285 – Os Gritos de Blácula (1973)

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Scream Blacula, Scream

 1973 / EUA / 96 min / Direção: Bob Kelljan / Roteiro: Joan Torres, Raymond Koenig, Maurice Jules / Produção: Joseph T. Naar, Samuel Z. Arkoff (Produtor Executivo) / Elenco: William Marshall, Don Mitchell, Pam Grier, Michael Conrad, Richard Lawson

 

Depois do vampiro negro fazer um tremendo sucesso no circuito blaxploitation e ter se tornado um dos principais ícones deste proeminente movimento cinematográfico dos anos 70, eis que o príncipe Mamuwalde volta para uma continuação em Os Gritos de Blácula.

Esta sequência não possui o mesmo charme do primeiro filme Blácula, o Vampiro Negro, mas é uma continuação bem decente. Alguns elementos já conhecidos do primeiro filme aqui são resgatados, incluindo o exército de desmortos transformados por Blácula, que serão responsáveis pelos momentos de terror do longa-metragem, aquele clima de investigação típico do gênero e toda a explosão do movimento da contracultura afro-americano daquele período.

Na verdade ao bem dizer, a estrutura narrativa é parecidíssima com o primeiro filme: Mamuwalde é trazido à vida; já faz logo um escravo vampiro para ficar sob seu domínio; se envolve em um círculo social descolado e fica interessado em uma garota; uma investigação policial se põe em curso enquanto um exército de vampiros vai se criando, para em uma cena fatídica, levantarem da tumba em um local isolado e se confrontar com os heróis e os policiais. Sim, praticamente a mesma coisa.

Um elemento original deste filme é o uso do vodu, algo famoso nos filmes de zumbi, mas nunca usados nos filmes de vampiro. Logo no começo da fita, vemos uma disputa interna após a morte de uma sacerdotisa vodu chamada Mama Loa, que não escolhe uma sucessora, mas que acaba se tornando, por meio de votação,  Lisa Fortier (Pam Grier, a eterna Jackie Brown) ao invés de seu filho arrogante e legítimo herdeiro, Willis (Richard Lawson). Buscando vingança, ele recorre aos poderes das antigas religiões africanas e traz Blácula de volta a vida. Mas sabe como é, ele acaba tornando-se a primeira vítima do vampiro, e transformado em um escravo. Ou seja, o tiro saiu muito pela culatra.

Príncipe Negro das Trevas

Príncipe Negro das Trevas

O Príncipe Mamuwalde irá interagir com os outros personagens da trama quando Justin Carter (Don Mitchell), ex-policial e namorado de Lisa, dá uma festa em sua residência, de despedida de sua coleção de antigos artefatos africanos doados para o museu da universidade. A semelhança de Lisa com a sua eterna amada Luva, e a coleção de peças vindas do país natal do vampirão, já deixam o vilão todo nostálgico, com uma queda por Lisa e intrigado com sua inclinação para a prática vodu.

Enquanto isso, Mamuwalde vai fazendo mais das suas vítimas, inclusive dentro do ciclo de amizades do casal, e Justin começa uma investigação paralela junto com o tenente Harley Dunlop (Michael Conrad), que fatidicamente irá leva-los à certeza que há vampiros sanguessugas pela cidade. Mamuwalde quer acabar de uma vez por todas com a maldição secular imposta por Drácula lá no início do primeiro filme, e conta com os poderes vodus de Lisa para tal.  Porém durante o ritual em que usa um boneco no formato de Blácula, a polícia dá uma batida em sua residência em busca do vampiro e então o confronto entre eles e sua horda das trevas, está para começar, assim como os eventos que selarão o destino do antagonista.

Obviamente, há grande dose de desvio cômico no filme, assim como no primeiro, já que é impossível querer se levar a sério um filme de Blácula, graças a uma justaposição satírica aos estereótipos dos anos 70 que deram fama ao gênero. Entre estes momentos estão: quando Willis fica puto da vida ao ser transformado em vampiro e descobrir que nunca mais poderá se olhar no espelho e ver se ele está bonitão; quando Blácula se transforma em vampiro bem na frente de um sujeito chapado que certamente irá culpar o uso de entorpecentes por ter visto tal cena; ou quando Blácula é abordado por um típico traficante negro de LA, sendo rechaçado por não ter interesse em uma de suas clientes. E nesta sequência, Blacula fica ainda mais feio e com o rosto peludo ao se transformar do que em sua primeira aparição cinematográfica no ano anterior. Além disso, William Marshall está muito mais fodão como o vampiro do que no longa anterior.

Os Gritos de Blácula foge um pouco apenas do blaxploitation tradicional, presente no primeiro filme e segue uma estrutura moderna de narrativa gótica de filmes de terror típicos do gênero vampiro, com mais mortes e cenas de suspense arrastado. Li em um site por aí que é como se fosse um “blaxploitation da Hammer” se você parar para analisar bem as situações: Blacula estabelece seu “castelo/ casarão”, chama a atenção dos “aldeões” chupando o sangue das belas mulheres do “vilarejo”; “rapta” a moça incauta e seu namorado vai ao encalço junto com as autoridades com suas “tochas e forcados” e antes da resolução final, há um confronto deles com sua horda de vampiros recém criados. Tudo dada sua devida proporção e comparações.

Vodu é pra Jacu

Vodu é pra Jacu

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Os Gritos de Blácula não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda (português PT) aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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