28 – Zumbi Branco (1932)


White Zombie


1932 / EUA / P&B / 69 min / Direção: Victor Halperin / Roteiro: Garnett Weston (baseado na obra de William B. Seabrook) / Produção: Edward Halperin, Phil Goldstone / Elenco: Bela Lugosi, Madge Bellamy, Jospeh Cawthorn, Robert Frazer, John Harron



Antes da noite, da madrugada e do dia. Antes dos comedores de cérebro. Antes de The Walking Dead, Zumbi Branco é o primeiro filme de zumbis da história do cinema. Estrelado por um caricato Bela Lugosi, o filme remonta a origem haitiana da lenda dos mortos-vivos ressuscitados através de mágica. Portanto, não espere as famosas criaturas canibais putrefatas imortalizada por Geroge A. Romero quase quarenta décadas depois com A Noite dos Mortos-Vivos.

O filme foi inspirado pelo livro escrito por William B. Seabrook em 1929, A Ilha da Magia. O livro parte de um relato sensacionalista, realidade misturada com ficção (apesar de jurar de pé junto que todos os eventos ali contidos são a mais pura verdade), onde o autor conviveu durante um período no Haiti e teve contato com toda a cultura e religião local, e inclusive, teve a oportunidade de encontrar um zumbi de verdade, trazido de volta à vida através de feitiçaria.

Pois bem, pensando em levar esses novos monstros sem cérebro e vontade própria para o cinema, e aproveitar a carona do sucesso dos filmes de terror da Universal, os diretores e produtores Victor e Edward Halperin resolveram financiar um filme independente e chamaram o roteirista Garnett Weston, que já havia adaptado para as telas um livro anterior de Seabrook, para capturar a essência da obra e escrever um roteiro com os famosos mortos-vivos.

Lugosi falido é contratado para tranformar a pobre garota em zumbi. Por que não?

A produção tirou a sorte grande quando se depararou com um Bela Lugosi falido, desesperado por dinheiro, vítima de um contrato mal articulado com a Universal para o papel de Drácula e após fazer a burrada de rejeitar o papel de Frankenstein. Lugosi interpreta ‘Murder’ Legendre, um europeu que torna-se mestre nas práticas rituais haitianas e descobre o segredo de “zumbificar” e controlar as pessoas. O filme começa de uma forma muito promissora, com o casal americano Neil e Madeline, recém chegados de Porto Príncipe, andando de carruagem durante à noite, quando deparam com uma cerimônia de sepultamento bem no meio da estrada. O cocheiro então explica que o motivo era o medo de roubarem os cadáveres para serem transformados em zumbis.

Ao chegarem na casa de Beaumont (após outra interrupção no caminho, quando encontram o personagem de Lugosi e seus zumbis rapidamente pela primeira vez), um colega também americano, para se casarem, eles descobrem que Beaumont não é nem um pouco boa gente quanto imaginam e que ele é apaixonado por Madeline. Para impedir a união dos pombinhos, ele contrata o famigerado Legendre para transformá-la em uma morta-viva. E para isso, tome close-ups do olhar penetrante de Lugosi!

Pensando na mitologia atual dos comedores de carne humana, duas cenas são bastante peculiares. A mina de açúcar onde mostram os zumbis realizando trabalho escravo, já mostrando olhos arregalados e capacidade motora reduzida e repetitiva, e no embate final, quando os zumbis se aproximam lentamente, quase se arrastando e são imunes aos tiros alvejados contra eles. A maquiagem realista e assustadora para a época é fruto do trabalho em parceria entre Carl Axcelle e Jack Pierce (o mesmo que no ano anterior foi responsável por Frankenstein).

Por não ser um filme de estúdio, nota-se a precariedade da produção com relação a sua qualidade de filmagem, som e edição. Mas o filme foi um sucesso de bilheteria em seu lançamento, em plena Grande Depressão (o que aterrorizou o público, que logo fez analogia dos trabalhadores autômatos sem vida com o aumento dos desempregados vagando pelas ruas) e definitivamente colocou os zumbis no mapa dos filmes de terror do século XX.

Bela Lugosi’s dead, assim como seus zumbis!



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] dos filmes inspirados pelo livro “A Ilha da Magia” de William B. Seabrook, como Zumbi Branco e A Morta-Viva, e um exército de zumbis maltrapilhos rondando entre as palmeiras. E daí é […]

  2. […] seu auge durante os anos 30 e 40, sempre baseando-se na origem haitiana da criatura, em filmes como Zumbi Branco e A Morta-Viva, além de outras desgraças do Poverty Row. Após esse período, os mortos-vivos […]

  3. […] seu status socialmente. Trabalho morto-vivo forçado tal qual o personagem de Bela Lugosi fazia em Zumbi Branco, gênese do […]

  4. […] dos filmes inspirados pelo livro “A Ilha da Magia” de William B. Seabrook, como Zumbi Branco e A Morta-Viva, e um exército de zumbis maltrapilhos rondando entre as palmeiras. E daí é […]

  5. […] Seabrook no livro “A Ilha da Magia”. Foi esse conceito que levou o personagem ao cinema em Zumbi Branco, estrelado por Bela Lugosi e precursor do gênero. Os mortos-vivos putrefatos levantando-se de suas […]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *