313 – Sangue para Drácula (1974)

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Blood for Dracula

 1974 / Itália, França / 103 min / Direção: Paul Morrissey / Roteiro: Paul Morrisey / Produção: Andy Warhol, Jean Yanne, Andrew Braunsberg, Jean-Pierre Rassam (Co-produtor) / Elenco: Joe Dallesandro, Udo Kier, Vittorio De Sica, Maxime McKendry, Arno Juerging, Milena Vukotic

 

Depois do diretor Paul Morrissey criar a versão mais depravada de Frankenstein em Carne Para Frankenstein, utilizando o nome do artista pop Andy Warhol para ajudar a “vender” a fita, é a vez do infame diretor fazer Bram Stoker se revirar do túmulo com Sangue para Drácula.

Está certo que não tem absolutamente nada em comum com o livro do irlandês, exceto que o Conde é romeno. Aqui nesta amalucada fita, o afetadíssimo Udo Kier fará um vampiro decadente, doente, vegetariano, que precisa se alimentar desesperadamente do sangue de virgens. Exclusivamente de virgens. Caso contrário, o sangue cai que nem uma bomba em seu estômago e ele vomitará tudo.

Se você já assistiu Carne para Frankenstein sabe que pode esperar uma história completamente retardada, com litros e litros de sangue sendo derramado, depravação sexual, bizarrices, humor negro escrachado e uma crítica política social velada. Enquanto em Carne…, Morrissey (que também escreve o roteiro) ataca a higienização aristocrática e o racismo, aqui em Sangue para Drácula, é a vez da luta de classes, os ideais marxistas e a decadência da burguesia entrarem em pauta. Mas disso eu volto a falar mais para frente.

Fato que Sangue para Drácula desta vez é realmente produzida por Andy Warhol, e não tem seu nome usado apenas como embuste marqueteiro como no anterior (tanto que o longa também é conhecido como “Andy Warhol’s Dracula” no mercado internacional). No começo dos anos 20, Drácula está só o pó em seu castelo na Romênia e precisa desesperadamente de sangue das virgens para manter-se imortal e perpetuar sua linhagem. Seu servo/ capanga, Anton (Arno Juerging) insiste para que eles viagem à Itália a procura de moças puras, pelo fato da forte influência da Igreja Católica no país.

Procura-se virgens

Procura-se virgens para doação de sangue

Ao chegarem em um vilarejo do interior italiano, ambos conhecem a decadente família di Fiori, onde o Marquês (vivido pelo diretor Vittorio De Sica), um sujeito estranho à beça que tem um fascinação por sobrenomes e ascendências, e perdeu todo o rico dinheiro da família em apostas em Londres, e a inescrupulosa Marquesa (Maxime McKendry) tentam arrumar uma de suas quatro filhas com nomes de pedras preciosas, Saphiria (Dominique Darel), Rubinia (Stefania Casini), Perla (Silvia Dionisio) e Esmeralda (Milena Vukotic) como futura esposa do Conde, mal elas sabendo as verdadeiras e malévolas intenções do mesmo.

Só que duas delas, as possíveis pretendentes, Saphiria e Rubinia não são mais virgens coisíssima nenhuma. Elas transam praticamente todas as noites com Balato (Joe Dallesandro), o único servo que restou naquela casa caindo aos pedaços, que trabalha cortando lenha e fazendo pequenos serviços de ajudante geral. Isso quando elas não transam entre elas também (Morrissey pelo jeito adora essas relações incestuosas entre irmãos). E Balato é um caso a parte. Ele vive a todo momento citando a revolução bolchevique e os manifestos do partido comunista, dizendo que os dias dessa insensata divisão de classes está no fim e que a queda da aristocracia ao redor do mundo é iminente, como aconteceu em sua Rússia natal. O sujeito até tem uma foice e martelo pintados na parede de seu quarto. Seus diálogos são hilários, principalmente quando se confronta (geralmente sem roupa entre uma trepada e outra) ideologicamente com os ideais daquelas duas patricinhas falidas.

Obviamente Drácula irá provar o sangue delas e ter uma intoxicação alimentar com ele. Isso entre um e outro poderoso ataque de cold turkey, por estar ficando muito tempo sem seu sangue virginal. Enquanto os marqueses são uns idiotas e só pensam em casar as filhas para arrancar dinheiro do Conde e recuperar seu status financeiros, o trabalhador braçal Balato é o único que desconfia que ele seja um vampiro e começa a perceber o risco que a jovem Perla corre por ser virgem. Qual é sua brilhante ideia? Deflorar a garota, assim ela ficará livre das garras do morto-vivo, num começo de estupro que depois vira consentido e prazeroso. Gênio! Pior é Drácula na maior fissura, começar a lamber o sangue que caiu no chão durante o rompimento do hímen da guria (e olha que solta um jorro de sangue…).

Virgem? Senta lá, Claudia

Virgem? Senta lá, Claudia

Alerta de SPOILER. Pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco. Ao final do filme, a outra virgem, Esmeralda, a mais velha, praticamente assexuada e devotada apenas aos livros e à religião que vai cair nas garras (ou presas, se preferir) do vampiro, enquanto Balato munido de seu machado de cortar lenha, começara a caçar Drácula, arrancando um a um de seus membros até ele virar um cotoco jorrando sangue, e enfiar uma estaca em seu coração, levando a agora então vampira Esmeralda a se suicidar junto com o recém-conquistado amor.

Destaque para a atuação exagerada e esquizofrênica de Kier como Drácula, que teve de emagrecer 9kg em uma semana para vestir as cafonas vestimentas e presas do vampiro-mor. Outro detalhe é a participação especial de Roman Polanski como um apostador em uma taverna onde Anton e Drácula estão hospedados. Com sua boina e bigodão (pois estava filmando Quê? na Itália por ali nas proximidades, e então repare que ele usa o mesmo bigode nos dois filmes) ele joga um patético jogo de imitação com Anton, antes de um terrível acidente de carro com uma garota, onde o capanga embebe um pão com sangue da virgem e leva para Drácula saciar sua fome.

Apesar da quantidade de gore e da batelada de cenas de nudez frontal, pelos pubianos e sexo simulado entre as irmãs e Balato, Sangue para Drácula recebeu cortes muito menores da censura britânica que o controverso Carne para Frankenstein, que entrou na famosa lista inglesa dos nasty movies. E cá entre nós, o primeiro também é muito mais legal do que este daqui. Já nos EUA, o MPAA deu uma classificação X para o filme (dado somente para filmes pornô, o que é sinônimo de suicídio comercial), e a fita teve 10 minutos de cenas cortadas, ganhando a classificação R e o título modificado para “Young Dracula”.

Cuidado com o que você bebe

Cuidado com o que você bebe

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Sangue para Drácula não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] Roland, interpretado por Joe Dallessandro (famoso por seus papeis em Carne Para Frankenstein e Sangue Para Drácula), e a partir daí, instala seu “reino de terror” contra os pacientes. Estranhas mortes se […]

  2. Lucas disse:

    O arquivo para download está inválido. :/

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