inicialmente uma censura X (atual NC-17) nos EUA, coisa que é reservada apenas aos filmes pornôs, e acabou sendo tão mutilado para ganhar uma censura R (menores de 17 anos só entram acompanhados de um adulto responsável), que só foi possível ser exibido graças a um amigo de Craven que fez uma manobra para trocar os filmes na hora de passar, sei lá, pela décima vez pela censura. Fora outros países em que o filme foi totalmente proibido (Inglaterra principalmente, como disse lá em cima, a fita foi sumariamente banida pelo BBFC). Apenas para podermos nos situar um pouco, hoje em dia estamos acostumados a filmes com cenas brutais de tortura (vide Jogos Mortais ou O Albergue, por exemplo) mas em 1972 meu amigo, aquilo era inédito. Subversão pura!

Krug, Sadie e Junior: Tutti buona gente!!!

Para sair um pouco da tensão e do clima macabro que permeia o longa, Craven investiu em alívios cômicos como a dupla de policiais idiotas, que tem de se sujeitar a pegar carona em uma camionete cheia de galinhas em determinada cena, e com a trilha sonora pontual, ora repleta de música folk dos anos 60 em momentos pesados, ora com músicas de comédias pastelão.

A filmografia de Craven (tirando os dois exemplos citados nesse texto, e também Quadrilha de Sádicos, seu próximo trabalho) se perdeu de uma forma triste no decorrer dos anos, com filmes imbecis como A Maldição de Samantha, Um Vampiro no Brooklyn ou o recente A Sétima Alma, mas seu começo de carreira foi promissor demais e ele é o cara responsável por três filmes decisivos na manutenção do status quo do cinema de terror. Aniversário Macabro é um deles.

Só um PS antes de terminar o texto. Ironicamente, Craven produziu o remake de Aniversário Macabro em 2009, que por aqui ganhou o título de A Última Casa, para uma plateia hoje em dia acostumada com essas atrocidades, mas que é muito mais light do que seu predecessor. Não assista que é uma perda de tempo.

Adeus inocência.

Serviço de utilidade pública:

Compre o DVD de Aniversário Macabro aqui.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

23 Comentários

  1. […] E pegou emprestado o nome de outro vil assassino que já havia idealizado antes, Krug de Aniversário Macabro. Robert Englund encarnaria o titio Freddy para colocá-lo de vez no hall da fama dos filmes de […]

  2. […] a década de 70 nos brindou com filmes como O Exorcista, O Massacre da Serra Elétrica, o próprio Aniversário Macabro de Craven, entre […]

  3. Alana De Carvalho disse:

    Filme muito forte mesmo! Nunca gostei de filmes muito sangrentos… Esse agrada mais por retratar em seu desfecho algo como um destes ditados populares como a moral da história: “aqui se faz, aqui se paga”.

  4. […] uma penca de produções futuras (ao ver o filme conseguiu me vir na cabeça facilmente Aniversário Macabro de Wes Craven e Violência Gratuita de Michael Haneke, por exemplo). Engraçado essa crítica […]

  5. […] os filmes de terror adquiriram um tom sádico, pessimista e explícito, graças a produções como Aniversário Macabro e O Massacre da Serra Elétrica, além do ciclo splatter italiano e mesmo e giallo. Na década de […]

  6. […] manter um pouco de liderança e controle nos dois. Cena emblemática, provavelmente inspirada por Aniversário Macabro de Wes Craven, lançado dois anos antes, é quando Thirtytwo e Blade obrigam a garota a urinar no […]

  7. […] de Sádicos, segunda incursão de Wes Craven na direção, depois do ótimo Aniversário Macabro, é seu road movie brutal sobre luta de classes. Uma crônica de sobrevivência da burguesa […]

  8. […] E pegou emprestado o nome de outro vil assassino que já havia idealizado antes, Krug de Aniversário Macabro. Robert Englund encarnaria o titio Freddy para colocá-lo de vez no hall da fama dos filmes de […]

  9. […] a década de 70 nos brindou com filmes como O Exorcista, O Massacre da Serra Elétrica, o próprio Aniversário Macabro de Craven, entre […]

  10. […] revenge, também é utilizado em outros filmes igualmente violentos lançados anteriormente, como Aniversário Macabro de Wes Craven e o sueco Thriller – A Cruel Picture (mesmo não sendo estupro propriamente dito, e […]

  11. […] House on the Edge of the Park sempre será inevitavelmente tachado como cópia italiana de Aniversário Macabro de Wes Craven. Principalmente por conta do título (o nome original de Craven é The Last House on […]

  12. […] pós A Hora do Pesadelo. Após uma bem sucedida trinca do diretor, que conta com os excelentes Aniversário Macabro e Quadrilha de Sádicos anteriormente, Craven só faria porcarias e voltaria apenas a fazer um […]

  13. […] espaço de produções sóbrias e mais pesadas como o próprio O Massacre da Serra Elétrica, Aniversário Macabro de Wes Craven e todo o exploitation comum aos anos 70. Em seu lugar, o gênero foi tomado por […]

  14. Elvis Machado disse:

    O título deste filme lembra muito um outro exploitation chamado “Last House on Dead End Street” produzido em 1973, e lançado só em 1977 no circuito grindhouse, contudo as semelhanças ficam só no título porque a estória aborda o snuff movie, e talvez tenha influenciado “A Serbian Filme” em especial na sequencia em que os protagonistas dos dois filmes adentram a casa onde ocorrerão as mortes. Sendo os dois personagens com experiencia em filmes pornográficos que acabam enveredando para os filmes snuff.

  15. […] O sujeito teve um início de carreira dos mais promissores, com filmes agressivos e violentos como Aniversário Macabro e Quadrilha de Sádicos, e depois criado ninguém menos que Freddy Krueger para a cinesérie A Hora […]

  16. […] novamente! Não, isso não é no bom sentido. O cineasta errático que dirigiu preciosidades como Aniversário Macabro, Quadrilha de Sádicos, A Hora do Pesadelo e A Maldição dos Mortos-Vivos, tem também na sua […]

  17. […] finalzinho…). Depois de começar a carreira de forma brilhante com nada menos que a trinca Aniversário Macabro, Quadrilha de Sádicos e A Hora do Pesadelo, o sujeito dirigiu algumas bombas memoráveis até […]

  18. […] a década de 70 nos brindou com filmes como O Exorcista, O Massacre da Serra Elétrica, o próprio Aniversário Macabro de Craven, entre […]

  19. alexandre prata disse:

    Já havia assistido este filme há 10 anos atrás e o achei entediante mesmo nas tão faladas cenas que o levaram a lista dos nasty movies. Acredito que tenha chocado multidões nos anos 70 mas envelheceu demais, os atores são amadores, as músicas são totalmente anti-clímax e nos tempos atuais não causariam nada além de risos. Outros clássicos da mesma década, como O massacre da serra elétrica ou O Exorcista permanecem atemporais. Péssimo em todos aspectos.

  20. Lucas disse:

    Qual versão que está disponível?

  21. […] no simples, já que ele queria TAAAAANTO fazer a sua versão de O Massacre da Serra Elétrica e Aniversário Macabro, e toda a ode ao exploitation dos anos 70, como vinha alardeado aos quatro ventos, chega a deixar o […]

  22. Krug Stillo disse:

    Só passei pra lembrar que após cometermos crimes é melhor pensar bem antes de passar a noite em uma casa da vizinhança.

  23. Victor "Terror" disse:

    Li algumas resenhas sobre “Aniversário Macabro” e na maioria delas ao se referir à dupla de policiais é dito que Craven teria os usado como alívio cômico (o que na minha opinião não funcionou, tive mais raiva dos “tiras” do que achei graça). Me pergunto se a intenção do diretor foi mesmo trazer um lado cômico. se tratando dos anos 1970 estadunidenses, ou seja, “paz e amor”, “hippies” e tudo mais, acho que essa caricatura dos policiais, foi mais pra tirar um sarro da polícia mesmo, até por se tratar de um cinema marginal. SPOILER: perceba que a dupla de policiais estão “cagando” pras vítimas e pros criminosos foragidos, em certa cena, Craven os coloca jogando damas, o que pode ser uma denuncia ao descaso da polícia em geral. Enquanto estão caminhando pela estrada, os dois são a todo momento “escrotizados” pelas pessoas que passam, inclusive por um grupo de hippies.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *