308 – Nasce um Monstro (1974)

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It’s Alive

1974 / EUA / 91 min / Direção: Larry Cohen / Roteiro: Larry Cohen / Produção: Larry Cohen, Janelle Cohen (Co-produtora), Peter Sabiston (Produtor Executivo) / Elenco: Joh P. Ryan, Sharon Farrell, James Dixon, William Wellman Jr.  , Shamus Locke, Andrew Duggan, Guy Stockwell

 

Nasce um Monstro: filme não recomendado para mulheres grávidas. Dirigido por um dos mais prolíficos diretores do cinema trash, Larry Cohen, esta fita, dada suas devidas proporções é mais ou menos como se transpusessem para as telas a fatídica história do bebê diabo paulista, alardeada pelo extinto Notícias Populares. “Médico afirma: o Bebê-Diabo nasceu no ABC (sic)” era a manchete escabrosa.

Para quem não conhece a história, uma das mais famosas do NP, o jornal que saia sangue quando você o torcia, o tabloide criou uma série de reportagens sobre o tal “Bebê Diabo” nascido em São Bernardo do Campo, ficcionalizando a notícia do nascimento de um bebê que tinha uma deformidade física (nascera com um prolongamento no cóccix e duas pequenas saliências na testa). A saga do “Bebê-Diabo” arrastou-se por diversas edições do NP (exatamente 37 dias, sendo sempre matéria de capa) e até o Zé do Caixão se envolveu na trama, caçando o tal rebento do capeta por aí para exorcisá-lo.

Enfim, elocubrações a parte, essa é a premissa de Nasce um Monstro, mas não um diabo, e tampouco O Bebê de Rosemary, uma das óbvias inspirações deste filme aqui. Um bebê que nasce como uma criatura, vítima de mutações genéticas e deformidades que lhe conferem uma aparência aterradora (nunca revelada por completo, acertadamente, por conta do baixíssimo orçamento) e um terrível instinto assassino (além de super força, agilidade fora do comum para um recém-nascido e outros tantos absurdos).

Os pais do “monstro”, como intitula o título nacional, são o executivo de Relações Públicas Frank (John P. Ryan) e a dona de casa exemplar e amorosa (e meio tapada), Lenore (Sharon Farrell), que já tem um filho saudável, inteligente e normal, Chris (Daniel Holzman), de 11 anos. Acontece que em determinados momentos distintos do filme, um na maternidade logo depois que a criatura nasceu a fórceps e matou toda a equipe médica que fazia o parto e escapar pela claraboia (como ele chegou lá, nunca se saberá…) e outro quando já em casa, o casal é abordado pelo médico da família, levantando que um dos motivos que pode ter resultado nessa mutação foi uma tentativa de aborto e o abuso de píluas anticoncepcionais, colocando o filme sob um prisma de crítica ao capitalismo e as indústrias farmacêuticas. E Cohen é especialista nisso e em deixar esse tipo de mensagem pairando no ar. É só lembrar outro clássico do direitro, A Coisa, aquele filme do iogurte branco que vicia as pessoas que o come, um dos campeões de reprise no SBT.

Coisinha linda do pai!

Coisinha linda do pai!

Com a catástrofe e o monstrinho à solta cometendo mais e mais assassinatos, a vida do casal vira de cabeça para baixo. Frank é obrigado a “tirar férias atrasadas” de seu emprego, bem no momento em que cuidava de uma grande conta, afinal, que tipo de agência de RP quereria um profissional envolvido no escândalo do nascimento do bebê-dia… ops, quer dizer, do bebê-monstro? Lenore entra em depressão pós-parto e uma certa psicose, e o casal, agora em frangalhos, passa a sofrer com discussões constantes, e uma disparidade de sentimentos: o pai, querendo se desassociar daquela criatura, gritando aos quatro ventos que não é seu filho e torcendo para que a polícia capture-o e mate-o; e a mãe, com o instinto maternal gritando alto, querendo proteger o filhote, mantendo-o escondido no porão de casa, tratando a leite e carne crua.

Larry Cohen realmente tira leite de pedra e consegue manter um clima constante de suspense em um filme que covenhamos, tem um dos argumentos mais ridículos. Mérito em focar mais no drama familiar, no sensacionalismo da imprensa, na ineficácia policial e na falta de experise em lidar com algo tão inusitado, como um bebê-monstro assassino, e nos interesses corporativos escusos do que nos momentos de terror e gore em si.

Rick Baker, famoso maquiador, ganhador do Oscar® por Um Lobisomem Americano em Londres quem criou o visual da criaturinha mutante, mas que é visto apenas em vislumbres, ao melhor estilo Hitchcock, para não cair no escracho. Outro recurso técnico interessantíssimo é a visão desfocada quando somos transportados para o ponto de vista do monstro. E falando em Hitchcock, há de se destacar a presença de Bernard Hermann conduzindo a trilha sonora, veterano e monstro sagrado (no bom sentido), que tem entre um dos seus principais tema, a música de Psicose.

Outra coisa bem bacana é para os mais velhos e saudosistas, lembrar da capa do VHS de Nasce um Monstro, que víamos na prateleira da locadora, lançado por aqui pela Warner Home Video, que já mostra na lata como é o visual do monstro gordinho rastejando no jardim, cheio de dobrinas como um bom bebê, suas garras e presas, estragando toda e qualquer surpresa. SPOILER da própria distribuidora.

Nunca sem meu filho

Nunca sem meu filho

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Nasce um Monstro não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

8 Comentários

  1. […] terrível bebê mutante monstro está de volta! A Volta do Monstro, continuação de Nasce um Monstro de Larry Cohen, pérola trash setentista, traz um novo casal às voltas com uma anomalia genética […]

  2. […] por Larry Cohen, lançada em sessão dupla com A Ilha dos Monstros, terceiro filme da trilogia de Nasce um Monstro. Detalhe que Cohen escreveu o roteiro original de Os Vampiros de Salem, mas o produtor achou o […]

  3. […] dá uma boa ideia do que esperar, já que ele é campeão em fazer filmes trash e clássicos, como Nasce um Monstro, Q – A Serpente Alada e A Ambulância, além de ser roteirista de tantos outros, como Maniac Cop […]

  4. […] e uma pitada sobrenatural e traz roteiro e produção de um cara como o Larry Cohen (diretor de Nasce um Monstro e A Coisa), direção de William Lustig (do excelente O Maníaco), tem no elenco sujeitos como Tom […]

  5. […] um sacerdote vodu, uma bruxa, o Homem-Cobra, um casulo de Vampiros de Almas, um bebê mutante (de Nasce um Monstro), um assassino com machado que é uma lenda urbana (originalmente seria Jason Voorhees, ideia […]

  6. […] no cinema de horror. Eternizado por O Bebê de Rosemary de Roman Polansky, passando pela trasheira Nasce um Monstro de Larry Cohen e até o mais recente O Herdeiro do Diabo. Baby Blood bebe exatamente nestas fontes […]

  7. […] 3 NASCE UM MONSTRO (“It’s Alive”, 1974, 91 min.) De Larry Cohen. Com John P. Ryan, Sharon Farrell, James […]

  8. julia disse:

    Vi esta série no SBT, porém não vi até o final.Procurei por este filme por muito tempo. Lembro que o SBT parou de passar porque as mulheres grávidas ficaram em pânico. Lembro do meu irmão me contando que uma grávida estava no ônibus e um grupo de adolescentes soltou inocentemente ” bebê monstro”.
    Lembro também que Silvio Santos pediu desculpas aos que acompanhavam a série, porém interromperia a exibição. Mas o filme é muito engraçado, toda vez que vejo as poucas gravações no yotube eu rio muito. kkkkkkkkkkkkkkkk….

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