293 – As Sete Máscaras da Morte (1973)

theatre_of_blood_ver1_xlg

Theatre of Blood

1973 / Reino Unido / 104 min / Direção: Douglas Hickox / Roteiro: Anthony Greville-Bell, Stanely Mann e John Kohn (ideia) / Produção: John Kohn, Stanely Mann, Gustave Berne e Sam Jaffe (Produtores Executivos) / Elenco: Vincent Price, Diana Rigg, Ian Hendry, Harry Andrews, Coral Browne, Robert Coote, Jack Hawkins

 

Absolutamente nenhum ator do cinema de terror poderia ser o protagonista de As Sete Máscaras da Morte senão Vincent Price. Afinal, quem mais poderia fazer um excêntrico, exagerado, caricato e bufão ator shakesperiano em busca de vingança, do que o mestre?

Mas vamos lá, por mais que tenha a presença de Price, uma trama camp estrambólica, desvairados e amalucados planos de vingança, para mim, particularmente, As Sete Máscaras da Morte é só uma cópia razoável de O Abominável Dr. Phibes. Mesmo maniqueísmo, quase a mesma motivação, mesmo status quo do personagem de Price, mesma inépcia da polícia londrina e mesmo exagero na execução das vinganças.

Dirigido por Douglas Hickox (que também não tem absolutamente mais nada de relevante no currículo), a trama traz Price como Edward Kendal Sheridan Lionheart, extravagante ator shakesperiano que, devastado por uma série de críticas negativas à sua temporada de peças e preterido ao prêmio de melhor ator do ano dado por uma banca de críticos de teatro liderada por Peregrine Devlin (Ian Hendry), simula sua própria morte, para junto de um bando de mendigos desgranhentos, arquitetar seu maquiavélico plano de se vingar de um por um, utilizando os textos do bardo inglês para executar seus assassinatos poéticos.

E é só isso. Esse plot vai levar a uma série de mortes, uma atrás da outra, mais absurda que a anterior, que vai desde afogamento em vinho, sujeito atravessado por uma lança e arrastado por cavalos, múltiplas facadas, decapitação, coração arrancado do peito, eletrocussão, até entupir um obeso de tortas preparadas com seus cachorrinhos de estimação como ingrediente principal. Além disso, temos dois policiais incompetentes, o inspetor Boot (Milo O’Shea) e o sargento Dogge (Eric Sykes) (que também parecem saídos de quadros do Monty Phyton tal qual os filmes do Dr. Phibes), a presença da filha de Edward, Edwina (Diana Rigg), maquiadora profissional de cinema, primeira suspeita na lista policial e também uma ajudante “travesti” do ator falido, usando barba falsa e óculos, que parece mais uma caricatura de Raul Seixas.

Prêmio para ele, com certeza!

Prêmio para ele, com certeza!

Logicamente, Price está impecável, mostrando toda sua extrema habilidade na arte da atuação, ainda mais em um papel que lhe permite interpretar um ator de teatro, dando-lhe licença poética para exagerar o quanto quiser e declamar a todo pulmão os versos de William Shakespeare enquanto pratica seus inventivos métodos de eliminação. Engraçado que um dos motivos dos críticos não terem lhe conferido o prêmio de melhor ator foi o fato de ele continuar parado no tempo e não se atualizar nos palcos, interpretando sempre os mesmos papéis oriundos das adaptações das obras de Shakespeare. E se você traçar um cruel paralelo, aplica-se aos próprios papéis de Price no cinema de terror, sempre representando os mesmos tipos de personagens (excêntricos, góticos, vingativos, loucos, caricatos). Não é um desmérito, apenas uma constatação.

Edward Lionheart por sua vez é considerado pelo próprio ator americano, como o seu personagem favorito de toda a sua carreira, e o conquistador ainda conseguiu descolar sua terceira esposa, Coral Browne, durante as filmagens de As Sete Máscaras da Morte, encorajado por Diana Rigg que notou a química entre os dois e trabalhou como cupido. Falando em Diana Rigg, ela também considera este seu melhor filme. E falando novamente dela, sua filha, Racherl Stirling, interpretou seu papel de Edwina na adaptação do filme aos palcos de Londres no ano de 2005.

Duas curiosidades interessantes é que segundo Iaian McAsh, biógrafo de Price, seis galões de sangue falso foram usados durante a produção para dar cor vermelha aos horríveis assassinatos, e o diretor de O Abominável Dr. Phibes e A Câmara de Horrores do Dr. Phibes, Robert Fuest, foi convidado inicialmente para dirigir o filme, mas o recusou. Talvez já sacando que ainda mais comparações com a trama seriam inevitáveis.

As Sete Máscaras da Morte foi o título dado ao filme quando exibido na televisão brasileira e manteve o nome ao ser lançado em DVD pela Playarte e depois pela Magnus Opus. Mas também foi lançado no mercado pelo selo Dark Side da Works Editora como O Teatro da Morte, mais próximo do original. Ou seja, um filme mediano, lançado três vezes no país com dois títulos diferente, enquanto muitas obras mais merecedoras continuam inéditas por essas bandas. Coisas de Brasil.

Ser ou não ser, eis a questão!

Matar ou não matar, eis a questão!

Serviço de utilidade pública:

Compre o DVD de As Sete Máscaras da Morte aqui.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Paulão Geovanão disse:

    Ainda falta filme pra caramba pros 1001. Quero ver se “A geladeira diabólica” e “O massacre do micro-ondas” estarão presentes na lista.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: