286 – Os Gritos que Aterrorizam (1973)

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And Now the Screaming Starts!

1973 / Reino Unido / 91 min / Direção: Roy Ward Baker / Roteiro: Roger Marshall (baseado na obra de David Case) / Produção: Max Rosenberg e Milton Subotsky, Gustave M. Berne (Produtor Executivo) / Elenco: Peter Cushing, Herbert Lom, Patrick Magee, Stephanie Beacham, Ian Ogilvy, Geoffrey Whitehead

 

Os Gritos que Aterrorizam é um dos poucos filmes da Amicus, estúdio inglês rival da Hammer, que não é uma antologia de contos de terror. Famosa por seus filmes portmanteau, aqui vemos um longa-metragem com começo, meio e fim, sem ser dividido em várias histórias, marca registrada da produtora da Max J. Rosenberg e Milton Subotsky durante o final dos anos 60, e todos anos 70 e comecinho dos 80.

Mas a boa e velha (e desgastada) fórmula de filme britânico gótico de horror está ali, dando seus últimos respiros. Contribuiu ainda mais a direção de Roy Ward Baker, que nessa altura do campeonato já havia dirigido para a Hammer, Carmilla – A Vampira de Karnstein e O Conde Drácula, e para a própria Amicus, O Asilo do Terror e A Cripta dos Sonhos, e a atuação do sempre galante Peter Cushing. Então estamos pisando em terreno conhecidíssimo assistindo a Os Gritos que Aterrorizam.

A trama, escrita por Roger Marshall e baseado no livro “Fengriffen” de David Case, tenta manter um clima constante de suspense ao limite, e consegue prender a atenção do espectador até seu final, mesmo com o desenrolar enfadonho. Fato é que você começa assistindo a fita já torcendo o nariz, sabendo que no mínimo, irá encontrar mais do mesmo, em um gênero que já está desgastado e o bagaço da laranja completamente espremido. Mas o filme se revelou uma grata surpresa, pelo menos para mim, principalmente em seu final, que poderia ser mais impactante se melhor trabalhado, se o roteiro não fosse tão confuso.

Com requintes sobrenaturais, a história se desenrola em torno da família Fengriffen e de certa maldição que lhes aflige, revelada apenas no terceiro ato da fita. Catherine (Stephanie Beacham) está toda feliz, saltitante e radiante ao acabar de se casar com Charles Fengriffen (Ian Ogilvy), tendo se mudado com o marido para o casarão secular da aristocrática família no interior da Inglaterra do final do Século XVIII. Mas logo toda a felicidade da moça vai por terra quando ela começa a ser assombrada por terríveis alucinações que vão desde um quadro do avô de Charles, Henry Fengriffen (Herbert Lom) que parece ganhar vida, uma figura espectral sem olhos e uma mão decepada que fica andando pela casa sozinha tentando agarrá-la.

Histórias de ninar de Peter Cushing

Histórias de ninar por Peter Cushing

Primeiro a garota pensa estar chegando ao limite da sanidade, mas logo ela percebe que algo realmente maligno está acontecendo, quando todos os envolvidos, desde os empregados do casarão até o médico da família, Dr. Whittle (Patrick Magee) obviamente tentam esconder a verdade dela. A coisa só piora quando Catherine descobre que está grávida, logo após ela conhecer Silas (Geoffrey Whitehead), um lenhador sinistro com uma marca de nascença no rosto, que vive em uma charneca em um terreno doado pelos antepassados dos Fengriffen.

Charles insiste para que a esposa tenha o filho em casa, uma tradição de mais de 300 anos na família, enquanto a pobre moça começa a desconfiar de que pode ser vítima de uma maldição ancestral. Após a morte de todos que tentam alertá-la, Charles considerando que a mulher está desequilibrada, pede ajuda do médico psiquiatra Dr. Pope, papel de Peter Cushing, que vai a fundo e começa a considerar as possibilidades de um envolvimento com o sobrenatural e bruxaria, por conta dos acontecimentos bizarros e estudos em antigos grimórios que os Fengriffen guardam em sua biblioteca particular.

ALERTA DE SPOILER. Pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco. O Dr. Pope em suas investigações descobre os meandros da maldição que cai sobre os Fengriffen: Henry era um libertino putão que transformou a casa em um local de fornicação, bebedeira e baixaria. Certo dia, o aristocrata e mais alguns amigos resolvem se valer de uma velha e arcaica tradição e reclamar para si a primeira noite da jovem e bela Sarah (Sally Harrison), recém-casada com Silas. O lenhador tenta impedi-lo, mas a garota é estuprada por Henry, que ainda amputa a mão de Silas com uma machadada, para ele aprender por sua insolência. O maneta roga uma praga nos Fengriffen, que irá recair sobre o filho homem que nascer da primeira esposa virgem da família, que viria bem a ser Catherine, já que a mãe de Charles havia se casado viúva com seu pai. Ao final, Charles fica completamente descontrolado ao ver a aparência do filho (que você logo já imagina algo parecido com O Bebê de Rosemary), e mata Silas com dois tiros nos olhos (tal qual a imagem espectral que apavora Catherine). Caído na loucura, Charles ainda exuma o esqueleto do velho Henry, violando seu túmulo, e o Dr. Pope volta ao casarão, apenas para descobrir que o filho de ambos possui a mesma marca de nascença de Silas no rosto.

Os Gritos que Aterrorizam recebeu uma morna recepção tanto em sua Inglaterra natal quanto nos EUA. Infelizmente o filme não percebeu seu verdadeiro potencial, que poderia muito bem ter melhor explorado sua trama sobrenatural que envolve vingança, bruxaria e maldições. Todas as performances teatrais dos atores estão na medida, exceto por Cushing, que sempre se sobressai ao resto do elenco. É um filme “assistivel”, por assim dizer, e um dos últimos exemplares do outrora prolífico gênero gótico do cinema de horror.

Arte moderna

Arte moderna

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Os Gritos que Aterrorizam não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

6 Comentários

  1. Agradeço, e muito, por trazer estes filmes, que como você mesmo posta, não foram lançados no Brasil. Imagino que não é fácil, o trabalho que se dá pra buscar esse tipo de material… Obrigada mesmo!

  2. Joelmo disse:

    esta sem o link. abs

  3. Paulo disse:

    O torrent não tem seeds e todos os 15 peers estão com 70.1% do arquivo. :-S

  4. Ivonete disse:

    Olá, descobri seu site procurando críticas sobre este filme que acabei de assistir. Gosta dos filmes de terror gótico, principalmente aqueles produzidos pela Hammer e pela Amicus. Como vc disse em sua bela crítica, “Gritos que aterrorizam” poderia ter sido mais bem explorado, mas o filme consegue manter o clima de suspense e a presença de Peter Cushing sempre ajuda.

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