267 – Drácula no Mundo da Minissaia (1972)

dracula_a_d_nineteen_seventy_two_xlgDracula A.D. 1972

1972 / Reino Unido / 96 min / Direção: Alan Gibson / Roteiro: Don Houghton / Produção: Josephine Douglas, Michael Carreras (Produtor Executivo) / Elenco: Christopher Lee, Peter Cushing, Stephanie Beacham, Christopher Neame, Michael Coles, Marsha A. Hunt

 

Primeiro eu gostaria de dar meus parabéns para o sujeito que colocou o título do filme Dracula A.D. 1972 aqui no Brasil no genial Drácula no Mundo da Minissaia. Sério, gente… Não é um dos melhores títulos de filmes de terror de todos os tempos? Drácula… No… Mundo… Da… Minissaia? Milhares de coisas relacionados ao filme passam-se pela cabeça ao ouvir esse nome. Primeiro, obviamente, que se trata de uma sátira pornô.

Mas não é nada disso. Drácula no Mundo da Minissaia é somente a reencarnação de Christopher Lee como o maldito Conde na Londres do ano de 1972, trazendo o sanguessuga para o século XX, em meio a adolescente hippies drogados, bandas de rock progressivo, calças bocas de sino (e minissaias) e muito funk e soul na trilha sonora.

Sério, o filme é um dos mais divertidos e um dos meus preferidos da franquia do estúdio inglês. Pois é muito engraçado ver o choque de realidades, quando se está acostumado a ver Lee com sua capa, presas e olhos vermelhos, sob a sombra de seu opressivo castelo nos Montes Cárpatos, sugando o sangue de aldeões assustados em seus vilarejos, andando de carruagem e fugindo de revoltosos com tochas e forcados.

Vocêêêêêêê

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Sendo que a Europa Medieval era o ambiente único e exclusivo do Príncipe das Trevas (sem contar o Drácula original da Universal, aquele com Bela Lugosi, que se passa na Londres vitoriana, no Século XIX). E basicamente tirando Blacula – O Vampiro Negro, lançado mais cedo no mesmo ano, onde um vampiro aterroriza as ruas de Los Angeles nos anos 70, Drácula no Mundo da Minissaia é um dos pouquíssimos filmes até então que tenta trazer a mitologia vampiresca para o mundo contemporâneo, algo que se provaria um baita sucesso cinematográfico, literário e televisivo futuramente (A Saga Crepúsculo não conta, porque aquilo não é filme e nem livro, é lixo em forma de papel e película, pronto falei!).

Enfim, na trama, já no ano de 1872, o Conde enfrenta, em pleno Hyde Park em Londres, Lawrence Van Helsing, interpretado pelo sempre intrépido Peter Cushing, um descendente da nêmese do morto-vivo, Abraham Van Helsing. O vampiro se dá mal e é derrotado pelo professor, com uma roda de carruagem quebrada, que se transforma em uma estaca e perfura seu coração. Mas um dos seguidores capachos de Drácula recolhe suas cinzas e enterra em solo não sagrado.

Depois de 100 anos, em 1972, um tal de Johnny Alucard (anagrama ao nome de Drácula), interpretado por Christopher Neame, que é um desses acólitos do Conde, junta uns amigos hippies que adoram se embebedar em um pub em Chelsea, entrar de penetra nas festas, fumar baseado e usar ácido, para praticar uma missa negra, um ritual macabro com o intuito de trazer seu mestre de volta à vida. Neste grupo, está presente Jessica Van Helsing (Stephanie Beacham), neta de Lorrimer Van Helsing (novamente Cushing) e consequentemente, bisneta de Lawrence, o homem que havia destruído Drácula no século anterior. Com o sangue de uma das participantes do ritual, que começa como brincadeira e ganha contornos dramáticos e assustadores (em uma cena apavorante, tremendamente bem executada), Johnny traz Drácula de volta à vida.

Deve ser mó naipe ter Peter Cushing de avô

Deve ser mó naipe ter Peter Cushing de avô

Claro que seu mestre, primeiro dá uma coça no discípulo insolente em busca de poder e vida eterna, e depois, prepara sua vingança contra Van Helsing, desejando sugar o sangue de sua neta e torná-la uma concubina do inferno. Só que as mortes estranhas chamam a atenção do Inspetor Murray (Michael Coles) da Scotland Yard, que acredita no envolvimento de uma seita satânica e vai se consultar com Van Helsing, proeminente estudioso do oculto, que logo saca, devido a excentricidade das mortes (sangue drenado, duas marca no pescoço, mutilações) que eles podem estar lidando com um vampiro, e mais especificamente, com o grande inimigo de sua família: Drácula.

Um combate entre as forças das trevas e do bem é iminente quando Johnny, devidamente transformado em vampiro, também hipnotiza e morde o namorado de Jessica e ambos raptam a garota. Cabe a Van Helsing, trilhar o mesmo caminho dos seus ancestrais e confrontar sozinho o Conde Drácula (que já comandou nações, fala dita por Lee parafraseada do livro original de Bram Stoker). Pena que o Drácula deva estar meio enferrujado por um século de sono, porque ele está um pouco bunda mole e acaba facilmente subjugado por um velhinho!

Claro que por se tratar de uma trama passada nos amalucados anos 70, Drácula no Mundo da Minissaia tem algumas das cenas mais patéticas, ridículas e cafonas da franquia, como, por exemplo, a apresentação da banda Stoneground cantando a música Alligator Man, onde Johnny e sua cambada de badernistas estão dançando em uma festa que invadiram da alta sociedade londrina, e mesmo toda a trilha sonora cheia de grooves, comporta por Michael Vickers, que destoa completamente do clima Drácula + filme de terror. Mas vale cada minuto de metragem do longa! Uma curiosidade para quem gosta de futebol assim como eu, em uma das cenas, Cushing passa pela frente de um muro que está pichado Chelsea, com um risco por cima, e escrito West Ham embaixo, dois times rivais futebolísticos da capital inglesa.

Galerinha farrista dos anos 70

Galerinha farrista

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Drácula no Mundo da Minissaia não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Joelmo disse:

    Bom dia. Tentei baixar este arquivo por diversas vezes, mas só baixa até 3,8%. Pode me auxiliar? Obrigado e parabéns pela iniciativa do site.

    • Oi Joelmo, tudo bem?

      Cara infelizmente não consigo te ajudar, porque arquivo de torrent é assim mesmo. Depende da quantidade de seeders online e quanta gente está compartilhando o mesmo arquivo para conseguir baixar.

      Obrigado!

      Abs

      Marcos

  2. Joelmo disse:

    Obrigado Marcos. Vou tentar novamente. Abs

  3. […] ler o roteiro). Bom, Já havíamos visto o vilão em plena Londres do século XX no longa anterior, Drácula no Mundo da Minissaia. Então OK, se serve de pretexto, pelo menos não é a primeira incursão do morto-vivo nos […]

  4. Roderick Verden disse:

    Que eu saiba, pelo menos no Brasil, não conhecíamos filmes pornôs. O título, bem sem vergonha do filme, foi devido as garotas usarem mini-saias. Cara, o blog é seu, e o invadi, mas estou de retirada. Você me faz lembrar os críticos, que tanto odiei dos anos 70. Só críticas negativas! Terror, na minha humilde opinião, não é só pra se ter medo. No meu caso, se eu tivesse medo, não assistiria as películas de horror. Gostei de “O Exorcista”, outro que vi ao ser lançado no Brasil, mas ele não chega nem aos pés dos filmes de Corman, baseados em Poe, estrelados Por Price, dos anos 60 e dos outros da Hammer e da Amicus. Meu ódio pelos críticos , é similar ao protagonista de “Theatre of Blood”(1973), portanto, melhor eu não aparecer mais por aqui. Fuiiiiiiiiiiiiiiii

    • Olá Roderick.

      Mas eu quis dizer que parece nome de sátira de filme pornô, e não que o título foi colocado com esse propósito.

      Nossa, não queria despertar esse sentimento de ódio em você. É que eu procuro dar minha opinião pessoal, e não ser imparcial com os filmes. E não sou crítico não, só um cara que escreve sobre filmes em um blog na Internet. Alguns eu gosto e outros não e tento ser sincero nos meus textos.

      Agradeço demais pelo tempo que você passou por aqui, por ter conhecido o blog e comentando. Fique à vontade se quiser “invadir” mais vezes depois. Só não tente arquitetar nenhuma vingança shakespeareana contra mim! 😉

      Grande abraço.

      Marcos

  5. Roderick Verden disse:

    Perdi a estribeira. É que sou muito fã desses filmes, e ando muito ranzinza. rs
    Grato pela resposta-denotando muita diplomacia e elegância.

    Peço desculpas pela minha estupidez.

    E mesmo não havendo consenso é sempre agradável recordar tais filmes.

    Tudo de bom!

  6. […] E cadê o Drácula? Isso que você me pergunta. Não sei. Ele é apenas citado de relance nesta história para fazer um paralelo com O Vampiro da Noite. Juro que não entendo o título do filme. Mas ótimo, porque Drácula da Hammer mesmo, só Christopher Lee, e o tal David Peel nunca chegaria aos pés do mestre. Mas diferente das pífias sequências de Drácula da Universal, onde nenhuma prestou, aqui a coisa muda de figura com as próximas seis sequências, tendo algumas bastante interessantes, incluindo o Drácula – O Príncipe das Trevas (o melhor da franquia) e o sanguinário O Conde Drácula de 1970. Nota do blogueiro: E nunca podemos esquecer do fantástico título que Dracula AD ganhou no Brasil: Drácula no Mundo da Minissaia. […]

  7. vinicius disse:

    EU GRAVEI DA TVS ( SBT) TENHO ELE DUBLADO PELA HERBERT RICHARDS – [email protected]

  8. Cian disse:

    “A Saga Crepúsculo não conta, porque aquilo não é filme e nem livro, é lixo em forma de papel e película, pronto falei!”
    Já disse que te amo? Hahaha!
    Enfim, essa ideia de vampiros numa época mais contemporânea me lembram algo dos LIVROS (se formos levar os dois filmes em conta, considere apenas “entrevista com vampiro”, porque “a rainha dos condenados” me condenou à lágrimas eternas!) da Anne Rice… A transgressão de todos os vampiros de Anne Rice ao mundo moderno é linda, principalmente Louis E MAIS AINDA Lestat!

    Louis, como sempre, dá uns pegas emo.cionais, confessa como ficou chocado ao ver o sol nascendo sob luzes de projetores, e como saia dos cinemas mais “tecnológicos” . Se assusta com os barulhos dos helicópteros, carros, com a noite na cidade que nunca cessa…
    Lestat, fanfarrão de primeira, não perde piadas toscas do tipo “imaginem Napoleão numa farmácia escolhendo frascos das mais exuberantes e artificiais cores sem nem saber para que servem!”; se jubila com a inclusão social, com a tecnologia, a devassidão dos homens e mulheres, a androginia…
    Armand, pirralho maluco, fica fascinado pela tecnologia… Não perde tempo em tacar ratos e tudo o que vê pela frente em liquidificadores para ver as cores exóticas que consegue produzir triturando um monte de porcaria aleatória… Filma a si mesmo dormindo em seu caixão, corta os cabelos e se filma enquanto eles crescem, enquanto dorme durante o dia, e depois “acelera” os vídeos, observando perturbado o quão se parece com uma escultura estática, em sono.

    Enfim, é um negócio do caralho.

    • Ricardo disse:

      Cara, me tira uma dúvida qual era o nome desse filme quando passava no SBT? Sei que eles não usaram “Drácula no Tempo da Minissaia”, pois vi este filme várias vezes, mas não me recordo do título usado. Seria “O Discípulo de Drácula”?

  9. Alicia Jaramillo disse:

    Quem se esqueça de Drácula? Um personagem clássico nos filmes do gênero horror, pessoalmente eu amo e tudo relacionado a ele eu ainda gosto de assistir. Agora esse personagem podemos encoentrar em Penny Dreadfull Temporada 2 , uma série que usado com muito sucesso no desenvolvimento de sua história esse personagem e outros cñasicos como Frankenstein.

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