277 – A Casa da Noite Eterna (1973)

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The Legend of Hell House

1973 / Reino Unido / 95 min / Direção: John Hough / Roteiro: Richard Matheson / Produção: Albert Fennell, Norman T. Herman, James H. Nicholson (Produtor Executivo), Susan Hart (Produtora Executiva – não creditada) / Elenco: Roddy Mcdowall, Gayle Hunnicutt, Pamela Franklin, Clive Revill

 

Filmes sobre casas mal-assombradas são quase sempre o máximo! E A Casa da Noite Eterna é um dos melhores e mais assustadores exemplares desse gênero. Uma verdadeira aula de como se fazer um filme de terror, desde a história fantasmagórica que te prende do começo ao fim, até a utilização de efeitos sonoros, fotografia, design de produção e direção a seu favor.

Escrito pelo fantástico roteirista e escritor Richard Matheson (Mortos que Matam, As Bodas de Satã, O Incrível Homem que Encolheu, Encurralado, e por aí vai), baseado em seu próprio livro, muito do que se vê nesse filme é inspiração direta do livro A Assombração da Casa da Colina, de Shirley Jackson e sua adaptação para o cinema, o seminal Desafio do Além. Na verdade Matheson era confesso admirador do livro de Jackson e do filme. Por isso, resolveu escrever a sua própria história sobre um casarão mal-assombrado.

Aqui, um excêntrico bilionário inglês oferece ao físico Chris Barret (Clive Revill) 100 mil libras para investigar os efeitos paranormais por trás da mansão do falecido Emeric Belasco, um sujeito vil e repugnante que praticava todo tipo de perversão dentro daquela casa. Em um dos diálogos do filme, explica-se as diversas atrocidades que aconteceram na tal “Casa do Inferno”, como o local é conhecido: vício de drogas, alcoolismo, sadismo, bestialidade, mutilação, assassinato, vampirismo, necrofilia e canibalismo, para não mencionar uma porção de perversões sexuais. Tá bom para você, ou quer mais?

Junto com Barret, sua esposa Ann (Gayle Hunnicut), a médium mental Florence Tanner (Pamela Franklin) e o médium físico Ben Fischer (Roddy McDowell), único sobrevivente da casa, tem de passar uma semana confinados no local, no intuito de entregar um parecer ao velho que comprou a casa e conseguir ficarem com a grana, afinal ali é o único local na face da terra que a presença da vida após a morte pode ser provada.

A casa da colina da noite eterna dos maus espíritos que pingava sangue...

A casa da colina da noite eterna dos maus espíritos que pingava sangue…

Lá vai então o grupo de mala e cuia para a “Casa do Inferno”, e não demora muito para que coisas bizarras e assustadoras comecem a tomar forma, manifestando-se através de Tanner, vítima de possessão, assim como Ann, e poltergeists que tentam matar os ali presentes através de objetos que se movem, candelabros que caem, lareiras que se incendeiam sozinhas, e por aí vai. Tudo para colocar mais mortes na conta do terrível Belasco.

Percebe-se um grande esmero de todos os envolvidos em A Casa da Noite Eterna para fazer um excelente filme de terror. E todos conseguiram atingir seus objetivos muito bem. Primeiro porque é realmente assustador e tem cenas desaconselháveis àqueles que tem medo desse tipo de filmes de espíritos e casas mal-assombradas. Desafio-os a assistir sozinhos à noite. MWA-HA-HA-HA (risada maligna). Algumas manifestações físicas, possessões, mudanças de tons de voz, e a famosa cena onde Tanner é estuprada por um fantasma, são impactantes.

A direção do inglês John Hough é impecável. Ele utiliza-se de diversos ângulos, enquadramentos, grandes angulares e closes para deixar o filme ainda mais prazeroso de assistir, refutando qualquer tipo de direção preguiçosa. O que ajuda também é a cenografia da casa muito bem construída, que ganha vida auxiliada pela excelente fotografia de Alan Hume, tanto dos espaço interiores, utilizando muito bem o uso das cores nos aposentos, principalmente o vermelho e o roxo, quanto nos takes externos da casa cercada por uma névoa que nunca se dissipa. Soma-se a isso a ótima trilha sonora fúnebre, com elementos eletrônicos com ruídos e sussurros. Para completar, temos também as grandes atuações de Roddy McDowall (o memorável Peter Vincent de A Hora do Espanto) e Gayle Hunnicutt, principalmente quando ela é possuída pela força sexual perversa da casa e fica sedenta por luxúria (isso sim é parapsicologia!!!).

Ou seja, trocando em miúdos, A Casa da Noite Eterna é um dos grandes clássicos do terror dos anos 70, deleite para os fãs de filmes sobre casas mal-assombradas, que querem levar uns bons sustos e ficarem envolvidos com uma ótima história.

Falta uma mobília...

Falta uma mobília…

Serviço de utilidade pública:

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

20 Comentários

  1. Pensador Louco disse:

    Sempre fui um fã absurdo desse filme. O tenho em DVD e faço questão de concordar que este não apenas é um dos melhores filmes de casa mal-assombrada, como também tem a única ocasião registrada em película na qual o personagem principal consegue “exorcizar” uma casa ao trolar um fantasma até que ele fuja chorando. Isso fora o fato de que o fantasma é o Alfred dos filmes do Tim Burton. Impagável! Excelente postagem e abraço a todos. 8)

  2. oscar_b disse:

    “Primeiro porque é realmente assustador e tem cenas desaconselháveis àqueles que tem medo desse tipo de filmes de espíritos e casas mal-assombradas. Desafio-os a assistir sozinhos à noite. MWA-HA-HA-HA (risada maligna)”
    Eu viajo nas interações com o leitor nos textos do site.
    Quanto ao filme, prometo que vou ver…

  3. Joelmo disse:

    Realmente é um dos melhores filmes de terror. Também poderiam postar o filme O Carro – a máquina do diabo (The Car 1977). Também, foi um filme bem marcante na época.

  4. Junior Costa disse:

    Todos os flmes são em torrent?

  5. […] subgênero. E mais é ver influências rasgadas de clássicos como Os Inocentes, Desafio do Além e A Casa da Noite Eterna, e antecipando tendências vistas em grandes clássicos que ainda sequer foram lançados, como […]

  6. […] foram adaptadas para o cinema em diversos filmes, que entre eles podemos citar Eu Sou a Lenda, A Casa da Noite Eterna, Ecos do Além e A Caixa. Além disso, foi roteirista da série Além da Imaginação, […]

  7. […] Na verdade, a trama de A Casa dos Maus Espíritos remete bastante ao roteiro do filme mudo de Paul Leni, lançado em 1927: a herança, substituída aqui por um prêmio, para quem passar a noite na casa supostamente mal assombrada; um complô (que aqui é revelado no final da fita); os mesmos tipos de artimanhas utilizadas para assustar os ali presentes e levar uma personagem em específico a acreditar piamente em fantasmas, e consequentemente, à loucura (que nesse caso, é a pobre datilógrafa Nora Manning). Em defesa do longa, ele também parece ter influenciado muito da estética de algumas produções vindouras, como por exemplo, Desafio do Além, de Robert Wise, que também tem pessoas confinadas em uma casa convidadas por alguém, e um psiquiatra entre eles que quer estudar os efeitos do medo, ou mesmo A Casa da Noite Eterna. […]

  8. […] muito aquém de outras produções de casas mal-assombradas lançadas antes, como Desafio do Além, A Casa da Noite Eterna ou A Mansão Macabra. Mas como disse, é um clássico, faturou 86 milhões de dólares de […]

  9. oscar_b disse:

    Excelente o Filme. A ambientação é espetacular: as possessões realmente impressionam. Eu também gostei da escolha de não tentar mostrar nenhuma representação física do fantasma.
    Outra característica legal da história são as referências a visita anterior a casa, que renderia até outro filme (que felizmente não foi feito, pois provavelmente não seria bom). Aliás, eu viajo nestes filmes que fazem referências as outras histórias que poderiam render outro filme, tipo Blade Runner e Os imperdoáveis.

  10. Raphael Travassos disse:

    Olha, se você procurar a definição de atmosfera no cinema num dicionário, vai encontrar a capinha desse filme lá. Apesar de ter envelhecido um pouco, é um filme fantástico. Quem não teve um cagacinho com aquela mina de Os Inocentes falando grosso não teve infância. ♡

  11. nilce disse:

    Assisti esse filme quando adolescente, e sinceramente foi um dos melhores no gênero. Para quem gosta e ainda não assistiu, vale a pena assistir esse clássico!

  12. […] mal-assombrada, bebendo na fonte de outras obras imortais como Os Inocentes, Desafio do Além, A Casa da Noite Eterna e A Mansão Macabra, mas adquirindo o seu próprio toque […]

  13. […] 4) A Casa da Noite Eterna (1973) […]

  14. heleno disse:

    Talvez para a época em que foi feito tenha sido assustador,mas nos dias atuais para as novas gerações não impressiona sequer um bebê.O último filme que conseguiu me deixar realmente assustado foi o excepcional Invocação do Mal.

  15. Mariana disse:

    Obrigada pela postagem.
    A muito tempo li o livro e agora fiquei curiosa para ver como o filme ficou. 😉

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